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Correio Braziliense

Remuneração inicial cai em 2009

Salários pagos em contratações na capital federal caíram 2,15%. O motivo seria a substituição de terceirizados da União


postado em 21/01/2010 09:05 / atualizado em 21/01/2010 11:57

Na contramão do que ocorreu em praticamente todo o país, os salários de admissão caíram no ano passado em Brasília. Em média, a queda foi de 2,15%, com a remuneração recuando de R$ 835,77 para R$ 817,79 no período de 12 meses, segundo dados do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged)(1), do Ministério do Trabalho. Na média Brasil, o salário pago em um novo emprego cresceu 5,24% acima da inflação, passando de R$ 741,68 em dezembro de 2008 para R$ 780,56 em dezembro de 2009. Segundo o ministro do Trabalho, Carlos Lupi, o fato de o salário no Distrito Federal ter diminuído tem relação direta com a substituição de terceirizados promovida pelo governo federal.

Embora surpreso, Lupi comemorou:
Embora surpreso, Lupi comemorou: "Geramos quase 1 milhão de empregos. Os EUA perderam 4 milhões" (foto: Gustavo Moreno/Esp. CB/D.A Press)
“De uma maneira geral, o salário inicial no setor público é menor do que o que vinha sendo pago pelas empresas prestadoras de serviço”, explicou Lupi. Mas o ministro chamou a atenção para o fato de Brasília ter gerado novos empregos. No total, mais 17.422 trabalhadores conseguiram trabalho com carteira assinada. Para o Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese-DF), os salários de admissão baixaram na cidade por causa do crescimento forte do emprego na área da construção civil. “O crescimento forte do emprego no setor da construção civil puxou o rendimento médio para baixo”, disse um técnico.

Maranhão
Outro estado que também sofreu com a queda do salário médio foi o Maranhão. Lá, o salário de ingresso caiu 2,41% no ano e foi acompanhado pela redução do nível do emprego. “Com perda de emprego, não tinha como o salário de admissão subir no Maranhão”, admitiu Lupi. Em 2009, a diferença entre trabalhadores contratados e demitidos no estado ficou negativa em 4.784 vagas.

O DF, apesar do recuo na remuneração inicial, ainda figura como a terceira unidade da Federação com o maior salário médio pago aos trabalhadores na hora da contratação. Perde apenas para São Paulo (R$ 913,48) e Rio de Janeiro (R$ 841,79). Já os menores salários estão no Rio Grande do Norte (R$ 581,89) e na Paraíba (R$ 587,84). Sergipe registrou aumento real de 32,5% — comportamento atípico atribuído às contratações de uma grande empresa.

1 - Registro oficial
O Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged), divulgado todo mês pelo Ministério do Trabalho, é um registro administrativo de toda a movimentação de pessoal feita pelas empresas no país. Ao contratar ou ao demitir trabalhadores com carteira assinada, as empresas são obrigadas a informar ao governo, inclusive os dados relativos ao salário de admissão do novo empregado.

Dezembro fraco impede meta
A perda inesperada de postos de trabalho em dezembro fez com que o número de empregos gerados em 2009 ficasse abaixo do aguardado pelo Ministério do Trabalho. Em todo o ano passado, foram criadas 995.110 vagas com carteira assinada. A quantidade de empregos que o mercado brasileiro conseguiu gerar foi significativa, principalmente frente à crise econômica que destruiu empregos em todo o mundo. Mesmo assim, 2009 foi o pior ano para o trabalho formal desde 2003 — quando o saldo líquido fechou em 645.433 vagas.

O resultado do ano ficou aquém da expectativa do ministro do Trabalho, Carlos Lupi — que estimava, para 2009, mais de um milhão de empregos — por causa do resultado de dezembro. Com queima líquida de 415.192 postos de trabalho, o último mês de 2009 foi o segundo pior da série histórica do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged). O pior dezembro foi o da crise de 2008, quando foram perdidas 654.946 vagas. Em todos os outros meses de dezembro, o enxugamento girou em torno de 300 mil vagas.

O ministro do Trabalho se disse surpreendido, mas não deu o braço a torcer. “Apesar da crise, geramos quase 1 milhão de empregos, enquanto os Estados Unidos perderam 4 milhões. Em todo o G-20, só o Brasil obteve dados positivos”, destacou. Mesmo com resultado aquém do esperado, Lupi não se conteve e arriscou previsões não só para o primeiro mês do ano — “em janeiro, vamos ter um saldo positivo de mais de 100 mil novos empregos” — como também para 2010. O ministro garantiu que espera 2 milhões de empregos no último ano do governo Lula.

Crise
Em 2009, a indústria de transformação patinou. Em todo o ano, só conseguiu um saldo positivo de 10.865 empregos, enquanto o setor de serviços gerou 500.177 postos de trabalho; o comércio, 297.157; e a construção civil, 177.185. Só a agricultura terminou o ano com queda do emprego formal (-15.369). A causa, segundo Lupi, foi a crise internacional, que derrubou os preços agrícolas.

O ministro também atribuiu à crise econômica o fraco desempenho do setor industrial, com destaque para o segmento automotivo. O saldo líquido do emprego na indústria metalúrgica ficou negativo em 27.162 postos de trabalho no ano, seguido por indústria de material de transporte (-17.538) e indústria mecânica (-13.885). (VC)

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