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Correio Braziliense

Adiada decisão contra bombeiro


postado em 17/12/2009 08:34 / atualizado em 17/12/2009 08:44

Está nas mãos do juiz titular do Tribunal do Júri de Taguatinga, Almir Andrade, a decisão de encaminhar ou não à júri popular o bombeiro militar reformado Kléber da Silva Nascimento, 38 nos. Ele é acusado de torturar e tentar matar a enfermeira Danielle Christine de Alencar Paulino Nascimento, 27, em 26 de agosto.

(foto: Gustavo Moreno/CB/D.A Press )
(foto: Gustavo Moreno/CB/D.A Press )


A expectativa era de que a decisão ocorresse ainda ontem, em uma audiência que durou quase cinco horas entre depoimentos das testemunhas e interrogatórios. O magistrado, no entanto, preferiu analisar o processo antes de dar a sentença. O advogado da vítima, Anselmo Ayello acredita que isso só ocorrerá na segunda quinzena de janeiro, após término do recesso do tribunal.

Além de optar por levar o réu a júri popular, o juiz pode ainda absolvê-lo sumariamente ou encaminhá-lo à Justiça comum. No último caso, o magistrado desclassificará o crime de tentativa de homicídio para outro crime. O advogado do bombeiro, Marcelo Carvalho, preferiu não comentar as possibilidades. “Vamos esperar a decisão da Justiça”, disse. Ele afirmou que o cliente está abatido e não dará declarações à imprensa.

Tudo o que a família da vítimas mais quer é ver Kléber atrás das grades pelo tempo que a lei determina em casos de tentativa de homicídio qualificado (sem chance de defesa da vítima e emprego de meio cruel). A pena pode chegar a 20 anos de cadeia. Por ser bombeiro militar, Kléber está preso na 3ª Companhia de Polícia Militar Independente (CMPMInd), em São Sebastião. Ele responderá processo como civil, mas deverá ficar preso no local até que haja determinação contrária da Justiça. O Corpo de Bombeiros estuda a expulsão do militar da corporação.

Faca nos olhos

Policiais militares encontraram Danielle caída no banheiro do apartamento do ex-marido, na CSB 10 de Taguatinga Sul, em 26 de agosto. Ela foi ao prédio analisar a documentação de divórcio, mas, quando chegou, foi arrastado pelos cabelos até o quarto e a esfaqueada nos olhos, ombros e no peito, pelo marido, segundo depoimento à polícia.

Em seguida, o bombeiro teria ainda amarrado suas mãos e jogado água quente em cima do corpo dela. Quando ele saiu para pegar a segunda panela com água quente, Danielle conseguiu se arrastar até o banheiro e trancar a porta. Uma vizinha ouviu os gritos de socorro e chamou o síndico, que acionou a PM. Kléber fugiu, mas decidiu se entregar horas depois, no Batalhão do Corpo de Bombeiros do Gama.

Danielle ficou 10 dias internada na Unidade de Tratamento Intensivo (UTI) de um hospital particular. Uma das perfurações na altura do peito causou um edema pulmonar (inchaço ou acúmulo de líquido nos pulmões) e por pouco ela não perdeu a visão do olho esquerdo.

Ontem, em entrevista ao Correio, ele lembrou do drama: “Quando eu entrei no apartamento, ele me puxou pelos cabelos e me arrastou para o quarto onde tinha duas facas de ponta. Ele disse que ia me matar, mas que eu iria sofrer antes porque só a morte não era suficiente”.

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