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Correio Braziliense CRIME DA 113 SUL

Sigilo telefônico quebrado

A polícia aguarda a lista com todas as ligações feitas e recebidas pelos Villela. Quer saber se eles sofreram ameaças


postado em 23/09/2009 07:00

(foto: Fotos: Gustavo Moreno/CB/D.A Press )
(foto: Fotos: Gustavo Moreno/CB/D.A Press )
A Justiça autorizou a abertura do sigilo telefônico do casal de advogados José Guilherme Villela, 73 anos, e Maria Carvalho Mendes Villela, 69, assassinado em 28 de agosto em seu apartamento no Bloco C da 113 Sul. O pedido foi feito pela polícia no início das investigações, mas o deferimento só ocorreu há cerca de 10 dias. Porém, a relação das últimas ligações feitas e recebidas pelas vítimas — tanto dos aparelhos celulares quanto dos telefones instalados no escritório e no imóvel residencial — ainda não chegou às mãos da delegada-chefe da 1ª Delegacia de Polícia, Martha Vargas. A principal empregada dos

Villela, Francisca Nascimento da Silva, 58, também foi morta no dia 28. A polícia não confirmou se solicitou a quebra do segredo dos telefonemas da doméstica.

Abrir o sigilo telefônico é de fundamental importância para as investigações, conforme disse uma fonte policial ao Correio. “Por meio das últimas ligações, dá para saber com quem os dois falavam e, se for o caso, se haviam sofrido algum tipo de ameaça”, explicou o agente. Perguntada sobre a relação à lista de chamadas, a delegada Martha Vargas, se limitou a informar: “Não tenho nada ainda”.

Tanto José Guilherme quanto Maria tinham celular, embora o marido o utilizasse com mais frequência. Uma fonte comentou que a mulher do ministro aposentado do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) não conversava muito pelo aparelho de telefonia móvel — preferia o e-mail para falar com os amigos e até com os funcionários do escritório de advocacia do qual ela e o marido eram donos.

Compareceram ontem à 1ª Delegacia (Asa Sul) Adriana Villela, a faxineira Guiomar (de lenço) e Maria da Silva (D), irmã da doméstica assassinada
Compareceram ontem à 1ª Delegacia (Asa Sul) Adriana Villela, a faxineira Guiomar (de lenço) e Maria da Silva (D), irmã da doméstica assassinada
A delegada Martha Vargas tem concentrado as investigações na rotina dos Villela. Ontem, recebeu novamente a visita da filha do casal, Adriana. Ela chegou à 1ª DP por volta das 16h acompanhada da faxineira do apartamento das vítimas, conhecida apenas por Guiomar. As duas saíram após duas horas.

Chaves
A única a prestar esclarecimentos foi Guiomar. Um dos questionamentos feitos pela delegada foi sobre as chaves do imóvel. O advogado costumava sair e chegar pelo elevador de serviço. No dia em que foram encontrados os corpos, policiais acharam somente as chaves de Francisca, que estavam na cabeceira da cama dela. Fora o casal, ela era a única que tinha as chaves do imóvel. Segundo um dos investigadores, Guiomar contou que raramente encontrava o patrão, pois costumava sair antes de ele voltar para casa vindo do trabalho.

A polícia também ouviu a irmã da empregada Francisca. Maria Nascimento da Silva chegou por volta das 18h15 e saiu às 21h. Embora tenha ficado mais tempo que Guiomar, informou que foi à 1ªDP apenas para resolver problemas particulares. Mas uma fonte garantiu que Maria estava arrolada no processo como testemunha. A reportagem perguntou a Martha Vargas se queria saber mais sobre a rotina de Francisca, por intermédio da irmã, mas a delegada foi categórica: “Dela, eu já conheço tudo”.

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