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Correio Braziliense

Invasores são retirados do Itapoã


postado em 16/02/2010 10:15

O desempregado José Everaldo da Silva Paulo, 44 anos, soube pelos vizinhos que um terreno baldio na expansão de Itapoã estava sendo ocupado por pessoas da região. Buscou a pá embaixo da cama, levou um rolo de barbante e foi ao local garantir seu espaço. Na noite da última sexta-feira, já havia cercado com a linha, amarrada a quatro estacas, a área onde pretendia morar. Com ele, aproximadamente 400 fizeram o mesmo.

Era uma tentativa desesperada de fugir do aluguel. Estou desempregado, moro com sete crianças e mais um casal em uma casinha com dois cômodos e pago R$ 400. Tem mês que não consigo pagar, preciso de uma casa própria, justificou José Everaldo.

Ontem, o sonho de José Everaldo caiu por terra com uma operação da Subsecretaria de Defesa do Solo e da Água (Sudesa). Um trator derrubou as estacas colocadas pelos invasores. Sete viaturas da Polícia Militar e 30 policiais fizeram a proteção dos 16 funcionários da Terracap e dos 25 da Qualix que participaram da remoção.

Na região invadida existe um assentamento já autorizado pelo Governo do Distrito Federal para famílias transferidas do Varjão. Em uma pequena área, é possível observar instalação de esgoto e alguns barracos de alvenaria. Acreditando na mesma possibilidade de regularização, os piquetes foram instalados. Nem o cerrado escapou. Os invasores queimaram a mata para abrir espaço.

Com o filho Tiago, de 2 meses, nos braços, a desempregada Márcia Cristina Mendes Inácia, 18 anos, viu a operação derrubar o que poderia ser sua casa. Mãe de três garotos (o mais velho tem 3 anos e o do meio, 2), não tem mais onde morar. “Estava grávida e não tinha emprego. Não consegui pagar os R$ 150 de aluguel, a dona da casa me colocou para fora e queimou minhas roupas. Agora, não sei o que fazer”, disse, emocionada, protegendo o pequeno Tiago do sol inclemente com um pano de prato.

A operação durou duas horas e atraiu a atenção de curiosos. “Viemos preparados para encontrar resistência dos moradores”, disse o major Cirlândio Martins, da 10ª Companhia de Polícia Militar Independente (CPMind). Mas não houve confronto. Um homem com uma garrafa de cachaça debaixo do braço tentou impedir a ação do trator deitando-se em frente à máquina. Mas foi convencido pelos próprios moradores a cooperar e liberar o caminho.

A presença maciça da polícia causou revolta na população. “Nesta área (invadida) os marginais usam drogas e às vezes desovam cadáveres. Nunca vimos a polícia fazendo seu serviço nesses casos, mas para expulsar a nós, que passamos fome e queremos um lugar para morar, eles vêm com força”, reclamou Alan Kardec de Sousa, 46 anos, desempregado.

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