O que ninguém sabe precisar é quem entrou no apartamento e cometeu o triplo homicídio. Nem se foi mais de uma pessoa e se ela ou elas tiveram ajuda de mais alguém. O mais provável é que ao menos um dos envolvidos seja conhecido de uma das vítimas, pois não havia marca de arrombamento no apartamento. Os investigadores desconfiam também que a faca de 15cm encontrada na cena do crime durante a primeira não seja a mesma usada para matar os Villela e a empregada. Os agentes acreditam que a faca, do tipo comum em uma cozinha, pode ter sido colocada lá para confundi-los.
[SAIBAMAIS]A primeira perícia começou a ser feita logo após o acionamento da Polícia Civil, na noite de segunda-feira, 31 de agosto. Policial federal, o homem que encontrou os corpos afirmou ter mantido o imóvel intacto até a chegada dos investigadores e peritos. O closet estava revirado quando os peritos entraram. Joias da família teriam sumido, mas dólares e travellers checks foram deixados no apartamento. Na porta de serviço, os policiais encontraram manchas de sangue.
Graças ao trabalho dos peritos, os investigadores têm quase certeza da sequência de mortes no apartamento. Relatório preliminar da perícia, divulgado na terça-feira, aponta que a empregada deve ter aberto a porta e sido a primeira vítima. Ela levou 22 facadas. O corpo estava no corredor próximo à cozinha. Ela foi morta por apenas uma pessoa, de acordo com os técnicos. Mas isso não descarta a possibilidade de José Guilherme e a mulher terem sido assassinados com a ajuda de outra pessoa. O advogado foi golpeado 38 vezes e o cadáver estava perto de Francisca. O corpo de Maria Villela, com 12 perfurações no tórax, foi encontrado na outra ponta do corredor, na entrada do closet, de onde teriam sido levadas as joias da família. A suposta arma do crime, a faca de 15cm, estava na pia da cozinha, manchada de sangue.
Chaves do imóvel
Se realmente as joias foram roubadas, tecnicamente trata-se de um latrocínio. No entanto, é cada vez mais remota a possibilidade de o latrocínio ter sido cometido por um assaltante comum. Na avaliação de agentes que atuam no caso, dificilmente um bandido decidiria praticar um assalto no fim da tarde de uma sexta-feira, horário de intensa movimentação no edifício ; o risco de ser visto é muito maior.
Por causa da ausência de marcas de arrombamento, quem entrou no apartamento tinha as chaves ou teve a porta aberta por algum dos moradores. Ao deixar o local do crime, o assassino também trancou o apartamento. Para isso, deu duas voltas na chave, mesmo a porta de serviço possuindo uma fechadura que não permite sua abertura pelo lado de fora.
À polícia, moradores e porteiros que trabalham no Bloco C disseram não ter visto qualquer movimento estranho na noite de 28 de agosto. Ninguém ouviu qualquer grito das vítimas durante a ação dos criminosos. Os investigadores ouviram uma testemunha que mora em um prédio vizinho. Além disso, câmeras de vídeo deste mesmo edifício registraram imagens de dois homens correndo, vindos da direção do Bloco C, mas não foi possível identificá-los.
Análise das contas
Nessa linha, na última quinta-feira, a polícia ouviu o depoimento de dois contadores de José Guilherme. O Correio apurou que os policiais quiseram informações sobre o patrimônio e a movimentação bancária recente do casal. Os investigadores também ouviram várias pessoas ligadas à família, além de parentes. Como revelou o Correio, a polícia já descobriu também que, ao contrário do que se pensava, José Guilherme e Maria não chegaram juntos ao apartamento no dia do crime. A mulher chegou primeiro, estacionou o carro na garagem e teria sido vista caminhado no pilotis do prédio e entrando na portaria 01/02. Depois, entre as 18h e as 19h, foi a vez do advogado. Os dois estavam sozinhos, o que descarta a hipótese de algum deles ter sido rendido antes de entrar em casa.