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Correio Braziliense INSTITUIÇÕES FINANCEIRAS

Bancários do DF entram em greve por tempo indeterminado

Após rejeitar a proposta de reajuste salarial de 4,5% feita pela Federação dos Bancos, funcionários de instituições públicas e privadas decidem paralisar as atividades. Sindicato prevê a adesão de 10 mil trabalhadores ao movimento


postado em 24/09/2009 09:30 / atualizado em 24/09/2009 12:54

Os bancários do Distrito Federal decidiram entrar em greve por tempo indeterminado a partir de hoje. Funcionários de instituições públicas e privadas rejeitaram ontem em assembleia a proposta de reajuste salarial encaminhada pela federação dos bancos (Fenaban) na semana passada. O sindicato que representa os trabalhadores estima que a adesão neste primeiro dia de protesto ficará em torno de 50%. No DF, a categoria chega a cerca de 20 mil pessoas.

Em assembleia, ontem à noite, os trabalhadores aprovaram a proposta de paralisação(foto: Pedro França/Esp. CB/D.A Press)
Em assembleia, ontem à noite, os trabalhadores aprovaram a proposta de paralisação (foto: Pedro França/Esp. CB/D.A Press)
Por causa da paralisação, parte dos serviços prestados nas agências tende a ser prejudicada. Os clientes precisam tomar cuidados para evitar transtornos e o pagamento de multas por atraso na quitação de contas próximas do vencimento (veja quadro). Os funcionários esperam que o ato obrigue os bancos a reabrir o diálogo. “Infelizmente, a linguagem que eles entendem é a da greve”, disse Carlos Cordeiro, presidente da Confederação Nacional dos Trabalhadores do Ramo Financeiro (Contraf). A Fenaban não se pronunciou.

A proposta apresentada pelos banqueiros prevê reajuste de 4,5%, participação nos lucros e resultados (PLR) de 1,5 salário reajustado — limitado a R$ 10 mil e a 4% do lucro líquido de 2009 —, sendo que as empresas que amargarem prejuízo neste ano não pagariam a PLR. Os bancários reivindicam aumento de 10%, PLR de três salários mais R$ 3.850, a atualização dos valores do auxílio-refeição e do auxílio-creche, ampliação da licença-maternidade para seis meses e a criação de planos de previdência complementar.

Além do DF, trabalhadores de Belo Horizonte (MG), Rio de Janeiro (RJ), São Paulo (SP), Curitiba (PR), Florianópolis (SC), Porto Alegre (RS), Ceará, Acre, Rondônia, Espírito Santo e Piauí também aderiram à paralisação. Em todo o país, existem aproximadamente 450 mil bancários e 20 mil agências. Na capital paulista e em Brasília, haverá piquetes na porta dos pontos de atendimento que ficam nas zonas centrais e que, em geral, são os mais movimentados.

Correios
Em greve desde a semana passada, os funcionários dos Correios têm hoje um dia decisivo. Convocados pelo Tribunal Superior do Trabalho (TST), diretores da estatal e representantes dos trabalhadores vão tentar por fim ao impasse. A audiência de conciliação está marcada para acontecer pela manhã. A proposta feita pelos Correios — recusada pelos funcionários — prevê reajuste imediato de 9%, aumento linear de R$ 100 e atualização dos valores do tíquete-alimentação. Os empregados reivindicam aumento linear de R$ 300, mais contratações e a garantia de reajuste em 2009 e 2010. Os Correios anunciaram que vão descontar os dias parados.

Até ontem, 46,7 milhões de correspondências e 392 mil encomendas registravam algum tipo de atraso. Bahia, Maranhão, Mato Grosso do Sul, Rio de Janeiro, Rio Grande do Norte, Santa Maria (RS), Bauru, Ribeirão Preto e Santos (SP) e Juiz de Fora (MG) já anunciaram a volta ao trabalho. Em assembleia, os funcionários dos Correios no DF decidiram manter a paralisação.

A VIDA SEM BANCO

Paralisação exige do consumidor atenção redobrada. Alguns serviços financeiros são prejudicados

Pagamento de contas
Pode ser feito pela internet, telefone ou caixa eletrônico. Faturas de água e energia elétrica, por exemplo, são aceitas em casas lotéricas

Depósitos
Só nas agências que possuem autoatendimento. Não há garantias de que o serviço será prestado no tempo normal

Compensação de cheques
Fica mais lenta

Saques
Dependendo do limite, o cliente tem como opção o caixa eletrônico

Reclamações
Centrais de atendimento continuam funcionando. O Procon e o Ministério Público também podem ser acionados pelos correntistas que se sentirem prejudicados

Adesão nunca é 100%
O cliente deve se informar logo nas primeiras horas do dia sobre as agências que, apesar da greve, não fecharam as portas ao público

Último caso
Pedidos de parcelamento, isenção de multa e juros devem ser solicitados às empresas responsáveis pelo produto ou serviço, não aos bancos

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