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Gangues de jovens se espalham em pelo menos quatro cidades do DF

A rixa entre gangues deixa rastros de sangue e aterroriza moradores em cidades ao redor de Brasília. Cada vez mais novos, os jovens organizam-se em grupos, alguns deles armados. Travam guerras particulares a qualquer hora do dia ou da noite, sem escolher lugar. Vítimas inocentes acabam no meio do fogo cruzado. Os meninos de hoje são a segunda geração das gangues do Distrito Federal. Nem sequer sabem explicar como tudo começou. Estão nas ruas para matar ou morrer. E até enxergam glamour no estilo ;vida loka;. Em outras palavras, vida curta, mas intensa.

A explosão de mais um conflito entre grupos rivais de São Sebastião colocou a polícia em alerta. Em apenas cinco dias ; entre 7 e 12 deste mês ; dois jovens foram assassinados na cidade e outro escapou com um tiro de raspão. Também na sexta-feira, dia 7, em Planaltina, um rapaz de 17 matou outro de 18, por vingança. Ambos são de gangues rivais. A Polícia Civil e a Promotoria da Infância e da Juventude não fizeram as contas sobre quantos mortos essas guerras produziram. Existem apenas informações fragmentadas. Sabe-se que, em cinco anos, a disputa pelo tráfico no Chaparral, em Taguatinga Norte, fez 33 vítimas, sendo 16 mortos e 17 feridos. Pelo menos 10 pessoas (assassinadas ou feridas) eram inocentes.

A reportagem conversou nesta semana com moradores de São Sebastião e do Gama. Gente que direta ou indiretamente tem suas vidas marcadas pela violência. Ouviu histórias como a de Antônio*, ex-integrante de uma das gangues de São Sebastião. Ele tem 26 anos, mas parece bem mais. Não somente pelas marcas de expressão cravadas no rosto. Mas, principalmente, pela tristeza com que fala das escolhas que fez e pela absoluta falta de perspectiva de um futuro melhor.

Na porta de casa, de cócoras, ainda sob o impacto da morte de mais um jovem na noite anterior à entrevista, Antônio conversa com o Correio. Parece não ter coragem de desfiar parte da própria história olhando nos olhos de quem quer que seja. Os detalhes da vida dele se assemelham às de muitos garotos da região. ;Até hoje só dei desgosto para a minha mãe. Não tenho orgulho de nada do que eu fiz;, diz, olhando para lugar nenhum, como se revisitasse um passado que assombra.

Inspiradas nos garotos, as meninas também se organizam em gangues. A diversão? Provocar brigas. Para esses garotos e garotas, o número de crimes praticados é um passaporte para o reconhecimento e respeito dos demais. A fama de brigona não é adjetivo pejorativo. Soa como elogio. E a internet acaba usada como ferramenta de comunicação.

Desde o ano passado, a polícia concentrou as ações sobre tais grupos. Alguns deles estão desestruturados, seja pela prisão de seus integrantes ou pelo assassinato dos líderes por grupos rivais. Muitos deles ficaram pouco tempo atrás das grades e estão de volta às ruas impondo medo e silêncio aos vizinhos.

Oito cidades

O que existe de concreto sobre a ação criminosa desses grupos é um mapeamento elaborado pela Divisão de Inteligência da Polícia Civil. Sabe-se que existem sete gangues em São Sebastião, seis em Planaltina, duas em Taguatinga Norte e outras duas no Setor Sul do Gama. Mas é de conhecimento público a ocorrência de gangues em Ceilândia, no Plano Piloto, em Santa Maria e em Samambaia.

Orkut

O site de relacionamentos funciona como meio de comunicação entre as gangues de jovens. Virou instrumento para se marcarem brigas e trocar ameaças. A maioria das gangues mantém páginas onde publicam fotos de garotos e garotas armados e em pose de desafio.

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