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Correio Braziliense

Disputa está polarizada


postado em 17/04/2010 07:25 / atualizado em 17/04/2010 07:30

Os dois candidatos com mais chances de vitória na eleição de hoje, Wilson Lima (PR) e Rogério Rosso (PMDB), têm perspectivas em cenários opostos. A oportunidade do governador em exercício de permanecer no cargo está concentrada no primeiro turno(1). Se as eleições tiverem duas etapas, no entanto, aí quem cresce a ponto de levar a melhor é Rosso. Até ontem, os oponentes trabalhavam para consolidar os quadros que mais os favoreceriam na disputa de hoje. Ao fim do dia, a vantagem era de Wilson Lima, que contabilizava, pelo menos, 13 votos a seu favor, o necessário para a vitória em primeiro turno. A votação está marcada para esta tarde, a partir das 15h, no plenário da Câmara Legislativa.

Apesar de a margem estar apertada — basta uma desistência para a definição ser empurrada para segundo turno —, a crença no meio político é de que, se esse placar for mantido no momento em que Lima pisar no plenário, é possível que ele ganhe adesões de última hora, o que seria decisivo para lhe dar a eleição ainda em primeiro turno. A maioria dos distritais não admite perder. Se perceberem que o placar se mantém a favor de Lima, eles devem se aliar ao favorito. Com exceção dos deputados declaradamente contrários à candidatura de Wilson Lima, como os do PT, aqueles que ainda não estão fechados com um dos candidatos entendem que as dissidências poderiam comprometer a relação com o governo e, por isso, não tendem a arriscar.

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Se Wilson Lima, no entanto, não conseguir amarrar os 13 votos, o quadro pode mudar totalmente. No primeiro turno, Rogério Rosso não deve conseguir mais do que sete apoiadores. Na tarde de ontem, nove partidos que reúnem pelo menos cinco votos no colégio eleitoral da Câmara Legislativa assinaram um compromisso público de união, com propostas para o eleito (leia mais na página 32). Participariam do acordo os três deputados do PMDB, o deputado Alírio Neto (PPS) e o distrital Aguinaldo de Jesus (PRB). Esse está formalmente inscrito numa das seis chapas para disputar a eleição indireta, mas deve desistir do embate porque não conseguiu puxar votos que lhe garantissem o ingresso no segundo turno. “A tendência é de retirarmos a candidatura. Caminhamos para um entendimento, porque queremos eleger o próximo governador e manter o Aguinaldo seria um sacrifício para ele que tem reeleição garantida na Câmara”, comentou o presidente do PRB e vice na chapa do distrital, Roberto Wagner. O apoio do grupo a Rosso é dado como certo.

Bastidores

Diferentemente do grupo que tende para o peemedebista, no caso de Wilson Lima, as alianças foram tratadas nos bastidores. Colaboradores do governador em exercício contavam como certos os votos do DEM (Eliana Pedrosa, Raad Massouh e Paulo Roriz), do PSDB (Milton Barbosa e Raimundo Ribeiro), de Jaqueline Roriz (PMN), Benedito Domingos (PP), Rogério Ulysses (sem partido), Batista das Cooperativas (PRP), além de Geraldo Naves (sem partido) e Pedro do Ovo (PRP). Se de fato votar em Lima, Pedro do Ovo passará por um constrangimento. Ele sempre foi um aliado de Rogério Rosso, não piscaria antes de dar suporte ao amigo não fosse o fato de que substitui na Câmara justamente Wilson Lima, que se perder a eleição volta e toma o seu lugar.

O posicionamento do PTB na tarde de hoje pode definir a eleição em primeiro turno. O partido lançou Luiz Filipe Ribeiro Coelho, mas também existe a hipótese de que a candidatura seja retirada minutos antes do votação. Isso ocorrerá se o partido fechar apoio a Wilson Lima, o que dará ao governador a vitória sem tira-teima. Caso a chapa do advogado permaneça, o embate seguirá para o segundo turno. E aí o papel decisivo passa a ser o do PT. Com quatro votos, o partido estuda se unir a Rosso para tirar de Wilson o governo do DF. Há ainda um cenário, o de eventual empate. Caso isso ocorra, os eleitores de Rosso podem optar por Antônio Ibañez, numa estratégia para evitar a vitória de Wilson. Pelas regras da Câmara, quando a eleição fica empatada, vence o mais velho, nesse caso, Ibañez.


1 - Maioria absoluta
O ato da Mesa Diretora da Câmara Legislativa que estabelece as regras para a eleição indireta prevê que o governador seja conhecido em primeiro turno caso tenha a maioria absoluta dos votos, estando presentes, no mínimo, 13 deputados distritais. Na hipótese de todos os 24 parlamentares aparecerem, o candidato vence na etapa inicial se conseguir 13 votos. Se não ele obtiver essa quantidade, seguem para o segundo turno as duas chapas mais votadas.

O número
257 dias
Duração do mandato do governador eleito indiretamente. O escolhido deverá ficar no cargo até 31 de janeiro


Colaborou Ana Maria Campos

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