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Correio Braziliense

Desemprego cai no Plano Piloto

No centro da capital federal, a queda foi de 12,8%. Nas cidades ao redor, a taxa chegou ter crescimento de até 5%


postado em 09/09/2009 08:00 / atualizado em 09/09/2009 00:32

O desemprego em 2009 está sendo puxado por uma dificuldade exclusiva dos moradores das cidades do Distrito Federal em conseguir trabalho. No Plano Piloto, a desocupação está em queda desde o início do ano. O índice geral da capital do país passou de 15,4% para 15,9% da População Economicamente Ativa (PEA) (1)de dezembro de 2008 a julho deste ano — 3,2% a mais. Mas o incremento na taxa de desemprego foi apenas fora de Brasília. Nas regiões administrativas com rendimentos mais baixos, ocorreu um aumento de 3,9% desde o início do ano, e naquelas com renda intermediária, a elevação foi ainda mais considerável no período — 5% (veja quadro). Em contrapartida, a taxa que mede a desocupação entre os moradores do Plano Piloto teve uma diminuição expressiva. Desde dezembro, o nível de desemprego caiu 12,8%. O levantamento foi elaborado a partir dos dados da Pesquisa de Emprego e Desemprego, realizada pelo Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese).

A explicação para a elevação nas cidades está no constante crescimento da PEA nesses locais. É cada vez maior o número de pessoas disponíveis para o trabalho. Somente neste ano, 13 mil moradores das cidades do grupo 2 (Gama, Taguatinga, Sobradinho, Planaltina, Núcleo Bandeirante, Guará, Cruzeiro, Candangolândia e Riacho Fundo) passaram a buscar um posto de trabalho. A PEA soma 605 mil indivíduos, sendo 88 mil desempregados. No grupo 3 (Brazlândia, Ceilândia, Samambaia, Paranoá, São Sebastião, Santa Maria e Recanto das Emas), foram 7 mil a mais e já são 121 mil desempregados dentro do total de 644 mil pessoas que compõem a PEA.

Descompasso
Com uma demanda cada vez maior e uma oferta em um ritmo bem inferior, o desemprego inevitavelmente cresce. No fim do ano passado, 13,9% da PEA das cidades do DF com renda intermediária estavam procurando emprego. Neste ano, o índice saltou para 14,6%. Nas cidades mais carentes, a taxa passou de 18,1% para 18,8%. “A geração de postos de trabalho neste ano não se deu em montante suficiente para absorver as pessoas que entraram no mercado de trabalho. O aumento da PEA nas cidades é muito intenso, as famílias são maiores e todos os membros precisam trabalhar para ajudar no sustento da casa”, explica o economista do Dieese, Tiago Oliveira.

A pesquisa do Dieese engloba as asas e os lagos Sul e Norte, além de 16 cidades do DF. A Estrutural não entra no levantamento, mas lá o desemprego é um dos maiores do DF. Pelo menos é o que sente na pele o pedreiro Hélio da Costa, 41 anos, que perdeu o emprego em junho último. A demissão veio depois de trabalhar por 10 meses na pavimentação de ruas da Estrutural, onde mora de favor na casa de um amigo. Tirava R$ 740 por mês. Nos últimos três meses, o piauiense de São Raimundo Nonato viu algumas portas se fecharem. Em uma empresa do Setor de Indústrias e Abastecimento (SIA), diz que sofreu preconceito. “Falaram que não tinham emprego pra gente da Estrutural, porque lá só tinha malandro”, conta. “Fiquei desajeitado e fui embora. Vou fazer o quê? Não pude fazer nada. Os empresários que são os donos, eles ficham quem eles querem”, completa.

Concursos
Enquanto o número de pessoas em busca de uma vaga cresce nas cidades ao redor do centro da capital, no Plano Piloto, há uma redução. A PEA das asas e dos lagos Sul e Norte passou de 131 mil trabalhadores para 128 mil desde o fim de 2008. Uma das explicações pode ser o aumento do número de pessoas estudando para concursos. Com uma renda mais elevada no Plano — em média, o dobro do valor registrado entre os moradores do Grupo 2 e quatro vezes superior ao do Grupo 3 — boa parte dos adultos pode ficar apenas estudando, sem procurar emprego, o que os exclui da PEA.

1 - PEA
População Economicamente Ativa é a parcela da sociedade (com 10 anos e mais) que está ocupada ou desempregada. A última Pesquisa de Emprego e Desemprego, referente a julho, aponta que são 1,378 milhão de pessoas em todo o Distrito Federal.

 

O pedreiro Hélio da Costa vive na Estrutural e há três meses está desempregado. Atribui sua situação ao preconceito contra os moradores do bairro(foto: Daniel Ferreira/CB/D.A.Press )
O pedreiro Hélio da Costa vive na Estrutural e há três meses está desempregado. Atribui sua situação ao preconceito contra os moradores do bairro (foto: Daniel Ferreira/CB/D.A.Press )
 

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