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Correio Braziliense VIOLÊNCIA

Entorno tem um assassinato por dia

De 1º de janeiro a 31 de agosto, foram registrados 248 casos de homicídio em sete municípios goianos ao redor do DF. O número cresceu 12% em comparação ao mesmo período de 2008. Luziânia lidera as estatísticas, com 54 mortes


postado em 26/09/2009 08:06 / atualizado em 26/09/2009 08:18

Para cada um dos 242 dias passados entre 1º de janeiro e 31 de agosto deste ano, pelo menos uma pessoa morreu assassinada no Entorno. Levantamento feito pela Secretaria de Segurança Pública de Goiás, e obtido com exclusividade pelo Correio, mostra que a violência ainda assusta moradores de municípios goianos ao redor da capital federal. Ocorrências registradas pela Polícia Civil em sete cidades apontam que os homicídios cresceram, em média, 12% na região em 2009, em comparação com o mesmo período de 2008. A criminalidade, considerando crimes como estupro, roubos e sequestro, também aumentou em quatro dos sete municípios pesquisados.

Entre janeiro e agosto do ano passado, 221 pessoas foram assassinadas em Luziânia, Novo Gama, Valparaíso, Santo Antônio do Descoberto, Planaltina, Formosa e Águas Lindas. No mesmo período de 2009, foram 248. A campeã de mortes violentas é Luziânia, com 54 casos em oito meses. Mas há cidades onde a evolução dos assassinatos impressiona. Em Valparaíso, por exemplo, o número de homicídios subiu de 27 para 40 — um aumento de 48%. No Novo Gama, a situação é ainda mais grave: o crime cresceu 90% — de 20 mortes para 48.

As únicas cidades que escaparam da escalada de assassinatos foram Águas Lindas (o índice caiu 35%) e Formosa (permaneceu com 25 mortes). Nas demais, houve aumento dos crimes contra a vida. Casos de estupros, sequestros e roubos também aparecem em alta. As ocorrências caíram em Planaltina, Formosa e Águas Lindas, mas cresceram em Luziânia (64%), Santo Antônio do Descoberto (41%), Novo Gama (23%) e Valparaíso (23%). Depois dos assassinatos, o crime que mais preocupa é o roubo a pedestre: em todos os dias de 2009, 15 pessoas foram assaltadas a mão armada no Entorno (veja arte).

Filhos mortos
Por trás de tantos números, há histórias de famílias que tentam se reerguer depois de atingidas pela violência. É o caso de Maria Costa dos Santos, moradora de Luziânia, que perdeu dois filhos para a criminalidade. O primeiro desapareceu em 1999 durante a transferência de Goiânia, onde estava preso, para Anápolis. Maria nunca mais teve notícias do filho e, 10 anos depois, ela tenta conviver com mais uma tragédia: o filho caçula, de 17 anos, foi assassinado no último dia 4, depois de se envolver em uma briga. “Meu filho era um menino bom, evangélico. Começou a trabalhar aos 16 anos e nunca foi de bandidagem”, diz a mãe.

O secretário de Segurança Pública de Goiás, Ernesto Guimarães Roller, foi procurado pela reportagem, mas não quis se manifestar.

Agentes insuficientes
O presidente do Sindicato dos Policiais Civis de Goiás, Silveira Alves de Moura, relaciona o crescimento dos crimes à falta de estrutura da polícia goiana. Segundo ele, em 2008, 150 mil ocorrências foram registradas em todo o estado e apenas 20 mil delas se transformaram em inquérito policial. Desses, apenas 4 mil foram enviados para a Justiça, sendo que 2,5 mil deles foram por prisão em flagrante. Assim, a polícia de Goiás solucionou com investigação apenas 1% (1,5 mil ocorrências) dos casos que chegaram às delegacias.

A polícia goiana conta com 3.350 homens, sendo que apenas 260 estão nas cidades do Entorno. Pelos cálculos do sindicato, seriam necessários 6.252 agentes no estado e pelo menos mil nos municípios vizinhos ao DF. O delegado responsável pelo Centro Integrado de Operações de Segurança (Ciops) do Novo Gama, Fabiano Medeiros de Souza, confirma a falta de pessoal(1), mas diz que isso não está relacionado ao aumento das ocorrências.

De acordo com ele, a maioria dos assassinatos da cidade são de jovens envolvidos com o tráfico de drogas. “A Polícia Civil não ter estrutura atrapalha as investigações, mas se tivesse não impediria a ocorrência do crime”, defende.


Sem estrutura
No Ciops do Novo Gama, onde foram registradas 303 ocorrências de crimes graves entre janeiro e agosto de 2009, trabalham no setor de investigação apenas o delegado, quatro agentes e um escrivão. Assim, a maioria dos crimes fica sem solução. A criminalidade na cidade cresceu 23% entre 2008 e 2009.

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