Publicidade

Correio Braziliense

Motoristas sofrem com o inchaço da frota


postado em 08/11/2009 08:39 / atualizado em 08/11/2009 08:48

O impacto do inchaço da frota de veículos aparece nos engarrafamentos, na falta de estacionamento, na piora da qualidade do ar e da poluição sonora. Atualmente existem pelo menos 28 pontos congestionamento (veja arte) no Distrito Federal. Há sete anos, eram apenas quatro, conforme publicou o Correio em reportagem sobre o mesmo tema na época. Na última semana, a reportagem percorreu de carro e de helicóptero alguns desses trechos e conversou com motoristas. E a maioria deles está descrente quanto a alguma solução para o problema.

A pedido do Correio, a diretoria de Segurança no Trânsito do Detran e a Secretaria de Transportes levantaram os locais onde ocorrem os principais pontos de lentidão. Do helicóptero — cedido pela Polícia Militar — dá para se ter uma real ideia do que ocorre nas pistas. Mas é do asfalto que se percebe como a lentidão do trânsito irrita quem está ao volante. Buzinas, freadas ou arrancadas bruscas e até palavrões.

De todos os locais percorridos, sem dúvida os dois piores são a EPTG — da Superquadra Brasília até o SIA — e ao longo da BR-020, entre Sobradinho e o Plano Piloto. Na última sexta-feira, às 8h10, todas as vias de saída do Guará I para a EPTG, sentido Plano Piloto, estavam abarrotadas de carros, ônibus e motos. A imagem se repetiu na BR-020. Nesses dois lugares, o trânsito chega a parar.

Entre as áreas sobrevoadas pela reportagem estão a BR-040, na divisa com Valparaíso. No local o trânsito fica lento na altura da barreira de fiscalização de cargas. Sem ter espaço suficiente para os caminhões, alguns param ao longo da via, prejudicando o tráfego. O motorista que deixa o Gama, sentido Brasília, precisa ter paciência na altura do Balão do Periquito.



Na Estrutural, nas primeiras horas da manhã, as seis faixas de rolamento sentido Plano Piloto são insuficientes para dar vazão a tantos carros. Já no Eixo Monumental a situação se complica na altura da Catedral Rainha da Paz e depois da saída do Sudoeste até o Tribunal de Justiça do Distrito Federal e Territórios (veja arte). Diretor de Segurança no Trânsito do Detran, Deverson Littieri enumera os esforços do governo e também o que a população pode fazer para reduzir os transtornos. “Sair mais cedo de casa, procurar caminhos alternativos, dirigir com paciência e evitar a troca constante de faixas são formas de ajudar”, diz.

Sem esperança
Morador do Gama, o motorista autônomo Geraldo Barbosa, 53 anos, trabalha há seis anos no comércio da região do Balão da Esaf, no Jardim Botânico. De dentro do caminhão, ele observa o vaivém dos carros e fica abismado com o aumento de veículos naquela região. “Piorou muito de dois anos para cá. Eu não vejo solução para isso, não. Está todo mundo comprando carro e ninguém quer saber de andar de ônibus”, diz.


Para o governo, as obras de ampliação da malha viária e construção dos viadutos — em praticamente todos os pontos de retenção nas rodovias há máquinas trabalhando — vão desafogar o trânsito. Mas o secretário de Transportes, Alberto Fraga, diz que é preciso paciência até que o Brasília Integrada seja implantado. “Vamos entregar parte do VLT em setembro do ano que vem e, até o fim do mandato, serão 250km de ciclovia. Parece pouco, mas quando assumimos não tinha um quilômetro sequer”, ressaltou.

Mestre em engenharia de Transportes, José Lelis de Souza defende que qualquer política de trânsito e transportes deve priorizar a mobilidade de massa. Segundo ele, quando se tenta dar soluções de congestionamento por meio da engenharia de tráfico, os gargalos diminuem. “Mas cinco anos depois, as vias estão entupidas de novo. É preciso reformular o transporte público. Os ônibus têm que ter qualidade, oferecer segurança, conforto e deslocamento em curto espaço de tempo. Enquanto isso não ocorrer, ninguém vai deixar o carro em casa”, diz.

Meio ambiente

Outra preocupação do governo deve ser com a qualidade do ar e o nível de ruído emitido pelos veículos. É o que defende Felipe Azevedo, chefe do Laboratório de Monitoramento e Controle Ambiental em Transportes (Lamcat), da Universidade de Brasília (UnB). Segundo ele a inspeção veicular é um passo importante no controle dos poluentes emitidos pelos veículos. Ela é obrigatória pelo Código de Trânsito Brasileiro, mas ainda não saiu do papel no DF.

Pesquisadores do Centro de Formação de Recursos Humanos em Transportes (Ceftru) elaboraram um documento chamando Agenda 2020 para uma Brasília Móvel. O documento entregue ao GDF propõe a análise global do problema da mobilidade urbana – sistema viário, transporte coletivo e circulação viária. “Precisamos ver a cara do Plano Diretor de Transportes. Por enquanto estamos definindo obras sem a consolidação desse plano. E isso é como construir a casa começando pelo teto”, advertiu Joaquim Aragão, pesquisador e vice-presidente do Ceftru.

Os comentários não representam a opinião do jornal e são de responsabilidade do autor. As mensagens estão sujeitas a moderação prévia antes da publicação

Publicidade