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Correio Braziliense SEGURANÇA PÚBLICA

Policiais em greve geral

Agentes garantem que, a partir de hoje, só vão registrar nas delegacias ocorrências graves, como homicídios e latrocínios. Policiais militares podem seguir o movimento. As duas categorias cobram reajuste salarial de até 33% do governo federal


postado em 19/06/2010 09:29

A Polícia Civil entra em greve a partir das 8h de hoje. Com isso, as delegacias do Distrito Federal farão somente boletins de ocorrência de flagrantes e de crimes hediondos, que envolvam morte, como acidente com vítimas, homicídio e latrocínio (roubo seguido de assassinato). Aproximadamente 2 mil servidores da categoria decidiram ontem pela paralisação por tempo indeterminado, em assembleia realizada à tarde no Parque da Cidade. A corporação reivindica um reajuste de até 33% nos vencimentos, percentual que poderia ser pago de forma gradativa até setembro de 2012. A correção, no entanto, foi negada pelo governo federal, que custeia a área de segurança pública do DF.

O presidente do Sindicato dos Policiais Civis do Distrito Federal (Sinpol-DF), Wellington Luiz de Souza, lamenta os prejuízos que a paralisação causará aos brasilienses. “A população receberá esclarecimentos de como vão ser os trabalhos daqui em diante”, disse. Souza enfatiza que, apesar da interrupção nos trabalhos, os agentes e delegados não deixarão de ir às unidades policiais. “É uma greve qualitativa e não quantitativa. Os plantões seguem normalmente, mas somente os serviços essenciais serão realizados”, explica.

Segundo representantes da categoria, o último aumento salarial da Polícia Civil foi de 3%, concedido em janeiro de 2009. A remuneração dos profissionais da corporação varia de R$ 6 mil a R$ 10 mil. Eles lutam pelo aumento salarial e pela reestruturação da carreira. O vice-presidente do Sinpol, Ciro José de Freitas, afirma que as negociações da cúpula de segurança pública com a União começaram em agosto passado. Segundo ele, o governo local concordou com as reivindicações e encaminhou o pedido ao Executivo federal. “É preciso que um projeto de lei ou uma medida provisória sejam encaminhados ao Congresso Nacional. O processo parou aí”, detalha.

Apoio

O coordenador do Fórum das Associações dos Policiais Militares e Corpo de Bombeiros do DF, coronel Mauro Manoel Brambilla, apoia a greve da outra corporação. “O movimento é legítimo. Não se trata de uma reivindicação de última hora”, avalia. Segundo ele, a PMDF e os bombeiros atenderão somente crimes e incidentes que caraterizem ameaças à integridade física do cidadão. “Está ocorrendo um episódio desrespeitoso à autonomia administrativa do Distrito Federal”, ressalta. Os policiais militares também esperam o mesmo aumento dos civis.

Os chefes das unidades de Polícia Civil continuarão trabalhando normalmente. No entanto, o presidente do Sindicato dos Delegados do DF, João Carlos Lóssio, avisa que a tendência é eles aderirem à paralisação. A decisão será tomada em assembleia na próxima quinta-feira. “Alguns são filiados ao Sinpol. Nada impede que eles interrompam os serviços desde agora”, pondera. No começo deste mês, os policiais civis fizeram uma paralisação-relâmpago de 48 horas e avisaram que poderiam entrar em greve geral caso o reajuste não fosse concedido.

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