Jornal Correio Braziliense

Cidades

Mosquito assusta o Lago Sul

Com 24 casos da doença registrados apenas na QI 28, e outros suspeitos na QI 22, moradores redobram cuidados. Vigilância Ambiental promete para hoje a nebulização com fumacê nos conjuntos atingidos

O aumento significativo de casos de dengue no Distrito Federal está assustando a população do Lago Sul. Apenas no conjunto 3 da QI 28, já foram registrados 22 casos da doença, uma média de um por residência ; há apenas 22 casas habitadas no local. No Conjunto 1 da mesma quadra existem outras duas ocorrências de moradores com a enfermidade. São pais, filhos e empregados que se assustaram com os sintomas da virose e agora redobram os cuidados para evitar a proliferação do mosquito Aedes Aegypti, vetor da dengue.

;Minha esposa, meu filho de 7 anos e uma funcionária da nossa casa tiveram dengue. A nossa preocupação agora é com nossa filha mais nova, que tem apenas um ano e meio;, explica o servidor público André de Oliveira Costa, que comprou um estoque de repelentes para serem utilizados pela família. Segundo o morador do conjunto 3, a preocupação em não manter água parada em plantas e outros recipientes da casa sempre esteve presente na família. ;A vigilância sanitária veio aqui, fez as recomendações e constatou que estava tudo certo. Agora, aguardamos que as autoridades retornem ao local para tomar as devidas providências;, explica André.

A moradora Elza Neves de Araújo, 78 anos, também contraiu a doença. Moradora do Conjunto 3, ela recebeu o diagnóstico de dengue há cerca de 20 dias e até hoje sofre com os sintomas da doença. ;Ainda sinto um pouco de fraqueza, mas nos primeiros dias quase entrei em depressão de tão mal que estava me sentindo;, explica.

No conjunto 1, a babá Aldenira Ferreira de Souza, 31, foi uma das vítimas. ;Tomei vários remédios errados até ir a um médico, que disse que o que eu tinha era dengue;, lembra. Diagnosticada há 12 dias, ela ainda se recupera.

Segundo Humberto Oliveira Loyola, gerente de vetores e animais peçonhentos da Vigilância Ambiental, um trabalho foi feito na quadra, há sete dias, para o tratamento e a eliminação de possíveis focos do vetor. Para hoje, segundo Loyola, está prevista, às 18h, a nebulização com fumacê nos conjuntos atingidos para exterminar os mosquitos. ;Também vamos nebulizar as imediações, em um raio de 500 metros, para garantir que a medida seja efetiva;, reforça.

De acordo com a Vigilância Ambiental, outros casos de suspeita de dengue foram registrados no Lago Sul, dessa vez na QI 22. ;Vamos fazer um levantamento e, se preciso, também atuaremos na área;, garante Loyola. Para o prefeito comunitário dos conjuntos 1, 2 e 3 da QI 28, Jorge Dantas Dias, a proximidade da quadra com relação a áreas de vegetação, como o parque das Copaíbas e a Ermida Dom Bosco, agrava as condições para criadouros dos mosquitos. ;Se não fosse a nossa associação, ninguém saberia da proporção que esse problema está tomando, já que os moradores do Lago Sul procuram a rede médica particular e, por isso, na maioria das vezes, a Secretaria de Saúde não é informada;, considera.

Avanço da doença

Os hospitais da rede particular estão treinando os médicos para o atendimento aos pacientes com a doença. No Hospital Brasília, no Lago Sul, foram registrados 49 casos suspeitos neste ano. ;Fizemos uma reunião com a equipe que atende o nosso pronto-socorro para otimizar o manejo clínico;, explica a médica infectologista Maria de Lourdes Ferreira.

No Hospital Anchieta, em Taguatinga, foram 109 casos suspeitos desde janeiro. ;No período de outubro a dezembro de 2009, tínhamos registrado apenas quatro casos;, afirma o infectologista e coordenador do hospital, Roberto Valente. Os profissionais da unidade passaram por duas aulas, na última semana, com orientações a respeito da doença.

2.283 suspeitas

Em 2010, já foram registrados 2.283 casos suspeitos de dengue no DF. Desses, 970 foram confirmados pela Secretaria de Saúde. Na última terça-feira, a secretaria anunciou duas mortes decorrentes de dengue clássica, em Ceilândia e na Vila Planalto. Outros quatro casos suspeitos estão sob investigação. ;Devemos ter os resultados em mãos na sexta-feira (amanhã). Enquanto isso, estamos mantendo a rotina de intensificação do combate à doença;, afirma o subsecretário de Vigilância à Saúde, Allan Kardec.

Segundo o secretário de Saúde, Joaquim Barros, uma boa notícia é o fato de Águas Claras e Vicente Pires, regiões problemáticas com relação à dengue, não estarem apresentando aumento no número de casos. ;Muito do que estamos enfrentando hoje se deve à falta de ações em 2009;, destaca.