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Correio Braziliense

Pouco divulgadas, bandeiras representam regiões administrativas do DF

A mais nova delas foi criado por um garoto de 10 anos, vencedor de um concurso especial, no Park Way


postado em 15/08/2009 08:30 / atualizado em 15/08/2009 08:23

A região onde você mora provavelmente tem uma bandeira e um hino, mas são poucos os moradores do Distrito Federal que conhecem os símbolos que os representam. Baseadas em aspectos físicos, culturais e econômicos das cidades do DF, as flâmulas costumam ser fruto de concurso promovido entre os moradores das regiões, em especial crianças, mas a maioria acaba perdendo importância com o tempo. Nem todas as administrações regionais ostentam as bandeiras nos próprios mastros, e é difícil encontrar um morador que conheça a de sua cidade.

Idealizador da flâmula de Sobradinho II, o professor Marcondes Luiz Ferreira, 25 anos, acredita que a bandeira não cumpre a função para a qual foi criada. “Vi a bandeira ser hasteada no desfile em que ela foi instituída, em 2007, e em outros eventos, mas nenhum dos órgãos oficiais a utiliza”, lamenta Marcondes. O músico Victor Alves Girotto Borges, 24, que criou a bandeira do Guará, compartilha a impressão do colega. “Acho que a bandeira deveria receber mais atenção, uma vez que foi escolhida pela própria população”, defende o músico.

Para Victor, que teve poucas ocasiões para admirar sua criação tremulando pelos mastros da cidade, a valorização também deve partir da população. “As pessoas não têm muito esse costume de defender a localidade onde moram ou de se interessar pela própria região”, considera o músico, que lançou a bandeira quando tinha apenas 10 anos.

Ludwig lançou a representação de Sobradinho: verde simboliza natureza e tarnquilidade, e azul estimula reflexões(foto: Paulo de Araújo/CB/D.A Press )
Ludwig lançou a representação de Sobradinho: verde simboliza natureza e tarnquilidade, e azul estimula reflexões (foto: Paulo de Araújo/CB/D.A Press )
Em Sobradinho, o problema é encontrar uma bandeira na administração regional. A única que ainda frequenta o prédio foi emprestada para uma igreja da região, deixando o mastro em frente à administração nu. “Mas os colégios daqui valorizam muito o símbolo”, conta a aposentada Maria Dolores Ritter, mãe do autor da bandeira da cidade, o violinista Ludwig Gustav Nunes Ritter, 29. Nas escolas, contudo, algumas bandeiras não respeitam a configuração original da flâmula.

A bandeira de Sobradinho é composta por três cores. A faixa amarela, disposta em diagonal curva (descendo da esquerda para a direita), tem dois significados: representa a subida do Colorado e, segundo Ludwig, também é a fonte de luz. O azul — representação do céu —, explica, sugere reflexões. Quanto ao verde, não só representa a natureza, mas transmite paz de espírito. A criação é de 1988, mas, oficialmente, vigora desde 2004.

Estreia
Mais recente, a bandeira do Park Way foi hasteada pela primeira vez no mês passado e é assinada pelo estudante Bruno William Vieira Xavier, de apenas 10 anos. A flâmula tem as mesmas cores da bandeira do Brasil, a principal referência de Bruno, aluno da 4ª série do ensino fundamental. “As estrelas são brancas porque representam a paz, e o azul simboliza o céu”, explica o garoto, que venceu um concurso promovido entre as três escolas da região no primeiro semestre.

O verde da bandeira mostra os vastos gramados do Park Way, enquanto a faixa amarela que cruza a bandeira representa a riqueza da região. “Fizemos um passeio para conhecer melhor o lugar e a riqueza me chamou atenção. Tem muita mansão por lá”, diz o menino, que botou uma imagem em negativo de um ipê no meio da bandeira. “Existem muitas árvores como essa por lá”, justifica.

Segundo o pai de Bruno, o estudante se empenhou no trabalho. “Ele pesquisou bandeiras do mundo todo”, afirma o montador de som William Meira Vieira, 35. Morador de Taguatinga, William confessa que, até então, nunca ouvira falar da bandeira que representa sua cidade. A propósito, nem toda região administrativa do DF ganhou uma representação gráfica.

Brasília não tem, nem sua administração pretende criar uma bandeira. Já Samambaia e Santa Maria planejam uma mobilização semelhante à das outras regiões para escolher seu símbolo. Segundo a assessoria da Administração Regional de Santa Maria, um concurso entre os estudantes da cidade deve apontar a melhor bandeira.

O Riacho Fundo, que até pouco tempo ostentava uma flâmula improvisada, também está se preparando para promover um concurso. Até o Setor de Indústria e Abastecimento (SIA) pensa em criar seu emblema. “Queremos fazer um concurso entre os alunos e já estamos em fase final de elaboração do projeto”, acrescenta a gerente de Esporte, Lazer, Cultura e Educação da Administração de Águas Claras, Simone Ferreira. Para Simone, a bandeira deve ajudar a construir a identidade da região.

 

Bruno e sua criação premiada, novo símbolo do Park Way: trabalho foi feito a partir de pesquisas de várias bandeiras(foto: Gustavo Moreno/CB/D.A Press )
Bruno e sua criação premiada, novo símbolo do Park Way: trabalho foi feito a partir de pesquisas de várias bandeiras (foto: Gustavo Moreno/CB/D.A Press )

 

Participe
Se você mora em uma cidade que ainda não tem bandeira e deseja participar de um grupo para criar o símbolo do local, envie sua sugestão para o e-mail:
leitor.df@diariosassociados.com.br

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