Jornal Correio Braziliense

Cidades

Família de um dos meninos de Luziânia desaparecidos muda de bairro por causa da violência

Desde que a hipótese da participação de grupos de extermínios (1) passou a ser incluída entre as principais causas do desaparecimento dos seis jovens de Luziânia (GO), as mães revelaram ao Correio que estão com medo. Enquanto a polícia não soluciona o caso, uma delas resolveu mudar de endereço porque se sente ameaçada. A contadora Valdirene Fernades da Cunha, 36 anos, não mora mais no Parque Estrela Dalva 7, de onde o filho Flávio Augusto Fernandes dos Santos, 14, desapareceu em 18 de janeiro. ;Lá era muito perigoso. Agora, moro num apartamento onde é bastante seguro;, frisa.

Valdirene alugou a casa dela e, com o dinheiro, ajuda a pagar o aluguel da residência, que é R$ 100 mais caro. A igreja que frequenta paga o resto. Ela não esconde a preocupação com a família, principalmente em relação à filha, dois anos mais velha que Flávio. Mesmo em um lugar mais seguro, não deixa a adolescente sair à noite e nem sozinha. ;O Parque Estrela Dalva 7, onde morávamos, era escuro e perigoso. Aqui, é claro e seguro;, afirma ela.

O caso da dona de casa Sirlene Gomes de Jesus, 42 anos, mãe de George Rabelo dos Santos, 17, desaparecido em 10 de janeiro, é mais complicado. Desempregada, ela mora num lugar precário: a última rua antes do matagal do Parque Estrela Dalva 8. A casa de dois quartos não oferece muita segurança. As portas não trancam. O quintal não tem portão e o teto é coberto de telhas velhas. Por isso, dificilmente alguém vai querer alugar o imóvel.

Preocupação
Sirlene é a que mais se preocupa com a hipótese de extermínio. ;Aqui, nós somos um alvo fácil;, destaca. Em meio ao desespero pelo sumiço do filho, Sirlene ainda tem de ter forças para conseguir um jeito de encontrar um novo lar. O problema é que ela não tem dinheiro para fazer o mesmo que Valdirene. ;Eu espero contar com a ajuda da prefeitura para me colocar no programa de assistência;, ressalta ela.

Os familiares dos jovens desaparecidos ; além de Flávio e George, também sumiram Diego Alves Rodrigues, 13 anos, Paulo Victor Vieira de Azevedo Lima, 16, Divino Luiz Lopez da Silva, 16, e Márcio Luiz de Souza Lopes, 19 ; se reunirão amanhã em um ato ecumênico na Praça Francisco de Assis Dantas, que fica no Setor Fumal, em Luziânia. O encontro será às 14h. O primeiro a desaparecer foi Diego, em 30 de dezembro de 2009. Depois do apelo dos familiares dos jovens, a Polícia Federal entrou no caso.

1 - Audiência
A primeira vez em que foi ventilada a hipótese da participação de grupos de extermínio foi em 3 de fevereiro. Durante audiência pública com as mães e integrantes da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) das Crianças e dos Adolescentes Desaparecidos da Câmara dos Deputados, em Luziânia, o deputado Geraldo Pudim (PR-RJ) questionou o fato de as mães não falarem muito sobre o sumiço dos rapazes e vinculou o fato a possíveis ameaças anônimas.

Colaborou Daniel Brito