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Correio Braziliense NOVO GOVERNO

PMDB e PT juntos no Buriti

O peemedebista Rogério Rosso deve convidar nomes do Partido dos Trabalhadores para ocupar cargos no Executivo local. A tendência é de que a resposta seja positiva, com os dissidentes postos de lado


postado em 21/04/2010 08:02 / atualizado em 21/04/2010 08:25

A aliança inédita entre PT e PMDB experimentada no dia em que Rogério Rosso foi eleito para o mandato-tampão até 31 de dezembro deve ser confirmada na prática com a partilha do governo entre as duas legendas. O PMDB vai convidar o PT para entrar no governo. E a tendência é que a resposta seja sim. Internamente, as duas legendas já começaram a pensar como se dará essa composição. O PT não é unânime sobre ocupar cargos no governo de Rosso, mas provavelmente os dissidentes serão votos vencidos na discussão.

Desde o momento em que o PT decidiu se aliar ao PMDB para derrotar a chapa do candidato apoiado por Joaquim Roriz — o então governador em exercício Wilson Lima —, a legenda com força para polarizar a eleição de outubro apoiou seu projeto de poder em pilares pragmáticos. “Temos a intenção de vencer no primeiro turno com a ajuda dos partidos que assinaram a Carta Brasília, base para a eleição de Rosso. De que adianta assumirmos um compromisso sem termos participação no governo? Queremos e devemos entrar para administração desde agora”, disse Hélio José, secretário de Relações Institucionais e Políticas do PT. Ele representa a Base Petista e Socialista, que tem dois dos 15 votos na executiva do partido.

A Hélio se unem mais petistas de outras correntes e de mesmo pensamento sobre a eleição de outubro. “A proposta para integramos o governo virá. Vamos sentar e discutir dentro do partido, e o resultado desse debate deve ser um desdobramento natural da parceria iniciada pela eleição indireta”, afirmou um petista que preferiu permanecer no anonimato. O pré-candidato do PT ao governo, Agnelo Queiroz, tem comemorado abertamente a dobradinha com o PMDB. Ele não deve se opor a que o partido tenha espaço no GDF.

Deputados fora
Um foco de divergência deve ser dentro da Câmara. Os distritais, que vão concorrer à eleição, dois dos quais à Câmara dos Deputados, estão preocupados com a repercussão que uma parceria oficial com o PMDB será interpretada entre eleitores. Chico Leite, por exemplo, é contra. “Só aceito me unir em causas”, comentou o parlamentar. Ele e Érika Kokay (PT) resistiam em votar no candidato peemedebista, como foi acordado pelo comando dos dois partidos, se houvesse segundo turno na eleição.

Paulo Tadeu e Cabo Patrício estão mais alinhados com o pensamento de que o PT terá de trabalhar desde já essa união com o PMDB para vencer o pleito de outubro. Nenhum dos deputados, no entanto, poderia assumir cargos no governo. Isso porque a legislação eleitoral proíbe candidatos a integrar a administração pública pelo menos seis meses antes da eleição.

O PMDB está em plena formação de governo. E o presidente regional da legenda, Tadeu Filippelli, é o principal negociador que tem como aposta amarrar a aliança construída nos bastidores trazendo o PT para preencher postos no GDF. Todo o processo vem sendo tratado nos bastidores e só será anunciado quando estiverem resolvidas entre os dois partidos as fatias de governo que serão reservadas ao PT.

Aliança nacional
Em meio às comemorações dos 50 anos de Brasília na Câmara dos Deputados (leia mais na página 44), o presidente da Casa, Michel Temer (PMDB-SP), disse ontem que a escolha do colega de partido Rogério Rosso para o comando do governo do DF é o início da consolidação da chapa PT e PMDB, em âmbito nacional e nos estados, para as eleições gerais de outubro. “Estamos tratando para construir uma aliança e, pouco a pouco, vamos construí-la”, analisou. Temer afirmou que “Brasília é maior do que os seus problemas”.

A declaração do cacique nacional da legenda antecipa o que se projeta nos bastidores para o futuro do DF. A formação da coligação PT e PMDB fortalece as ações do atual governo e dá palanque para os candidatos do próximo pleito, como os petistas Agnelo Queiroz, para o Buriti, e Dilma Rousseff, para o Planalto. As executivas nacionais dos dois partidos serão chamados a participar desse processo para fortalecer o espaço desses candidatos.

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