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Correio Braziliense

Cresce o coro pela expulsão no DEM


postado em 19/02/2010 08:14 / atualizado em 19/02/2010 08:30

O pronunciamento do governador em exercício Paulo Octávio foi considerado pela cúpula de seu partido como um “strike invertido” — em vez da principal jogada do boliche, em que apenas uma bola derruba todos os pinos, nesse caso os pinos atingiriam o jogador. Isso porque ele conseguiu desagradar tanto o governo federal, de quem esperava apoio, quanto seu partido, o Democratas. No caso do DEM, está claro: entre o partido e o governo do DF, a avaliação é a de que Paulo Octávio escolheu o governo. Assim, se ele não se desfiliar até segunda-feira, a tendência é de expulsão, conforme antecipou ontem ao Correio o líder do partido no Senado, José Agripino (RN).

Rodrigo Maia (E) e Paulo Bornhausen: tendência é que Paulo Octávio seja expulso da legenda na próxima semana(foto: Jose Varella/CB/D.A Press - 16/10/08)
Rodrigo Maia (E) e Paulo Bornhausen: tendência é que Paulo Octávio seja expulso da legenda na próxima semana (foto: Jose Varella/CB/D.A Press - 16/10/08)
Ameaçado de perder a legenda que lhe garantiria o direito de disputar qualquer cargo eletivo em outubro próximo, o governador em exercício avalia a hipótese de buscar na Justiça uma desfiliação por justa causa como forma de buscar automaticamente uma nova filiação partidária. A decisão, no entanto, afirmam assessores do governador, não está tomada.

A cúpula partidária garante que os dias de Paulo Octávio no DEM estão contados. Os líderes nacionais da legenda acompanharam o pronunciamento pela TV apenas para conferir o que Paulo Octávio havia dito ao líder do DEM no Senado, José Agripino, por volta das 15h, quando avisou que renunciaria ao governo do DF. “Vou sair. Estou indo ao Buriti para anunciar”, afirmou ele ao companheiro de sigla. O senador apenas assentiu e seguiu tranquilo para Natal, certo de que seu partido estaria, a partir de agora, fora da crise que ficou conhecida como o “mensalão do DEM”. “Não é nada pessoal contra Paulo Octávio. É o GDF e o que o governo representa hoje. O partido tem que cortar todo e qualquer vínculo com o GDF", explicou o deputado ACM Neto (DEM-BA), vice-presidente nacional do DEM.

No final da tarde, quando, além de permanecer no cargo, Paulo Octávio citou ainda o presidente Lula, a cúpula do DEM estrilou. A manifestação mais contundente foi do líder do partido na Câmara dos Deputados, Paulo Bornhausen (SC). “Ao dizer que acatou conselho de presidente Lula, Paulo Octávio praticamente assina sua ficha de desfiliação”, começa a nota redigida pelo líder, que procura atingir o PT. “Os Democratas não pactuam, de maneira alguma, com a corrupção. E muito menos com o que o PT faz”, informou a nota (leia a íntegra acima).

O partido de Rodrigo Maia, Paulo Bornhasuen e ACM Neto considerou que Lula teria inflado Paulo Octávio a permanecer no cargo para deixar o DEM sangrando no epicentro da crise do DF. E, assim, Demostenes Torres e Ronaldo Caiado, que puxam o movimento pela expulsão do governador em exercício, passaram a receber novos apoios na sua cruzada para expulsar Paulo Octávio.

Paulo Bornhausen pertencia ao grupo do partido que ainda pregava certa cautela em relação ao pedido de expulsão do governador. Agora, promete engrossar o coro pela saída do governador. “Os membros do partido que ainda estão no GDF deverão sair ou do governo de Brasília, ou do partido”, diz Bornhausen na nota, divulgada às 18h30.

Menos de 20 minutos depois, a assessoria de Paulo Octávio distribuiu sua nota de esclarecimento, dizendo que citara inadvertidamente o presidente Lula e que este não havia lhe dado conselhos para permanecer no comando do GDF.

Para o DEM, no entanto, a escolha está feita e deu fôlego ao movimento pela saída de Paulo Octávio do partido. Se o governador não sair da legenda, avaliam muitos, o tempo irá resolver sua situação. E, hoje, dentro do Democratas, ele corre contra o governador em exercício. (Denise Rothenburg)


A nota na íntegra
“Democratas não é o PT”


“A única recomendação que o governador em exercício do Distrito Federal, Paulo Octávio, deveria seguir é a de seu partido, os Democratas. Ao dizer que acatou conselho do presidente Lula, Paulo Octávio praticamente assina sua ficha de desfiliação.

Os Democratas não pactuam, de maneira alguma, com a corrupção. E muito menos com o que o PT faz — ao invés de punir, premiar os mensaleiros, réus no Supremo Tribunal Federal e chamados de quadrilheiros pelo procurador-geral da República, com cargos de chefia no partido, no governo federal, no Congresso Nacional e no comando da campanha presidencial de sua candidata.

Somos pela aprovação e aplicação imediata do projeto da Ficha Limpa. E temos moral para assumir essa posição.

O que Lula e o PT querem é nivelar a política por baixo, a partir de seus atos.

A decisão da Executiva Nacional do partido será conhecida na semana que vem, e seguirá, sem dúvida, o estabelecido na nota divulgada na semana passada, pelo nosso presidente. Os membros do partido que ainda estão no GDF deverão sair ou do governo de Brasília, ou do partido.”

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