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Correio Braziliense CRIME EM LUZIÂNIA

Suicídio é uma atitude incomum entre psicopatas


postado em 20/04/2010 08:12

A morte de Ademar Jesus da Silva não encerrou a discussão sobre o assunto que colocou o município goiano em destaque nacional. Ao contrário, o episódio gerou ainda mais polêmica. Especialistas consultados pelo Correio divergem em relação ao tema.

O delegado Paulo Tamer, da Polícia Civil do Pará, já atuou em algumas ocorrências envolvendo assassinos em série. O mais famoso foi o “Monstro da Ceasa”, em que um ex-militar confessou ter violentado sexualmente e executado três adolescentes na capital paraense. Para ele, é possível que um psicopata dê cabo à própria vida apenas para deixar uma lacuna em relação aos crimes que cometeu. “Aqui no Brasil não existem tantos casos de assassinos em série que cometeram suicídio, mas, no exterior, sim. Quando isso ocorre, não é por ele ter remorso das barbaridades que fez. A pessoa se mata para deixar no ar dúvidas que talvez nunca possam ser esclarecidas”, opina.

No entanto, há quem discorde dessa tese. Na opinião de Ulysses Rodrigues de Castro, da Associação Brasileira de Psiquiatria, o criminoso com tendência psicopata é desprovido de qualquer tipo de sentimento, inclusive o que pode levar a acabar com a própria vida. O especialista lembra que, em 18 anos trabalhando como psiquiatra forense, nunca trabalhou em um caso que acabasse em suicídio. “Não é comum uma pessoa fria e calculista se suicidar. Nesse caso pontual, acho que devemos esperar o resultado da perícia”, ponderou.

Ele também aproveitou para criticar a estrutura dos sistemas judicial e prisional no Brasil. Uma das propostas dele para evitar que presos como o pedreiro Ademar sejam beneficiados com a progressão de regime é a participação de psiquiatras forenses nos processos.

A professora de psicologia clínica da Universidade de Brasília (UnB) Cristina Moura compartilha da opinião de Ulysses. Para ela, alguém que não consegue se colocar no lugar de suas vítimas não tem predisposição para liquidar sua própria vida. “Dificilmente um psicopata se deixa levar pela comoção, arrependimento ou desespero. Ele procura outra forma para burlar esses sentimentos, mas não cometendo suicídio”, afirma.

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