Publicidade

Correio Braziliense

Calçadas do Plano Piloto comprometidas


postado em 10/07/2009 08:41

A maioria dos moradores da SQS 305 Sul já tropeçou em alguma das calçadas quebradas ou conhece alguém que se acidentou nesses locais. Carrinhos de bebês e cadeirantes têm de trafegar pelo asfalto para driblar a falta de acessibilidade. Parte da pavimentação dessa quadra tem a idade da fundação da capital, 49 anos, e nunca havia passado por reparos até a última segunda-feira, quando começou uma reforma. A obra teve início depois da mobilização dos moradores da 305 Sul. Eles enviaram por meio da prefeitura comunitária pedidos para a Administração de Brasília realizar os reparos. A prefeita da quadra, Verônica Gomes da Silva, 49 anos, quase não acreditou quando viu os operários trabalhando. “Achei incrível, a movimentação deu resultado. A situação aqui é crítica: o chão ficou esburacado e as pessoas vivem levando tombo. Todo mundo já caiu ou sabe de algum acidente onde a pessoa teve ossos quebrados e até fratura exposta depois de tropeçar”, diz Verônica. Assim como a 305 da Asa Sul, outros espaços de Brasília sofrem com o mesmo problema. Em todo o Plano Piloto, 20 superquadras passam pela revitalização — 10 na Asa Sul e 10 na Asa Norte —, desde março. Mais de 45 mil quilômetros de calçadas devem ser construídos, até o fim do ano. As ruas mais antigas, onde o chão é mais detonado, e as mais novas, ainda sem passeio, tiveram preferência na hora da escolha. Outros lugares ainda não listados devem receber os reparos no segundo semestre de 2009. Os locais serão definidos por meio de uma comissão formada por prefeitos e presidentes dos conselhos comunitários das asas Sul e Norte. “Finalmente, tivemos atenção. Moro na 305 desde 1976, e é a primeira vez que uma mudança como essa ocorre”, relata a servidora pública Rachel Prado, 43 anos. Entre os habitantes do Plano Piloto que ainda esperam pelas melhorias, está o aposentado Dary Barreto, 78 anos. Ele enfrenta dificuldades diariamente para se locomover dentro da 410 Norte, onde vive. “Eu caí quando passeava perto da área verde, machuquei o joelho e as mãos. As raízes das árvores quebraram toda a calçada. O governo deve encontrar uma solução”, reivindica Barreto. Segundo a administração, a 410 Norte está incluída nos planos deste semestre. Quem mora nas quadras 105 e 106 Sul se cansou de esperar pela ação do governo e decidiu apressar as melhorias com dinheiro do próprio bolso. “Gastamos R$ 15 mil recolhidos entre a comunidade. Só deu para arrumar um trecho. Pagamos impostos caríssimos, mas mesmo assim resolvemos fazer o reparo. É a única forma de acelerar o processo”, reclama o prefeito comunitário da 105 Sul, Frederico Júlio Goepfert.

Os comentários não representam a opinião do jornal e são de responsabilidade do autor. As mensagens estão sujeitas a moderação prévia antes da publicação

Publicidade