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Correio Braziliense

Tradicional Setor de Indústrias Gráficas, aos poucos, abre espaço para outras atividades produtivas

Novos empreendimentos são atraídos pelo potencial econômico do Sudoeste, um dos bairros nobres da capital


postado em 19/03/2010 10:04

O sócio da fábrica e cervejaria Stadt Bier, Luiz Carvalho, diz que o espaço e o Sudoeste pesaram na escolha do local(foto: Adauto Cruz/CB/D.A Press )
O sócio da fábrica e cervejaria Stadt Bier, Luiz Carvalho, diz que o espaço e o Sudoeste pesaram na escolha do local (foto: Adauto Cruz/CB/D.A Press )
O Setor de Indústrias Gráficas (SIG) é não é mais o mesmo. A área, criada para abrigar principalmente empresas gráficas, de comunicação e financeiras, tem atraído empreendedores da prestação de serviços e do comércio. O motivo é a proximidade com o Sudoeste, bairro que começou a ser erguido em meados da década de 1980 e hoje abriga uma população de alto poder aquisitivo. Conforme o vizinho foi tornando-se uma área nobre, com habitantes demandando serviços e produtos de boa qualidade, oferecê-los a partir do SIG passou a ser uma boa opção. O metro quadrado da região, de início barato, ficou cada vez mais valorizado. Hoje, negócios de grande apelo junto ao consumidor colorem e mudam aos poucos a paisagem do setor.

Quatro salões de festas, uma academia, uma escola particular, uma faculdade, um cursinho, uma cervejaria, dois prédios de salas comerciais, duas boates de strip-tease. Esses são alguns dos estabelecimentos em atividade atualmente no SIG, além de comércios de menor porte. Também é possível ver canteiros de obras no setor (leia Saiba mais), que faz parte da Região Administrativa de Brasília. Há empreendimentos mais recentes, enquanto outros demonstram que a tomada dos lotes do setor pelo comércio e pelos serviços não é um fenômeno tão novo.

A fábrica de cerveja Stadt Bier, por exemplo, um dos estabelecimentos mais antigos entre os não tradicionais do SIG, se instalou na Quadra 6 em 2004. Além de produzir e distribuir bebida para vários bares da capital, abriga um bar com capacidade para cerca de 150 pessoas. “Optamos pelo SIG porque dava para abrigar a fábrica conjugada com o bar, e tem a vantagem da proximidade com o Sudoeste”, diz Luiz Cláudio Carvalho, 49 anos, um dos sócios da cervejaria.

O casal Meyre Helen e Luís Roberto abriu duas casas de festas no SIG. Entre as vantagens, os dois destacam a falta de vizinhança para reclamar do barulho(foto: Adauto Cruz/CB/D.A Press )
O casal Meyre Helen e Luís Roberto abriu duas casas de festas no SIG. Entre as vantagens, os dois destacam a falta de vizinhança para reclamar do barulho (foto: Adauto Cruz/CB/D.A Press )
Diversidade
Além de locais conhecidos e já consagrados pela população de Brasília, como a fábrica de cerveja, há os que são mais recentes no Setor Gráfico, como o administrado por Meyre Helen Moura dos Santos, 31 anos, e Luís Roberto Gonçalves dos Santos, 44. O casal, que durante muitos anos cuidou de apenas uma casa de festas no Sudoeste, a Taco Boom, escolheu o SIG para abrir mais duas, respectivamente em 2008 e 2009: a Big Boom, na Quadra 8, e a Friend’s Hall, na Quadra 6. A primeira é específica para festas infantis. A segunda pode abrigar eventos para crianças e para adultos.

“A procura tem sido grande desde que abrimos as duas casas”, comemora Luís Roberto. Ele diz que passou a ficar de olho no SIG a partir do momento em que o setor abriu espaço para a diversidade de negócios. “É uma área central da cidade, próxima ao público do Sudoeste, e afastada da vizinhança residencial. Para uma casa de festas é ideal, porque não temos o problema das reclamações em relação ao barulho”, afirma. O empresário, que, por enquanto, aluga os espaços e desembolsa R$ 30 mil por mês para mantê-los, garante que o investimento compensa.

Filho de um proprietário de gráfica que implantou seu negócio no SIG nos primórdios da criação da área, hoje, Diogo Salim, 28 anos, traça um caminho diferente daquele feito pelo pai. Ele é proprietário da Unique, uma academia de ginástica de alto nível que ocupa 4,8 mil metros quadrados na Quadra 8, e começou a funcionar em agosto do ano passado. “A região ficou muito central e valorizada para se explorar só indústria. Simplesmente não compensa” afirma ele, cuja família é dona da gráfica Fórmula, na Quadra 4.

Diogo Salim é a favor da flexibilização da ocupação do Setor de Indústrias Gráficas. Ou seja, defende que, na letra de lei, a área deixe de ser restrita a negócios gráficos e de comunicação. Luiz Cláudio Carvalho, da Stadt Bier, compartilha a mesma opinião. “Não tem mais lógica essa ser uma área industrial. Quem tem lote com gráfica, hoje, prefere levar o negócio para outro lugar e locar o espaço. É mais lucrativo”, declarou.


EXCEÇÕES
Segundo as Normas de Gabarito (NGBs) traçadas para o SIG na época da edificação do setor, suas quadras seriam destinadas principalmente ao funcionamento de gráficas, empresas de comunicação e bancos. No entanto, foram reservados lotes para restaurantes, padarias, postos de gasolina, lanchonetes e outros pequenos comércios que pudessem suprir as necessidades dos trabalhadores do setor. Um exemplo é a Quadra 3, onde lojinhas e restaurantes funcionam fora do esquema dos alvarás precários.

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