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Correio Braziliense

Mais 48 convênios de pediatria são suspensos

Agora são 73 os planos de saúde que perderam vínculos com os médicos. Principal reclamação é com a dificuldade de negociação com as operadoras


postado em 31/08/2009 08:34 / atualizado em 31/08/2009 09:16

Os pacientes que procuraram ontem hospitais particulares no Distrito Federal receberam uma notícia nada agradável: mais 48 convênios de pediatria perderam a validade ontem. Planos como Gama Saúde e Mediservice se unem aos 25 cujos contratos não foram renovados na última sexta-feira, em consequência de desentendimento entre os médicos da cidade e empresas que administram planos de saúde. De acordo com a Sociedade Brasileira de Pediatria do Distrito Federal (SBP-DF), mesmo sabendo há seis meses da insatisfação dos médicos com os valores repassados pelos convênios, nenhuma das empresas administradoras de planos de saúde se movimentou para fazer acordo.

Até o final de novembro, serão 82 os contratos interrompidos. Hoje, o convênio da Assefaz deixa de valer para a pediatria de consultórios e hospitais como o Santa Lúcia, referência no atendimento de pediatria na cidade. Os próximos a perder a validade são Amil, que vai até 9 de setembro, e Bradesco, que não passa do dia 11. Em outubro, as pediatrias deixam de aceitar Golden Cross, Sul América, Slam e Cassi, que já não vale em alguns lugares, como o Hospital Santa Helena.



A funcionária pública Eunice Freire, 37 anos, ainda conseguiu atendimento para a filha Letícia, 7, ontem à tarde, mas já está preocupada com a possibilidade de ter de pagar pela consulta. “Vai ser muito ruim. Pago um plano caro, de R$ 530 mensais, para mim e minhas duas filhas e pediatria é o serviço que nós mais usamos”, comenta Eunice, que saiu de Santa Maria para a Asa Sul por causa de uma infecção urinária da filha.

O presidente da SBP-DF, Dennis Alexander, espera que a população entenda a iniciativa dos pediatras. “Nós dedicamos uma vida inteira de bons serviços prestados. Foram seis meses de avisos, inclusive com uma paralisação (1), mas as empresas nada fizeram e ainda nos trataram com escárnio”, reclama.

Segundo Alexander, algumas operadoras de plano de saúde chegaram a dizer que um médico do Plano Piloto poderia receber R$ 90 por consulta — como os pediatras exigem —, mas o mesmo não poderia ser pago para os profissionais que trabalham na “periferia”, que seriam menos capacitados. “Nossa relação com os convênios nunca foi boa. Os valores não são revistos há sete anos”, lamenta o pediatra.

Para que os convênios voltem a valer, pediatras e planos de saúde terão de firmar novos contratos, pois os médicos já pediram o descredenciamento do serviço. Contudo, ainda há possibilidade de entendimento com os planos. “O estado de espírito da categoria é de não mais negociar nada com as empresas de saúde e sermos autônomos e liberais, mas ainda existe a possibilidade de negociação”, avisa Alexander.

Pneumomia

A analista jurídica Hermínia Pfeilsticker, 42, acredita os planos de saúde vão ter de tomar uma atitude. “Deixar a situação chegar a esse ponto indica falta de consciência. Não falo por mim, que posso pagar por uma consulta, mas pelas pessoas que têm dificuldade para pagar plano de saúde e vão precisar gastar mais dinheiro”, protesta.

Ontem à tarde, Hermínia levou ao hospital a filha Giselle, 14, para investigar uma suspeita de pneumonia e se recusou a pagar pela consulta do pediatra. “Como ela já tem 14 anos, pudemos optar pelo atendimento de um clínico geral, que diagnosticou apenas uma sinusite”, comenta Hermínia.

De acordo com Dennis Alexander, presidente da SBP-DF, no que depender dos médicos está afastada a possibilidade de abertura de uma ação civil pública pela Defensoria Pública do DF contra hospitais e pediatras. O defensor público André de Moura Soares disse que se ficar comprovado que um paciente sofreu agravamento ou morreu em decorrência da falta de atendimento, o médico pode responder criminalmente por omissão de socorro. “Em caso da urgência médica, o paciente é atendido pelo pediatra ou em qualquer unidade de saúde”, garante Alexander.


1 - Protesto
Os pediatras chegaram a suspender as consultas aos conveniados em 13 de julho. Depois disso, a categoria começou a pedir o descredenciamento dos planos de saúde. O prazo de aviso prévio determinado pelo contrato entre os profissionais e as empresas varia entre 30 e 90 dias. Por isso, só neste mês começaram a deixar de ter validade alguns seguros.

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