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Chuvas persistem há mais de 10 dias, em pleno período de seca no DF

Fim de agosto, começo de setembro, costuma ser sinônimo de tempo seco no Distrito Federal. Ou melhor, costumava. Desde o dia 22 do mês passado, Brasília vive, quem diria, um período chuvoso. A preciptação desta segunda-feira (7/9) em algumas cidades do DF teve direito a temporais em áreas isoladas, ventania e queda de granizo, o que é mais raro ainda nesta época do ano.

[SAIBAMAIS]De quem é a culpa desse clima atípico para o inverno no planalto central? Do fenômeno El Niño? Ou do La Niña? Na verdade, dos dois. É o que explica o meteorologista-chefe do Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet), Luiz Cavalcanti. Segundo ele, o Oceano Pacífico passa atualmente por uma mudança temperatura, devido a transição do El Niño para o La Niña. Ou seja, sai de um período de resfriamento das águas para um de aquecimento. "Essa mudança altera a circulação de ventos na atmosfera", explica Cavalcanti.

Segundo o Inmet, as chuvas no DF devem durar até a próxima quinta-feira. Até lá, o ar seco costumeiro do inverno dá lugar a um bom índice de umidade relativa do ar, entre 95% a 45%. O tempo continua de nublado a encoberto, com pancadas de chuvas e trovoadas isoladas. A temperatura máxima não deve ultrapassar os 28;. Mas enquanto uns comemoram o clima ameno, outros contabilizam os prejuízos.

Estragos
Pancadas de chuvas, provocadas por áreas de instabilidades, causam transtornos neste feriado de 7 de Setembro. As regiões mais atingidas foram Ceilândia, Sobradinho II, Fercal e Grande Colorado, onde a força das águas e dos ventos alagou casas, arrancou telhados e derrubou muros e postes de energia. Em Samambaia e Recanto das Emas, os ventos chegaram a 43km/h, de acordo com o Inmet.

No Condomínio Jardim América II, o bombeiro militar Telmo Cavalcante, 39 anos, precisou acionar a Defesa Civil na manhã desta terça-feira (8/9). A residência é vizinha às obras de duplicação da DF-150, paralisadas há cerca de um mês. Como a construção foi paralisada antes de concluir a parte de captação da água pluvial, com a forte chuva de ontem, a terra depositada no local para elevar o nível da futura pavimentação asfáltica foi arremessada nos fundos da casa de Telmo e derrubou o muro.

Agentes do Departamento de Estradas e Rodagens (DER-DF), estiveram no local do incidente. Eles garantiram que vão reconstruir o muro até o fim da semana. O DER tem autorização, desde a semana passada, para trabalhar nos pontos mais críticos da duplicação da DF-150, enquanto aguarda uma licença ambiental para concluir a obra. Técnicos informaram que vão tentar recuperar o sistema de canalização, para que, nas próximas chuvas, a água possa escoar sem atingir residências. (Com informações de Elisa Tecles)