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Correio Braziliense

Estacionamento do Aeroporto ganhará cobertura

Até o fim de fevereiro, Infraero vai fazer licitação para escolher a empresa responsável pela gestão do espaço e pela construção da estrutura que protegerá 80% das vagas


postado em 09/02/2010 08:21

A estudante Fernanda Kressin corre do carro ao terminal, com a filha de quatro meses em uma das mãos e o guarda-chuva na outra, para não se molhar(foto: Monique Renne/CB/D.A Press )
A estudante Fernanda Kressin corre do carro ao terminal, com a filha de quatro meses em uma das mãos e o guarda-chuva na outra, para não se molhar (foto: Monique Renne/CB/D.A Press )
Passageiros e funcionários do Aeroporto Internacional Juscelino Kubitschek já estão acostumados a enfrentar sol e chuva para conseguir parar o carro no local. Mas as reclamações desses motoristas podem finalmente chegar ao fim. O estacionamento privativo do terminal ganhará uma cobertura removível que vai proteger 80% das 1.034 vagas. Até o fim deste mês, a Empresa Brasileira de Infraestrutura Aeroportuária (Infraero) vai fazer uma licitação pública para escolher a empresa que será responsável pela gestão do espaço. A principal exigência é providenciar essa estrutura para proteger os carros e, principalmente, os usuários do local. O prazo estabelecido pela Infraero para a construção da benfeitoria é de dois meses a partir da assinatura do contrato.

A Aeropark, que hoje controla o negócio, está à frente do estacionamento do aeroporto há quase 20 anos. A Infraero tentou rescindir o contrato com a empresa nos últimos anos, mas a Aeropark conseguiu liminares na Justiça para se manter na gestão das vagas do terminal. Agora que o prazo de concessão chegou ao fim, o governo federal lançará nova licitação. Dessa vez, o tempo previsto para exploração do local será menor, de apenas cinco anos. Assim como o estacionamento, as concessões de todas as lojas e lanchonetes que funcionam no aeroporto também são licitadas.

A Infraero informou que não vai prorrogar o contrato vigente. Além das vagas disponíveis, a nova empresa também terá a concessão de uso de duas áreas de 9m² e 12m², onde funcionam os guichês de pagamento dos tíquetes — localizados no saguão de desembarque doméstico do aeroporto. Em nota divulgada pela assessoria de imprensa, a Infraero garantiu que o edital será lançado nas próximas semanas. “Poderão participar da concorrência empresas legalmente estabelecidas no país e que comprovem prestar serviços no ramo de atividade compatível com o que é exigido pela licitação”, diz a nota da Empresa Brasileira de Infraestrutura Aeroportuária. Das 1.034 vagas, 81 são destinadas a pessoas com deficiência ou a idosos.

Rodrigo Gomes e a mãe, Júlia, reclamam da falta de vagas gratuitas
Rodrigo Gomes e a mãe, Júlia, reclamam da falta de vagas gratuitas
Hoje, estacionar no aeroporto custa R$ 5 por uma hora. A segunda hora sai por R$ 3 e a terceira, R$ 2. Segundo a Infraero, depois da licitação, a empresa escolhida vai preparar um estudo de mercado — que será supervisionado por técnicos do governo — para analisar os valores(1) cobrados hoje. O levantamento vai considerar o preço do estacionamento de outros aeroportos do mesmo porte do terminal de Brasília, além de analisar o mercado da cidade. Com base nesses dados, a empresa escolhida e a Infraero vão estabelecer o custo para estacionar no local. A Infraero não informou a média de carros que passam diariamente pela garagem privativa do aeroporto. Advogados e diretores da Aeropark foram contatados, mas não retornaram as ligações até o fechamento desta edição.

Em reportagem publicada em setembro do ano passado, o Correio mostrou a alta dos preços dos estacionamentos pagos do Distrito Federal. No caso do aeroporto, o reajuste em 2009 foi de 42% — a primeira hora saltou de R$ 3,50 para R$ 5. Em shoppings da cidade, o valor alcança R$ 6 para manter o carro parado por duas horas.

Chuva
Os motoristas que usam as vagas privativas do aeroporto de Brasília reclamam do preço, mas essa não é a única queixa dos consumidores. “Além de pagar caro, temos que rodar por um bom tempo para achar vaga. Quase não tem espaço dentro do estacionamento privativo e, por isso, temos que parar bem longe da entrada”, reclama o servidor público Patric Krahl, 33 anos.

A empresa será responsável pelos guichês de pagamento dos tíquetes
A empresa será responsável pelos guichês de pagamento dos tíquetes
Para alguns, a falta de cobertura é o maior problema. Ontem, a estudante Fernanda Kressin, 24 anos, teve que tomar chuva com a filha de apenas quatro meses nos braços. Ela correu pelo estacionamento com a criança em uma das mãos e o guarda-chuva na outra. “Com o preço que eles cobram, as vagas tinham que ser cobertas. Acho muito caro pelo serviço que é oferecido”, conta Fernanda.

O paginador eletrônico Rodrigo Gomes, 28 anos, reclama que quase não há opções de estacionamento gratuito no aeroporto. Há vagas na área externa do terminal, mas são muito comuns os casos de furto e até de roubo à mão armada. “A gente fica sem nenhuma opção. Não tem espaço para parar o carro fora do estacionamento pago e a gente ainda corre risco”, reclama Rodrigo. “O pior é que às vezes venho buscar alguém e o voo demora. Nesses casos, tenho que pagar R$ 8, R$ 10”, acrescenta a mãe de Rodrigo, Júlia Gomes, 62 anos.

1 - Em outras capitais
O estacionamento do aeroporto de Brasília não tem o preço mais alto do Brasil. No terminal de Guarulhos (SP), por exemplo, a primeira hora custa R$ 7,50 e a segunda, R$ 2,50. O Galeão, no Rio de Janeiro, cobra R$ 6 por três horas, mas as vagas são cobertas. Já em João Pessoa (PB), os valores são bem mais baixos. Deixar o carro em uma vaga privativa por duas horas sai por R$ 2. As demais horas custam R$ 1.

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