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Correio Braziliense CAIXA DE PANDORA

Indefinição sobre os cargos de Eurides


postado em 16/05/2010 09:02

O afastamento de Eurides Brito (PMDB) do mandato gerou dúvidas no comando da Câmara Legislativa de como proceder com a saída da parlamentar, que foi determinada pela Justiça na última sexta-feira. A Presidência da Câmara não sabe o que fará com relação à estrutura de gabinete vinculada ao mandato da distrital, que continua recebendo salário de R$ 12,4 mil. Por isso, pedirá na próxima segunda-feira um parecer da Procuradoria-Geral da Casa com o objetivo de obter respostas quando às providências com relação à verba de gabinete e aos servidores ligados à peemedebista, impedida de permanecer na Câmara por decisão do juiz Álvaro Ciarlini, da 2ª Vara de Fazenda Pública do Distrito Federal.

Um dos primeiros passos do encaminhamento à vaga aberta pela distrital deve ser a convocação do suplente de Eurides, o médico Roberto Lucena. Ele é irmão de Gilberto Lucena, dono da Linknet, uma das empresas suspeitas de participação no suposto esquema de pagamento de propina para a base aliada do governo José Roberto Arruda, base do escândalo da Caixa Pandora.

Se a presença de Roberto Lucena de fato se confirmar, haverá um redistribuição de forças em plenário. O médico é filiado ao PR e entrará, muito provavelmente, já alinhado com os interesses do chamado grupo independente, hoje formado por seis parlamentares: Wilson Lima (PR), Eliana Pedrosa (DEM), Paulo Roriz (DEM), Raimundo Ribeiro (PSDB), Milton Barbosa (PSDB) e Jaqueline Roriz (PMN). Com sete membros, além de quatro petistas da oposição e mais José Antônio Reguffe, do PDT, o grupo pode ganhar musculatura em votações de interesse do governo, já que, juntos, farão exatamente metade do plenário. Em caso de empate durante a análise de um projeto, o voto de minerva seria do presidente Wilson Lima (PR), também adepto aos autodenominados independentes.

Eurides Brito é acusada pelo Ministério Público de usar o mandato para tentar interferir no processo que investiga a participação dela em um suposto esquema de corrupção detalhado no Inquérito nº 650 do Superior Tribunal de Justiça. A decisão judicial tem o caráter liminar e, por isso, ainda pode ser contestada pela parlamentar, que tentará reverter o entendimento do juiz de primeira instância. Na manhã de hoje, a deputada dará uma entrevista coletiva. Em nota, Eurides alega que “foi surpreendida pelo noticiário de uma decisão que não conhece sequer o teor completo”. (LT)

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