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Correio Braziliense

Surdos encontram dificuldades para acesso à educação no DF


postado em 10/11/2009 12:50 / atualizado em 10/11/2009 12:55

Nesta terça-feira (10/11) é celebrado o Dia Nacional de Prevenção e Combate à Surdez. De acordo com a Associação de Pais e Amigos dos Deficientes, no Distrito Federal há atualmente cerca de 50 mil surdos. Os principais motivos que levam à deficiência são problemas genéticos ou inflamações irreversíveis.

Um dos maiores problemas enfrentados pelos surdos no DF tem sido o acesso à educação. De acordo com dados da Secretaria de Educação do DF, no ano de 2008, 345 alunos deficientes auditivos foram matriculados nas classes especiais das escolas públicas. Entre os direitos dos estudantes surdos está o de receber tradutor em qualquer escola do DF.

No entanto, a promotora Márcia Rocha, da Promotoria de Defesa da Educação (Proeduc) do Ministério Público do DF e Territórios (MPDFT), destaca que a maior parte dos processos movidos por alunos surdos contra as escolas é pela falta de acessibilidade. "Mas essa é uma realidade de outras necessidades especiais também", completou.

Acessibilidade

Segundo a chefe do Núcleo Sensorial da Secretaria de Educação do Distrito Federal, Helen Regina, no DF existem 13 cursos de capacitação de professores para atender aos estudantes surdos. Mas, ela reconhece que faltam professores capacitados.

"O problema é que até 2006 os professores surdos conseguiam ser contratados como professores temporários. Mas, a partir de 2007 passou a ser feito concurso para contratar, e os professores surdos não conseguem passar", explica.

Ao todo, as 14 regionais de ensino do DF contam com apenas cinco professores surdos efetivos. E desses, somente dois ensinam libras. O número de intérpretes é maior. Ao todo são 46 que trabalham nas salas de aula, sendo a ponte entre os alunos e os professores.

"Esse número ainda é pequeno, mas é difícil conseguir esse tipo de profissional, pois não são todos os que querem trabalhar com alunos surdos, já que muitos ficam com problemas de saúde na mão, pelo esforço repetitivo", avalia.

Superação

Nem sempre os direitos dos surdos foram tão claros e respeitados. Daisy Maria Colleto de Araújo Lima, 57 anos, é mãe de Luciana Lima Delforgd, 32, surda desde criança. Segundo ela, que trabalha na Secretaria de Educação desde 1983, o acesso da filha a educação de qualidade foi muito difícil.

Luciana sempre morou em Brasília e estudou em escolas públicas. Mesmo sem intérpretes durante a educação básica, é graduada em Pedagogia e está terminando a pós-graduação em Psicopedagogia.

Desde que entrou na Secretaria de Educação, em 1983, Daisy atua na educação de surdos. “Está bem melhor agora, com certeza. Mas não está ideal ainda. A gente batalha muito pela mudança, mas a situação dos surdos ainda não é compreendida por todos”.

Daisy trabalha no Centro de Apoio ao Surdo (CAS), responsável pelo apoio às crianças surdas nas escolas do DF e capacitação de profissionais. De acordo com ela, atualmente são atendidos 70 alunos surdos na complementação específica de conteúdo e cerca de 350 professores para capacitação de ensino aos surdos. “A procura é grande. Quando abrem as inscrições há até escassez de vagas”, comemora.

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