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Correio Braziliense

Mosquito assusta o Lago Sul

Com 24 casos da doença registrados apenas na QI 28, e outros suspeitos na QI 22, moradores redobram cuidados. Vigilância Ambiental promete para hoje a nebulização com fumacê nos conjuntos atingidos


postado em 04/03/2010 07:50 / atualizado em 04/03/2010 08:18

Moradora do conjunto 3 da QI 28, Elza Neves, 78 anos, recebeu o diagnóstico de dengue há cerca de 20 dias:
Moradora do conjunto 3 da QI 28, Elza Neves, 78 anos, recebeu o diagnóstico de dengue há cerca de 20 dias: "Quase entrei em depressão" (foto: Monique Renne/CB/D.A Press )
O aumento significativo de casos de dengue no Distrito Federal está assustando a população do Lago Sul. Apenas no conjunto 3 da QI 28, já foram registrados 22 casos da doença, uma média de um por residência — há apenas 22 casas habitadas no local. No Conjunto 1 da mesma quadra existem outras duas ocorrências de moradores com a enfermidade. São pais, filhos e empregados que se assustaram com os sintomas da virose e agora redobram os cuidados para evitar a proliferação do mosquito Aedes Aegypti, vetor da dengue.

“Minha esposa, meu filho de 7 anos e uma funcionária da nossa casa tiveram dengue. A nossa preocupação agora é com nossa filha mais nova, que tem apenas um ano e meio”, explica o servidor público André de Oliveira Costa, que comprou um estoque de repelentes para serem utilizados pela família. Segundo o morador do conjunto 3, a preocupação em não manter água parada em plantas e outros recipientes da casa sempre esteve presente na família. “A vigilância sanitária veio aqui, fez as recomendações e constatou que estava tudo certo. Agora, aguardamos que as autoridades retornem ao local para tomar as devidas providências”, explica André.

A moradora Elza Neves de Araújo, 78 anos, também contraiu a doença. Moradora do Conjunto 3, ela recebeu o diagnóstico de dengue há cerca de 20 dias e até hoje sofre com os sintomas da doença. “Ainda sinto um pouco de fraqueza, mas nos primeiros dias quase entrei em depressão de tão mal que estava me sentindo”, explica.

No conjunto 1, a babá Aldenira Ferreira de Souza, 31, foi uma das vítimas. “Tomei vários remédios errados até ir a um médico, que disse que o que eu tinha era dengue”, lembra. Diagnosticada há 12 dias, ela ainda se recupera.

Segundo Humberto Oliveira Loyola, gerente de vetores e animais peçonhentos da Vigilância Ambiental, um trabalho foi feito na quadra, há sete dias, para o tratamento e a eliminação de possíveis focos do vetor. Para hoje, segundo Loyola, está prevista, às 18h, a nebulização com fumacê nos conjuntos atingidos para exterminar os mosquitos. “Também vamos nebulizar as imediações, em um raio de 500 metros, para garantir que a medida seja efetiva”, reforça.

De acordo com a Vigilância Ambiental, outros casos de suspeita de dengue foram registrados no Lago Sul, dessa vez na QI 22. “Vamos fazer um levantamento e, se preciso, também atuaremos na área”, garante Loyola. Para o prefeito comunitário dos conjuntos 1, 2 e 3 da QI 28, Jorge Dantas Dias, a proximidade da quadra com relação a áreas de vegetação, como o parque das Copaíbas e a Ermida Dom Bosco, agrava as condições para criadouros dos mosquitos. “Se não fosse a nossa associação, ninguém saberia da proporção que esse problema está tomando, já que os moradores do Lago Sul procuram a rede médica particular e, por isso, na maioria das vezes, a Secretaria de Saúde não é informada”, considera.

Avanço da doença

Os hospitais da rede particular estão treinando os médicos para o atendimento aos pacientes com a doença. No Hospital Brasília, no Lago Sul, foram registrados 49 casos suspeitos neste ano. “Fizemos uma reunião com a equipe que atende o nosso pronto-socorro para otimizar o manejo clínico”, explica a médica infectologista Maria de Lourdes Ferreira.

No Hospital Anchieta, em Taguatinga, foram 109 casos suspeitos desde janeiro. “No período de outubro a dezembro de 2009, tínhamos registrado apenas quatro casos”, afirma o infectologista e coordenador do hospital, Roberto Valente. Os profissionais da unidade passaram por duas aulas, na última semana, com orientações a respeito da doença.

2.283 suspeitas

Em 2010, já foram registrados 2.283 casos suspeitos de dengue no DF. Desses, 970 foram confirmados pela Secretaria de Saúde. Na última terça-feira, a secretaria anunciou duas mortes decorrentes de dengue clássica, em Ceilândia e na Vila Planalto. Outros quatro casos suspeitos estão sob investigação. “Devemos ter os resultados em mãos na sexta-feira (amanhã). Enquanto isso, estamos mantendo a rotina de intensificação do combate à doença”, afirma o subsecretário de Vigilância à Saúde, Allan Kardec.

Segundo o secretário de Saúde, Joaquim Barros, uma boa notícia é o fato de Águas Claras e Vicente Pires, regiões problemáticas com relação à dengue, não estarem apresentando aumento no número de casos. “Muito do que estamos enfrentando hoje se deve à falta de ações em 2009”, destaca.

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