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Correio Braziliense PROPAGANDA

Faixas poluem a área tombada

Anúncios irregulares se multiplicam em gramados e balões do Plano Piloto, especialmente nos fins de semana


postado em 16/05/2010 08:54

Brasília voltou a ser invadida por todos os tipos de propaganda irregular. São faixas, adesivos, cartazes e placas irregulares, que poluem as áreas tombadas, especialmente em canteiros, nas áreas verdes e nos balões de entrequadras. Os avisos, feitos normalmente em cores gritantes, se multiplicam nos fins de semana e oferecem os mais variados serviços: venda de automóveis, de apartamentos, espetáculos teatrais, aulas de reforço escolar. “Brasília é uma cidade mais organizada na concepção urbana. Mas, com essa poluição visual, o passeio deixa de ser agradável”, avalia o diplomata Cláudio Mendes, 38 anos.

Centro da cidade/ Em frente à Galeria dos Estados, as faixas estão instaladas em uma curva, o que atrapalha os motoristas(foto: Antônio Cunha/Esp/CB/D.A Press )
Centro da cidade/ Em frente à Galeria dos Estados, as faixas estão instaladas em uma curva, o que atrapalha os motoristas (foto: Antônio Cunha/Esp/CB/D.A Press )
Os exemplos do excesso de mensagens publicitárias pelas ruas do Plano Piloto, região que só pode receber anúncios autorizados, estão por toda parte. Há dois sábados, o Eixinho W estava tomado por anúncios de imóveis, ofertados pela imobiliária Conde, que posicionou pequenas faixas a cada duas quadras, invadindo até mesmo o Eixão Sul. Nos viadutos e nos balões próximos às áreas residenciais, a abordagem dos anunciantes é mais agressiva. As pistas que conectam as quadras 116 e 216 Norte foram tomadas por anúncios de uma peça apresentada por uma companhia de teatro da cidade. A propaganda foi afixada nos dois lados do viaduto e na área comercial. Nas tesourinhas da Asa Norte reinam os anúncios de empresas especializadas em lavagem de sofá. Em busca de clientela, algumas chegam a posicionar as faixas na tentativa de prejudicar a divulgação dos concorrentes.

Restaurantes
A W3 Norte é pródiga em anúncios do gênero, mas no fim de semana, a quantidade aumenta. Restaurantes expondo promoções são os principais adeptos do método. Quem circula pela avenida é avisado sobre preços vantajosos para comer churrasco, buchada, baião de dois e sarapatel e ainda descobre que existe um curso sobre biociências forenses e planos de saúde a R$ 98. Também é possível anotar telefones de marceneiros e vendedores de sinal de TV a cabo. Nem as árvores e os postes de luz escapam da irregularidade.

O chaveiro Davi Pereira, 25 anos, trabalha em uma banca na W3 e assiste de camarote à instalação das faixas. Ele vê muitas batidas de veículos na avenida e credita os acidentes à distração dos motoristas. “Eu leio todas as faixas, por sorte ainda não bati o carro.” Outro problema que ele aponta é o fato de muitas faixas serem instaladas nas curvas e retornos, atrapalhando a visão dos condutores.

Inconformada com a sujeira e a confusão das vias públicas, a presidenta do Conselho Comunitário da Asa Sul, Eliete Bastos, bota a mão na massa para acabar com a propaganda ilegal. “Já cheguei a tirar 118 faixas sozinha, em um dia”, conta. Hoje, para não sujar o próprio carro com tinta e ripas de madeira que se despregam dos anúncios, ela circula com uma tesoura e, sempre que encontra uma oportunidade, corta as faixas ao meio.

Segundo Eliete, o GDF concedeu uma van para a Zeladoria das Cidades, órgão da Administração Regional de Brasília, fazer a retirada do material. Mas, o combinado é que duas vans fariam o trabalho. O arranjo funcionou bem, segundo ela, até 2008, mas hoje, o serviço está praticamente abandonado. Bastos também questiona se as multas, regulamentadas em lei, vem sendo aplicadas. “Vejo muitas faixas reincidentes. Se o dono já tivesse recebido multa, certamente não faria de novo”, acredita.

O que diz a lei
A Lei Distrital nº 3.035/02 define, entre outros pontos, que nenhuma propaganda pode ser posicionada de modo que prejudique a visibilidade da sinalização, obstrua o trânsito, os pedestres ou os ciclistas. É proibido afixar propaganda com altura superior a 12m, nos canteiros centrais, na forma de cavaletes, em área pública, em árvores ou arbustos, em interseções ou rótulas de vias urbanas e rodovias, em linhas de poste e transmissão, em dutos de abastecimento de água ou em hidrantes. O texto também veda a colocação de anúncios em trevos, passagens de nível, viadutos, pontes, passarelas, túneis, muretas ou grades de proteção de rodovias, ferrovias e metrovias. O artigo 60 proíbe ainda a instalação de faixas em áreas públicas nas áreas de domínio do Sistema Rodoviário do Distrito Federal.

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