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Correio Braziliense CONSTRUÇÃO

Custo de moradia dispara em Brasília

Gastos com mão de obra e materiais de construção subiram 4,02% e 8,08% nos últimos 12 meses, índices muito superiores à inflação do período. Apesar da alta nos preços, mercado continua aquecido, com boas vendas especialmente para casas populares


postado em 11/09/2009 08:07 / atualizado em 11/09/2009 10:53

Os custos para construir ou reformar um imóvel no Distrito Federal subiram acima da inflação nos últimos meses, o que não impediu a população de começar as obras. Os gastos com mão de obra e materiais de construção ficaram 4,02% mais elevados desde o início do ano e 8,08% nos últimos 12 meses, pelos números do Índice Nacional da Construção Civil (1)(Sinapi) divulgados ontem pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Em agosto, o m² médio do DF era de R$ 729,79, acima da média nacional, que ficou em R$ 706,36 — apenas cinco estados têm valores mais elevados: Rio de Janeiro (R$ 789,31), Roraima (R$ 788,30), São Paulo (R$ 780,82), Amazonas (R$ 750,89) e Acre (R$ 748,48). Para os mesmos períodos, a inflação na capital do país foi de 2,90% e 4,82%, respectivamente, segundo o Índice de Preços ao Consumidor Semanal (2)(IPC-S), da Fundação Getulio Vargas (FGV). Mas quem sentiu mais a variação foram os brasilienses que investiram em produtos de melhor qualidade.

Casa em reforma na Fercal: impacto foi menor para os brasilienses de baixa renda(foto: Iano Andrade/CB/D.A Press - 28/1/08)
Casa em reforma na Fercal: impacto foi menor para os brasilienses de baixa renda (foto: Iano Andrade/CB/D.A Press - 28/1/08)
Os valores necessários para a construção de imóveis populares sofreram reajustes menores do que a média verificada na cidade. O m² de uma casa popular de um pavimento, com varanda, sala, dois quartos, área de circulação, banheiro e cozinha, construída com produtos de acabamento inferior, está R$ 445,14, 2,20% mais que no fim do ano, e 5,60% acima do valor cobrado há 12 meses. A variação menos intensa incentivou os brasilienses de menor renda a iniciar as obras. Um estudo feito pela Companhia de Planejamento do DF (Codeplan) — Pesquisa Domiciliar Socioeconômica do DF (3)— mostra que, nos domicílios mais pobres do DF — representam 10% da população local —, as reformas foram ou estão sendo feitas. Em Sobradinho II, 67,2% das casas passaram por mudanças. No Varjão, 57,0% delas também foram reparadas. Atualmente, 19,3% dos lares do Itapuã estão em reforma.

Pesquisa
E as obras devem continuar. A pesquisa da Codeplan mostra que, nas 15 cidades ana-lisadas, a necessidade de reformas passa de 24%. Em algumas, chega a 66,4% dos domicílios questionados, caso verificado na Estrutural. Os profissionais do setor comemoram. A construção civil se tornou o empregador que mais gera vagas na iniciativa privada. Somente em julho deste ano foram criados 4 mil postos de trabalho no setor, segundo a Pesquisa de Emprego e Desemprego do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese). Nos últimos 12 meses, já são 12 mil empregos.

Os empresários que comercializam material de construção também comemoram. “Brasília é, hoje, um canteiro de obras, a cidade não para de crescer. As vendas estão muito boas e o que ajudou foi o aumento de renda, a redução do IPI, e um otimismo, já que a crise aqui foi sentida de forma superficial”, afirma o presidente do Sindicato do Comércio Varejista de Materiais de Construção do DF (Sindmac), Cecin Sarkis. “Além disso, com os juros baixos, as pessoas estão preferindo investir em suas casas do que deixar o dinheiro rendendo na poupança”, acrescenta.

Divisão dos custos
Dos R$ 729,78 gastos, em média, para construir um m², R$ 446,73 se referem aos custos com materiais, que, acumulam um incremento nos últimos 12 meses de 8,79%, mas tiveram um alívio desde março, com a diminuição da carga tributária. Neste ano, o acréscimo foi de 1,98%. Já a mão de obra responde por R$ 283,05 no preço final. O aumento foi mais intenso em 2009 do que no acumulado de 12 meses — 7,40% e 6,98% —, uma vez que o reajuste da categoria foi dado em maio. Os salários cobrados tiveram um acréscimo de 6,5%, segundo o Sindicato dos Trabalhadores da Construção Civil do DF. O piso salarial atual é de R$ 501,60, para serventes, e R$ 778,80 para pedreiros, serralheiros, bombeiros e eletricistas. “A atividade da construção civil está muito intensa, a demanda está muito alta, o que permitiu os aumentos de salários”, analisa o coordenador do Sinapi, Oreval Alves, técnico do IBGE.

1 - Custos da construção
Criado em 1969, o Sinapi tem como objetivo a produção de informações de custos e índices com abrangência nacional, visando à elaboração e avaliação de orçamentos, além do acompanhamento de custos. Em 2002, o Congresso Nacional aprovou através da Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO) a adoção do Sinapi como referência para delimitação dos custos de execução de obras públicas.

2 - Inflação
O Índice de Preços ao Consumidor Semanal (IPC-S) é calculado pela Fundação Getulio Vargas e mede a variação de preços em Brasília e em seis regiões metropolitanas. São pesquisados semanalmente os valores de 450 produtos e serviços, agrupados em sete classes de despesas. Os pesos atribuídos a estes itens espelham as despesas das famílias com renda mensal de até 33 salários mínimos.

3 - Radiografia do DF
A Pesquisa Domiciliar Socioeconômica foi realizada em 15 regiões administrativas do DF de menor poder aquisitivo: têm renda mensal de até dois salários mínimos per capita e consomem, no máximo, 80 Kw/mês de energia elétrica. A pesquisa aborda questões relativas aos domicílios, inventário de bens, serviços domiciliares e benefícios sociais.

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