Jornal Correio Braziliense

Cidades

Laudo fala em crime sem chance de defesa e crueldade

Exame de corpo de delito, obtido com exclusividade pelo Correio, revela que "houve extrema crueldade na execução" das vítimas

O laudo do exame de corpo de delito do Instituto de Medicina Legal (IML) realizado nos corpos de José Guilherme Villela, 73 anos, Maria Carvalho Mendes Villela, 69, e Francisca Nascimento da Silva, 58, comprova que os três não tiveram chance de reagir ao ataque. As perfurações atingiram somente o peito e as costas das vítimas. O exame cadavérico não revelou qualquer marca nos braços e nas mãos de ambos. O resultado também reforça a hipótese de que havia uma cúmplice, que teria rendido as vítimas, para que o assassino pudesse esfaqueá-las. A polícia corrobora essa última hipótese ao admitir a possibilidade de os criminosos terem utilizado mais de uma faca para realizar o triplo homicídio.

O laudo obtido com exclusividade pelo Correio deixa claro que a pessoa que orquestrou o crime não foi ao apartamento dos Villela somente para roubar, conforme suspeitou a polícia no início das investigações.O documento revela, com base nas lesões dos cadáveres, que a intenção era mesmo matar os moradores do apartamento 601/602 do Bloco C da 113 Sul. Algumas vítimas apresentavam marcas com maior diâmetro, o que sugere que a faca entrou com mais força. As joias teriam sido levadas para confundir a investigação policial, que chegou a supor que se tratava de latrocínio (roubo seguido de morte). A constatação veio no item cinco do documento, em que os peritos são categóricos ao afirmar que as múltiplas lesões permitem considerar que houve crueldade na execução das mesmas;.

A forma como as três pessoas foram mortas aproxima também os investigadores da tese de que o triplo assassinato teve a participação de alguém muito próximo ao casal de advogados. A causa da morte foi a mesma para as três vítimas: ;choque hipovolêmico(1), devido à ação do instrumento pérfuro-cortante;. José Guilherme, a mulher e a empregada levaram juntos 72 facadas. O corpo do advogado foi o primeiro a ser examinado. Ele foi quem mais recebeu facadas: 38 no total, de acordo com o IML.

Mesma força
[SAIBAMAIS]A necropsia em José Guilherme ocorreu às 8h30 de 1; de setembro. A vítima apresentava 24 feridas no tórax, das quais, nove na parte direita, com 3,5cm de diâmetro. Na outra parte do peito, as 15 perfurações tinham um diâmetro maior, cerca de 4cm. O agressor ainda teve tempo de atingir o ombro esquerdo duas vezes. De acordo com o laudo, os ferimentos tinham 3,5cm de diâmetro. Em seguida, foram desferidas doze facadas nas costas. Na avaliação dos legistas, o autor do crime parece ter imprimido a mesma força, pois as feridas perfuro-incisivas também tinham 3cm de diâmetro, como as verificadas no peito.

A segunda necropsia ocorreu no mesmo dia e foi na empregada Francisca Nascimento da Silva, 58 anos Ela também foi morta com requinte de crueldade. Ela recebeu 22 marcas nas costas. Uma delas chegou a atravessar o lado esquerdo, na altura da barriga. Em sua maioria, as perfurações tinham 2cm de largura. O cadáver da advogada Maria Carvalho foi o último periciado. Ela foi atingida com 12 facadas que lesionaram o abdômen e o tórax. A maioria com dimensão de 2cm.

1 - Choque
O choque hipovolêmico faz com que o coração seja incapaz de fornecer sangue suficiente para o corpo devido à perda dele, do distúrbio circulatório ou do volume sanguíneo inadequado. A causa é sempre um tipo de sangramento.