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Correio Braziliense CAIXA DE PANDORA

Pressão de aliados muda estratégia

Paulo Octávio havia decidido renunciar, porém o grupo político mais próximo pesou na decisão


postado em 19/02/2010 08:15 / atualizado em 19/02/2010 08:30

Eliana Pedrosa e Alberto Fraga: deputada distrital e secretário de Transportes foram peças-chave no recuo do governador interino, que na última hora desistiu de renunciar(foto: Iano Andrade/CB/D.A Press - 27/1/10)
Eliana Pedrosa e Alberto Fraga: deputada distrital e secretário de Transportes foram peças-chave no recuo do governador interino, que na última hora desistiu de renunciar (foto: Iano Andrade/CB/D.A Press - 27/1/10)
A renúncia de Paulo Octávio (DEM) significaria o fim da força do grupo político que sempre deu sustentação ao governo de José Roberto Arruda (sem partido). Por isso, o anunciado afastamento definitivo do governador interino provocou a reação de aliados que gostariam de permanecer nos cargos mesmo com a derrocada da “gestão compartilhada” criada pelos dois para administrar o Distrito Federal. O que está em jogo é a continuidade, pelo menos até as eleições deste ano, de um projeto de poder pensado para os próximos oito
(foto: Paulo de Araújo/CB/D.A Press)
(foto: Paulo de Araújo/CB/D.A Press)
anos.

Com Arruda abatido e constrangido na sala que lhe foi reservada no Complexo da Polícia Federal (PF), no Setor Policial Sul, Paulo Octávio, mesmo desgastado pelas mesmas denúncias da Operação Caixa de Pandora, representa uma continuidade da administração atual. Estão em jogo contratos de prestação de serviços e mais de 2 mil obras que deveriam ser inauguradas em 2010, com um orçamento de R$ 21 bilhões a administrar, e previsão de investimentos da ordem dos R$ 2 bilhões, um recorde na história recente da capital do país.

A reação contra a renúncia foi liderada por integrantes do DEM, como o secretário de Transportes, Alberto Fraga, e a deputada distrital Eliana Pedrosa, que ficou responsável pela guarda da carta de renúncia já escrita pelo governador em exercício. Paulo Octávio chegou ontem ao Palácio do Buriti para anunciar a renúncia, que já havia sido comunicada a várias pessoas, com um plano B na cabeça. Reuniu a equipe próxima — que seria toda afetada com a perda dos cargos provocada pela renúncia — e a família para uma última reflexão. Saiu da conversa com um novo tom para o pronunciamento que havia sido marcado. O discurso foi dúbio.

Limitações
A cada frase, ele dava a impressão de que renunciaria. “Estou convicto da importância da governabilidade, mas tenho limitações que me são impostas pela falta de apoio de importantes setores da comunidade de Brasília”, afirmou, para depois acrescentar: “Já renunciei ao direito de me candidatar ao Governo do Distrito Federal, mas não posso renunciar da obrigação de servir Brasília e o seu povo”. Disse que queria ser um “facilitador” da governabilidade, mas deixou claro que ainda admite a possibilidade de renunciar.

“A decisão dele de ficar foi uma grata surpresa”, afirmou Fraga. “Quero ficar no cargo pelo menos até abril para dar continuidade ao meu trabalho. Vou dizer à executiva do DEM que tenho uma secretaria com orçamento de R$ 2 bilhões e muitos projetos em andamento”, acrescentou o secretário.

No discurso, Paulo Octávio negou que estejam em jogo questões pessoais. “Não tenho ambições de qualquer natureza que não sejam aquelas ligadas a restaurar a normalidade e a governabilidade. Brasília e seu povo não podem ser prejudicados com a paralisação da administração pública”, disse. “Sendo assim, independentemente da eventual duração de minha interinidade, quero servir como uma ponte para retomada dos padrões mínimos de funcionamento e de gestão da cidade”, completou.

Cargos
Com a crise institucional provocada pela Operação Caixa de Pandora, Arruda perdeu aliados formais, mas muitos antigos parceiros se mantiveram leais a distância. A renúncia de Paulo Octávio também colocaria em dúvida a manutenção de interesses de deputados distritais que abrigam no governo cabos eleitorais, apadrinhados e parceiros eleitorais. Documento obtido nas buscas e apreensões feitas pela Polícia Federal (PF), a pedido da subprocuradora-geral da República, Raquel Dodge, mostra que havia uma partilha de cargos comissionados para deputados distritais, federais e senadores.

Além disso, deputados da base aliada mantêm relação de interesse comercial no Executivo. Empresas da família de Eliana Pedrosa e do ex-presidente da Câmara Leonardo Prudente (sem partido), que deixou o comando da Câmara acusado de usar o mandato em benefício de seus interesses comerciais, mantêm contratos com o GDF.

A empresa da família de Cristiano Araújo (PTB) também presta serviços ao Executivo. Os três deputados sempre negaram vinculação entre a atuação parlamentar e a empresarial. Nas conversas interceptadas pela Polícia Federal (PF), no entanto, Arruda e o ex-chefe da Casa Civil José Geraldo Maciel comentam o suposto interesse de Prudente em muitos negócios com o governo.

Ontem à noite, vários deputados estiveram com Paulo Octávio no anexo do Palácio do Buriti para analisar a conjuntura depois do desenrolar dos fatos ao longo do dia.

Paulo Octávio anunciou que não será candidato à reeleição, mas não desistiu dos interesses na política. Há pelo menos dois anos ele se dedica ao planejamento do cinquentenário de Brasília e gostaria de liderar a festa histórica para a capital do país. Mas, em abril, se ainda estiver à frente do comando do Distrito Federal, terá de optar entre permanecer no Executivo ou se candidatar nas próximas eleições. Pela regra eleitoral, ele precisará se desincompatibilizar para poder concorrer a um cargo de deputado ou senador. Por isso, a renúncia pode ser apenas uma questão de tempo.

 

Opinião do internauta
Leitores comentaram no site do Correio o recuo do governador em exercício Paulo Octávio sobre a sua renúncia. Veja algumas opiniões:

Nayara Chianelli
“A desculpa foram os apelos que ouviu. Do povo é quenão foi. Estamos fartos de ver o dinheiro dos impostos na cueca de vocês. Cai fora, Paulo Octávio e essa corja!”

Maria Souza
“Paulo Octávio, tá difícil largar o queijo, hein?”

Gilberto Theodoro dos Santos
“Não se pode esquecer nunca que o mensalão-mor é do PT. E ninguém foi preso.”

David Borges
“Paulo Octávio diz que permanece à frente do GDF, mas creio que não por muito tempo. Afinal, não esqueçamos, ele é da mesma laia que Arruda, Eurides, Brunelli, Prudente, Naves.”

Hercilio Silva
“Querem ficar enquanto puderem, assim podem continuar no controle do governo, impedir investigações e destruir provas. Onde estão os Poderes da República?”

Alessandro de Castro
“Valeu, Paulo Octávio! Mostra ao povo que você não tem nada a ver com essa situação.”

Neide Aguiar
“Foi só consultar o Lula e tudo ficou resolvido. Manda quem pode e tem muito dinheiro e obedece quem tem juízo.”

Frederico Rezende
“Agora fiquei até comovido com tamanha abnegação em favor do povo do Distrito Federal.”

Gabriel Garcia
“Paulo Octávio, você me decepcionou. Achei que tinha caráter para renunciar.”

Narciso Jr.
“Quero minha casa limpa, nem que para isso venha outro administrar.”

Roberto Soares
“Pra mim, deve renunciar. Não se iluda, pois se ele ficar será muito pior.”

Daniela Rodrigues
“Certamente, o nosso governador Paulo Octávio irá renunciar. Ele não aguentará a pressão.”

Evanildo Santos
“Obrigado, Paulo Octávio, por você ter pensado na nossa capital. A sua renúncia seria uma chance de um interventor em Brasília. Prove sua inocência.”

Paulo Roberto
“Brasília terá que ser governada somente por candangos sem vínculos com Goiás. É a solução.”

Laís Camargo
“Se correr o bicho pega e se ficar o bicho come.  Intervenção, já!”

Fernanda Resende
“Essa é uma situação muito triste para o povo de  Brasília, mas uma intervenção pode ser ainda pior. O  Paulo Octávio fez o que é melhor para Brasília no momento.”

Alex Araújo
“Paulo Octávio estava igual a uma barata tonta. A cada meia hora, mudava de ideia. Com essa decidão de ficar no GDF, espero que seja expulso do DEM e nunca mais volte à política.”

Leonardo Araújo
“Quem não deve não teme. Gostei da atitude do Paulo Octávio.”

Lázaro Junior
“Comeram a carne. Roeram o osso e não largam. Vão roer até os dentes caírem.”

João Neto
“Renunciar? É só uma questão de tempo.”

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