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Correio Braziliense

Desgastado, DEM vive um dilema


postado em 16/02/2010 08:53

Vizinho ao Distrito Federal, portanto geograficamente mais próximo do escândalo envolvendo o GDF, deputados distritais e aliados, o senador Demostenes Torres (DEM-GO) chega amanhã a Brasília com três pedidos para apresentar à Comissão Executiva nacional do partido: dissolução do diretório do Distrito Federal e nomeação de um interventor; expulsão do governador em exercício, Paulo Octávio; e um reforço à determinação de afastamento de todos os ocupantes de cargos de confiança no GDF que sejam filiados ao partido. “O DEM já deveria estar o mais distante possível desse caso do DF. Não dá para pagarmos por isso”, afirmou Demostenes, que tem o apoio do deputado Ronaldo Caiado, líder do partido na Câmara.

O afastamento de todos os democratas do governo foi pedido na semana passada e será mantido. Mas, em relação à dissolução do diretório e expulsão de Paulo Octávio, há um grupo que prefere a cautela. “Algumas pessoas entendem que não há nada concreto contra o vice-governador”, pondera o tesoureiro do partido, Saulo Queiroz, favorável à análise dos pedidos, se acontecerem, só na próxima quinta-feira, conforme antecipou ontem o Correio.

A avaliação da cúpula partidária é de que há dois fatos importantes esta semana: a reunião de Paulo Octávio com os partidos do Distrito Federal e o encontro do governador em exercício com o presidente Lula, amanhã à tarde. Ambos podem dar ao vice algum fôlego no cargo. Se ele conseguir, é bem provável que o vice-governador ganhe algum oxigênio no DEM. Afinal, ele já foi senador e tem algum trânsito entre os parlamentares que hoje comandam a legenda.

Confiante

Ontem, Paulo Octávio disse estar confiante em sua permanência no partido. “Estou confiante que vou ficar no partido e o apoio dele (partido) é importante para um administrador. Tem muita gente viajando agora. Vou esperar o recesso passar para começar a tratar disso”, disse.

A expectativa do DEM é de que o pedido de intervenção que o procurador-geral da República, Roberto Gurgel, apresentou ao Supremo Tribunal Federal (STF) seja analisado antes de a Comissão Executiva Nacional ser obrigada a decidir sobre medidas drásticas como a expulsão do vice ou a dissolução do diretório regional. Se a intervenção for aprovada, avaliam setores do DEM, os personagens ficariam fora do foco.

Só que Paulo Octávio, por sua vez, não deseja a intervenção e já se referiu a ela “como uma violência a Brasília”. O vice, na verdade, deseja ficar no cargo para cumprir o mandato até o fim e, embora diga que não pretende concorrer a qualquer cargo eletivo, ninguém da sua equipe aposta que ele vai querer ficar sem mandato. Daí a luta para permanecer no DEM.

O que deixa inseguros setores do partido em relação a seus quadros no DF é o que ainda pode vir nos vídeos não divulgados por Durval Barbosa. Mas, enquanto alguns defendem a ação imediata para evitar dissabores futuros, outros afirmam que não se pode punir por presunção de culpa. É esse o dilema que o DEM terá que analisar na semana que vem.

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