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Correio Braziliense

População de Luziânia reclama da polícia


postado em 12/04/2010 08:58

Luziânia acordou ontem sob o clima de estarrecimento. A revelação de que os seis desaparecimentos que atemorizaram a população durante os últimos meses eram fruto de um crime bárbaro supostamente praticado pelo ex-presidiário Admar de Jesus, 40 anos, provocou revolta entre os moradores da cidade de pouco mais de 210 mil habitantes. Eles reclamavam da demora da polícia em desvendar o caso e da negligência da Justiça ao colocar em liberdade um psicopata tido como perigoso e condenado por crime sexual. Mas a população também não escondia o alívio com o fim do mistério. Desde o sumiço das primeiras vítimas, as famílias de Luziânia, principalmente as do bairro Parque Estrela Dalva — onde moravam os adolescentes Diego Alves Rodrigues, 13 anos, Flávio Augusto dos Santos, 14, Divino Luiz Lopes da Silva, 16, Paulo Victor Vieira de Azevedo Lima, 16, George Rabelo dos Santos, 17 e o jovem Márcio Luiz de Souza Lopes, 19 —, viviam sob angústia e medo, sem saber de onde poderia vir o perigo.

Apesar de ser a quarta a maior cidade em número de habitantes de Goiás, Luziânia ainda preserva ares e hábitos de cidade do interior, em que os vizinhos se conhecem e batem papo na rua. E na padaria, na igreja, no bar ou no posto de gasolina, o crime era tema das conversas da maioria dos moradores. Onde se avistava um grupo de duas ou mais pessoas, a prisão de Admar de Jesus e a descoberta dos corpos eram comentadas com espanto e revolta.

Enquanto aguardavam o início da transmissão do jogo em um bar próximo ao centro da cidade, seis moradores falavam sobre a barbárie. Apesar de garantirem estar tranquilos com a prisão, os amigos culpam a justiça e a polícia por terem colocado em liberdade o suspeito de praticar os crimes. “Há seis famílias sofrendo por causa da legislação, que soltou esse maníaco após ele ter cumprido um sexto da pena. Ele é um psicopata. Poderia continuar a praticar crimes”, revolta-se o bancário José Rubens Machado, 48 anos. Opinião compartilhada pela administradora Delsimar da Silva, 29 anos. “Ele deveria ter ficado preso. Ele é um psicopata, tramou tudo isso com uma estratégia muito bem traçada. Ele é uma ameaça à sociedade”, afirma a jovem.

Rede
O caso chocou tanto a cidade que algumas pessoas não conseguem nem mesmo acreditar que se trate da ação de um serial killer. Amigo do pai de uma das vítimas, o agente administrativo Dídimo Rocha, 66 anos, acredita em algo a mais. “Desconfio que o pagaram para cometer esses crimes, para vender os órgãos ou coisa assim. Esses crimes são horrorosos”, lamenta Rocha, que complementa. “Não se tem mais segurança. A gente sai para trabalhar e não sabe se volta. A violência está em todo lugar, e não é só aqui em Luziânia.”

O garçom e estudante Wellington Carvalho Pinheiro, 17 anos, se diz aliviado, mas ainda sente alguma apreensão. “Espero que eles continuem mantendo policiais aqui. Luziânia está muito violenta, com muitas drogas. Por ser homem e estar dentro da faixa etária das vítimas, eu ficava preocupado de sair à noite. Até adulto tinha medo, porque não sabia quem era o sequestrador. Se pelo menos a polícia tivesse agido desde o primeiro caso, poderia ter evitado a dor de muitas famílias”, avalia o rapaz.

Para a enfermeira Rosa Maria Silva, a autoria do crime não chegou a surpreender. “Sempre achei que os sumiços tinham relação com pedofilia. Foi uma falha da justiça ter soltado esse doente, mesmo com bom comportamento”, reclama. A enfermeira, que trabalhou em contato com um psicopata há alguns anos, justifica: “O psicopata tem esses momentos de bom comportamento. A pessoa se expressa bem, age normalmente, e você jamais imagina que ela é psicopata ou desequilibrada. Mas é uma doença séria, e por isso ele não deveria ter sido solto”.

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