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Correio Braziliense ALERTA

Leishmaniose expande área de alcance

Com morte de moradora do Lago Norte, Secretaria de Saúde admite: Sobradinho e Varjão não são mais os únicos locais preocupantes


postado em 07/11/2009 08:10 / atualizado em 07/11/2009 08:29

A Secretaria de Saúde detectou um aumento da incidência de leishmaniose em regiões diferentes do Distrito Federal. Nos anos anteriores, os casos se concentravam apenas em Sobradinho e em uma pequena parte no Varjão. Foi assim em 2008, que registrou cinco casos na primeira cidade e um na outra. Porém, em outubro último, uma mulher morreu infectada pela doença no Lago Norte, caso confirmado na quinta-feira pela secretaria. Foi o primeiro óbito provocado pela enfermidade neste ano. Somente em 2009, seis pessoas pegaram a doença dentro do DF. Outras 40 a contraíram fora daqui, mas vivem em Brasília. “A área de alcance da doença se expandiu. É possível afirmar isso com esse novo caso de contágio humano”, garantiu a subsecretária de Vigilância à Saúde, Disney Antezana.

Antezana admite que não existem medidas de controle efetivo para coibir a proliferação do mosquito transmissor da leishmaniose. O contágio da doença ocorre da seguinte maneira: o mosquito pica um cachorro, que é o reservatório epidemiológico da leishmania. Em seguida, o inseto pode infectar o ser humano. “Ao contrário do que muita gente imagina, não é o cachorro que passa leishmaniose para o homem”, esclarece Antezana.



Mesmo diante da primeira morte pela doença em 2009, a Secretaria de Saúde não pretende pulverizar inseticida para matar o Lutzomia longipalpis, transmissor da enfermidade. “O uso de inseticidas faz efeito apenas em algumas situações. Vamos pulverizar veneno apenas na casa onde a vítima morava, no Lago Norte”, define a subsecretária. O governo pretende elaborar campanhas de prevenção à doença. “Faremos novamente o levantamento dos cães infectados”, avisa.

Em 2008, 1.093 cachorros foram diagnosticados com a doença no Lago Norte. A instrução da secretaria era para que todos fossem sacrificados. Os animais podem não apresentar sintomas e, mesmo assim, portar a leishmaniose. Quando a doença fica aparente, as unhas do cachorro crescem muito, ocorre falta de apetite e úlcera. No ser humano, a enfermidade se manifesta por meio do inchaço das víceras, o que ocasiona o crescimento da barriga, e febre alta persistente por mais de três semanas. O primeiro caso da doença no DF foi registrado em 2005. De lá para cá, houve mais 22, com duas mortes: uma em 2006 e a outra em outubro último.

Precaução
É preciso evitar o acúmulo de material orgânico como folhas secas, madeira e restos de comida, pois é isso que atrai o mosquito. E a vacina é a única forma de proteção. “A aplicação deve ser feita de 20 em 20 dias em uma clínica veterinária, após a realização de exame que detecta a doença. A dose custa entre R$ 85 e R$ 100”, relata a veterinária Ilce Barreto.

Os moradores do Lago Norte estão preocupados. Wesley Oliveira Cavalcante, 23 anos, é adestrador de cães no bairro. Ele conta que seus clientes sempre o questionam a respeito de como evitar a contaminação do animal. “Recomendo que os donos de cães procurem fazer exames rotineiros no veterinário e mantenham o ambiente de casa limpo”, disse.

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