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Correio Braziliense HOSPITAL

Criança teve o braço entortado por gesso


postado em 03/02/2010 08:39 / atualizado em 03/02/2010 08:43

A 13ª Delegacia de Polícia de Sobradinho está investigando o caso de uma criança que, encaminhado para imobilização com gesso após uma queda, acabou ficando fisicamente lesado. A dona de casa Josélia Ribeiro Lima, 25 anos, e o autônomo Alessandro José Francisco Neto, 29, acusam o Hospital Regional de Sobradinho de ter cometido erro médico contra o filho do casal, o estudante Vinícius Lima Francisco, 8. O menino ficou com o braço direito torto, após cerca de um mês usando gesso. Ao retirar a imobilização em casa, no último sábado, e ver o estado do braço do filho, que se queixava de dores e inchaço, Josélia foi ao hospital. Um médico recomendou que a criança fosse submetida a uma cirurgia. A mãe prestou queixa na 13ª Delegacia de Polícia (Sobradinho).

Menino já tirou várias radiografias e, de acordo com os pais, teve o problema após passar um mês engessado(foto: Carlos Moura/CB/D.A Press )
Menino já tirou várias radiografias e, de acordo com os pais, teve o problema após passar um mês engessado (foto: Carlos Moura/CB/D.A Press )
A dona de casa contou que Vinícius quebrou o braço ao cair de uma mangueira, em 3 de janeiro último. Ele foi levado para o HRS, onde um médico teria feito um pedido de radiografia e de imobilização. Pediram que Vinícius voltasse em sete dias. Segundo a mãe, no retorno, foi tirada uma nova radiografia e reforçaram o gesso. Ficou marcado um outro retorno para o dia 22, quando uma terceira radiografia foi tirada. “Mas, no dia 30, ele estava reclamando muito por causa do gesso. Resolvi tirar em casa mesmo. O braço estava muito inchado. Quando vi como estava, levei-o logo para o hospital”, contou a mãe.

Ao retornar ao hospital, Josélia tomou conhecimento da necessidade da nova cirurgia. Voltou para casa e deu entrada com o filho no HRS no dia seguinte. Ela ficou com Vinícius até segunda-feira à noite, quando teve uma outra surpresa: informaram-lhe que a cirurgia demoraria pelo menos um mês para ser realizada. “É muito tempo. Ele já ficou um mês com o braço nesse estado, e eles querem que esperemos mais um mês. Ainda pedimos transferência para o Hospital Regional da Asa Norte (Hran), mas não quiseram nos dar. Então, eu resolvi prestar queixa. A única coisa que quero é que meu filho fique bem”, disse.

Vinícius sentiu-se frustrado ao ver que seu braço estava pior, quando deveria ter melhorado. O menino ainda sente dor e não consegue segurar nada com a mão machucada. Conta que esperava começar as aulas do primeiro ano do ensino fundamental sem o gesso, mas agora quer voltar a usá-lo, para corrigir o problema. “Quando tirei, achei que fosse estar curado. Quero que arrumem meu braço logo, para poder brincar sem ter perigo de me machucar mais”, lamentou.

Caso sob investigação

O delegado-chefe da 13ª DP, Alberto Passos, explicou que somente uma investigação apurada poderá indicar se realmente houve falha e quem será responsabilizado. Ele ressaltou que, se houve erro, também pode ter sido do técnico de gesso, que imobilizou o braço de Vinícius, e até da mãe, por tirar a imobilização do garoto em casa, sem acompanhamento de um profissional. “O laudo do Instituto Médico Legal (IML) vai dizer com certeza o que aconteceu. As circunstâncias serão analisadas. A perícia também vai levar em conta o prontuário do rapaz”, explicou.

A polícia instaurou inquérito. Se a acusação da mãe for comprovada, o médico ou a pessoa que imobilizou o braço de Vinícius poderá responder por lesão corporal culposa, com pena de dois meses a um ano de prisão. Segundo Passos, a mãe e familiares do menino serão ouvidos, e a polícia só deve procurar o HRS após o laudo do IML, que sai em cerca de 30 dias. “Posteriormente, dependendo dos resultados, poderemos ouvir o médico e o técnico de gesso, por exemplo”, concluiu.

A diretora da Regional de Saúde de Sobradinho, Cláudia Porto, afirmou que o hospital só vai se manifestar após receber uma notificação da delegacia sobre o caso. Segundo ela, se forem acionados, será aberta sindicância para apurar a responsabilidade. O Correio procurou o Conselho Regional de Medicina do Distrito Federal (CRM-DF). O órgão também evitou fazer declarações a respeito do fato, e, por meio de sua assessoria de imprensa, disse apenas que a mãe pode denunciar o médico. Se houver reclamação, ainda segundo o CRM, haverá investigação e só então o conselho poderá se manifestar.

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