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Correio Braziliense

Frota de táxi crescerá depois de 31 anos


postado em 04/03/2010 08:32 / atualizado em 04/03/2010 08:35

Ponto de táxi no Aeroporto Internacional de Brasília: dentro de 30 dias, a cobrança da bandeira 2 na ida ou na volta do local será revogada (foto: Marcelo Ferreira/CB/D.A Press - 29/9/09)
Ponto de táxi no Aeroporto Internacional de Brasília: dentro de 30 dias, a cobrança da bandeira 2 na ida ou na volta do local será revogada (foto: Marcelo Ferreira/CB/D.A Press - 29/9/09)
O serviço de táxi da capital federal, alvo constante de reclamações dos usuários, vai ganhar concorrentes. Após 31 anos, o governo finalmente decidiu licitar 500 permissões. O lançamento do edital está marcado para as 10h de hoje, no auditório do Departamento de Estradas de Rodagem (DER). Atualmente, a cidade conta com 3,4 mil táxis em circulação. O total de veículos é o mesmo de 1979, quando ocorreu a última licitação. Naquele ano, o DF tinha 1,2 milhão de moradores e hoje são 2,5 milhões.

Essa não é a única novidade. A cobrança da bandeira 2 no trajeto de ida ou volta para o Aeroporto Internacional de Brasília deve ser banida em 30 dias. Com isso, os usuários do serviço vão economizar até 26,6%. O quilômetro rodado na bandeira 1 custa R$ 1,80. A bandeira 2 — adotada aos sábados, domingos, feriados e após as 22h — cobra R$ 2,28 por quilômetro rodado.

A revogação da Portaria nº 3, que instituiu a cobrança mais cara, faz parte de um Termo de Ajustamento de Conduta (TAC) assinado ontem pelo secretário de Transportes, Alberto Fraga. O acordo, proposto pela Promotoria de Defesa dos Direitos do Consumidor do Ministério Público do Distrito Federal e Territórios, obriga o governo a adotar uma série de medidas para regular a prestação do serviço de táxi e “impor limites mínimos para o exercício lícito e moral das permissões aos motoristas de táxi do DF”.

Apesar de o governo ter se comprometido a revogar a portaria, o esforço do Ministério Público para beneficiar o consumidor pode ser em vão. Já tramita na Câmara Legislativa um projeto de lei propondo a criação da bandeira 2 para o Aeroporto. “É claro que os taxistas vão pressionar para que os deputados aprovem a lei. Se isso acontecer, a cobrança passa a ser legalizada e, aí, não podemos fazer mais nada”, alertou o promotor Guilherme Fernandes Neto.

A presidente do Sindicato dos Permissionários de Táxi e Motoristas Auxiliares (Sintetaxi), Maria do Bonfim Pereira de Santana, não quis comentar o TAC. “Fui chamada para uma reunião no Ministério Público, fiquei esperando até por volta das 13h, quando saiu um secretário do promotor com o documento para eu assinar. Eu não vou assinar um acordo do qual não participei”, declarou. A sindicalista informou que o departamento jurídico da entidade foi acionado para analisar o TAC.

Tarifa pré-paga
O acordo assinado com o Ministério Público prevê também a implantação da tarifa de táxi pré-paga no Aeroporto Internacional de Brasília — a exemplo do que ocorre em São Paulo. O governo tem 180 dias para colocar o sistema em prática. Na capital paulista, o passageiro se dirige até um guichê, informa o destino e paga pelo bilhete de táxi antecipadamente.

A Secretaria de Transportes também terá 180 dias para colocar em circulação ônibus executivos que farão o trajeto Aeroporto/área central de Brasília. Hoje, quem chega à cidade tem apenas duas opções: ou pega táxi ou carona de amigos e familiares. Os veículos deverão ter ar-condicionado e bagageiro para atender aos viajantes. Em julho do ano passado, a iniciativa chegou a ser anunciada e cinco veículos foram comprados pelo governo. Mas, por pressão do sindicato dos taxistas, o governo recuou e incluiu os ônibus na frota que atende a Esplanada dos Ministérios.

A expectativa é de que as regras da Lei Distrital nº 4.056/07, que disciplina a prestação do serviço, deverão ser cobradas com mais rigor de agora em diante. O TAC assinado ontem também deve colocar um freio na farra das permissões(1). A transferência do direito de explorar o serviço está proibida pelo Ministério Público. Oficialmente, o governo não aceita tal prática desde 2007. Mas existem de denúncias de comércio e aluguel de permissões. 1 - Repasse por R$ 50 mil

A máfia no setor foi denunciada pelo Correio em série de reportagens publicadas em fevereiro do ano passado. Os proprietários das permissões cobram de R$ 40 mil a R$ 50 mil para repassar a terceiros o direito de explorar o serviço. Apesar de ser anunciado em jornais e na internet, a presidente do sindicato garante desconhecer a prática ilegal.

Agenda

Cadastro dos motoristas de táxi que atuam no aeroporto de Brasília com as seguintes exigências:

# Em 7 dias
1 – veículos com no máximo seis anos de uso e porta-malas com capacidade para, pelo menos, 290 litros
2 – roupa diferenciada (conforme Portaria nº 40)

# Em 30 dias
1 – disciplinar o uso das vagas de táxi no Aeroporto e garantir a participação dos motoristas autônomos e empresas de radiotáxi
2 – suspender os efeitos da Portaria nº 3, que fixou a bandeira 2 para corridas que tenham origem ou destino ao Aeroporto

# Em 60 dias
1 – Levantamento de certidão de antecedentes criminais no Distrito Federal e no local de domicílio do motorista, do permissionário e do auxiliar
2 – Caso seja constatada a prática de crimes contra a dignidade sexual, bem como outros ilícitos que possam indicar personalidade voltada para o crime, o governo deverá iniciar processo administrativo para cassar a permissão. A regra também vale para os casos em que o motorista, o permissionário ou o auxiliar for flagrado dirigindo alcoolizado

# Em 180 dias
1 – criar a tarifa pré-paga no Aeroporto
2 – providenciar a padronização visual da frota nos termos da portaria em vigor
3 – implantar linha de ônibus executivos no Aeroporto com destino à área central de Brasília

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