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Correio Braziliense

Fartura de empregos a 56km de Brasília


postado em 09/07/2009 11:58 / atualizado em 09/07/2009 12:17

Quem busca emprego tem grandes chances de encontrá-lo em Luziânia. O município goiano, localizado a 56 km de Brasília, oferece vagas de trabalho, principalmente, nos setores da construção civil e do agronegócio. O crescimento econômico da cidade, devido ao sucesso das exportações e a oferta de imóveis até um terço mais baratos do que na capital da República, estimulou a criação de oportunidades no mercado de trabalho local.

(foto: Kleber Lima/CB/D.A Press)
(foto: Kleber Lima/CB/D.A Press)
Segundo o Sistema Nacional de Empregos (Sine) em Luziânia, houve um crescimento médio de 130% na oferta mensal de vagas nesse ano. Em 2008, foram contratados 65 trabalhadores por mês. Neste primeiro semestre, a média mensal foi de 150. "A quantidade de encaminhamentos de candidatos e a efetiva contratação deles cresceu em relação a 2008. Isso se deve ao desenvolvimento do município, que hoje tem grandes indústrias e empreendimentos da construção" , afirma o coordenador do Sine, Boaz de Albuquerque. Segundo ele, precisa-se hoje em Luziânia de profissionais que trabalhem na área rural (cargos da linha operacional e mecanizada) e no setor urbano, em especial, na construção civil (cargos básicos aos oficiais).Vaqueiros, colheiteiros, caseiros, operadores de máquinas agrícolas, técnicos de produção industrial, serventes, carpinteiros, armadores de ferro, entre outros profissionais são bem-vindos no município. Terça-feira última, o sistema tinha 94 vagas disponíveis na hora do almoço. Na segunda-feira, no mesmo horário, eram 140. "A cada hora pode mudar o número de vagas. Recebemos solicitações a todo o momento", diz o Boaz de Albuquerque. Currículos Apesar do cadastro do Sine conter cerca de 20 mil currículos, são poucos os que se encaixam nas vagas que exigem experiência na área e conhecimentos específicos - segundo grau completo e cursos técnicos, como o de informática. Indústrias de commodities, por exemplo, demandam mais profissionais com esse perfil. Motorista de transportes agrícolas, há apenas 23 dias, Júlio César da Silva, 24 anos, está satisfeito com o novo emprego, que lhe renderá R$ 800 mensais, além moradia em uma das fazendas da SCL Agrícola, empresa produtora de café, soja, algodão e milho, situada na região do Vale do Pamplona. "Tenho segundo grau completo e sei que isso é um diferencial no campo", diz. Para o pico da safra do algodão e do café, a empresa contratou 240 profissionais (de auxiliar de serviços gerais a operadores de máquinas com GPS) além dos 160 fixos. Apesar de ser o recorde de empregos ofertados, segundo o coordenador de Recursos Humanos da SCL, Marcelo Francisco, há ainda procura por trabalhadores de todos os tipos, mas especialmente, eles buscam um eletricista industrial que more na fazenda. "Não é fácil convencer o profissional que tem um perfil especializado e, provavelmente, que seja mais urbano a morar na área rural", explica ele, ao acrescentar que os salário oferecidos variam de R$ 500 a R$ 1,2 mil. A dificuldade de achar mão de obra também é sentida pelos pequenos produtores rurais de Luziânia. O casal de agricultores Judite Camargo, 60 anos, e Obedes Camargo, 55, inventou um novo conceito para o termo agricultura familiar. "Hoje só o pai e a mãe trabalham na roça. Os filhos querem estudar na cidade, ter outra vida e não podemos mas contar com eles%u201D, conta Judite. Evasão rural, famílias menores e o crescimento do pequeno produtor são alguns fatores que explicam a falta de mão de obra no campo. O presidente da Central de Associações de Produtores Rurais de Luziânia, Jorge Meireles, calcula que é preciso adicionar, pelo menos, um trabalhador em cada uma das 1,1 mil famílias associadas. "Hoje as famílias são, em média, compostas por quatro pessoas. Antes eram oito. Há três anos, a região de Luziânia tinha 30 hectares de fruticultura. Agora são 120 hectares. As coisas estão mudando e falta gente para acompanhar isso%u201D, diz. SALÁRIOS Área rural # Pequenas, médias e grandes propriedades # Salários variam de R$ 465 a R$ 800 Linha operacional # Vaqueiros # Caseiros # Capineiros # Colheiteiros Linha mecanizada # Operadores de máquinas agrícolas # Técnicos de produção # Motoristas # Eletricistas Área urbana # Setor da construção civil # Salários variam de R$ 700 a R$ 1,2 mil Cargo básico # Serventes Cargo oficial # Armador de ferro # Carpinteiro # Pedreiro # Marceneiro # Pintores # Azulejistas Faltam profissionais Em busca de carpinteiros, armadores de ferro e serventes para trabalhar na atual maior obra de Luziânia - a construção do primeiro shopping center que terá duas torres de apartamentos residenciais - o gerente do departamento pessoal da Suporte Incorporações, José Luiz de Almeida, 32 anos, foi ontem pela manhã ao Sine. Ele analisou vários cadastros, recrutou oitos candidatos para as vagas de servente, mas não conseguiu achar nenhum dos três carpinteiros que precisa. "De 10 contratações que tenho que fazer por semana, duas são realizadas", afirma. O motivo: falta pessoas com experiência em trabalhos específicos, nos chamados cargos oficiais. "Com pouca experiência, contratamos pessoas apenas para a função de serventes", diz.
(foto: Kleber Lima/CB/D.A Press)
(foto: Kleber Lima/CB/D.A Press)
Na semana passada, o gerente teve mais sorte e conseguiu preencher uma vaga com o carpinteiro José Moraes, 37 anos. Trabalhador autônomo do ramo, há 11 anos, ele não teve dificuldades de pegar a vaga. "Um amigo meu me disse que precisavam de gente e vim aqui. Estou gostando de ter carteira assinada, uniforme e amparo caso eu me acidente", afirma o trabalhador, que receberá salário equivalente ao piso da categoria de Brasília e não de Goiás. "Isso é uma forma de evitarmos que a mão de obra vá para Brasília em busca de melhores salários", diz Almeida. Além do Sine, a construtora está divulgando as vagas de emprego na rádio local e em placas nas ruas. Do ano passado até agora, a Suporte Incorporações contratou cerca de 200 pessoas para três grandes obras em Luziânia. O dono da empresa, Vanuil Guimarães Júnior, diz que investir no município é vantajoso porque há demanda. "As pessoas saem daqui para comprar nos shoppings de Brasília. Com um shopping center local esse movimento vai diminuir", diz. Outra vantagem é que o metro quadrado da cidade é até um terço mais barato em relação aos preços da capital. "O metro quadrado aqui custa R$ 2 mil, o de Águas Claras são R$ 4 mil e o do Noroeste chega a R$ 8 mil. Com R$ 140 mil pode-se comprar um apartamento novo de três quartos na cidade", compara Júnior. O presidente do Sindicato da Indústria da Construção Civil de Goiás (Sinduscon-GO), Roberto Elias de Lima, explica que a proximidade do município com Brasília movimenta o setor e favorece o empreendedorismo na área. "Isso ajuda no lançamento de novos empreendimentos", afirma. O aquecimento da economia local deve-se também a explosão das exportações do município - que nos primeiros cinco meses desse ano ocupou o topo da lista das cidades goianas. Segundo o secretário da Indústria e Comércio de Luziânia, João de Abreu, o boom das vendas externas, em especial o complexo soja, beneficia todos os moradores do município porque faz circular mais dinheiro na região e atrair mais investidores. "Luziânia é a detentora do maior Produto Interno Bruto do entorno e o empreendorismo está em franca expansão", antecipa. (LM) O número R$ 1.200 é quanto chega a ganhar um trabalhador da construção civil em Luziânia

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