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Correio Braziliense ELEIÇÕES 2010

Democratas ficam isolados

Com o PSDB ligado a Roriz e o PPS em negociação com o PT, o DEM provavelmente ficará sem aliados na disputa pelo GDF


postado em 25/06/2010 07:54 / atualizado em 25/06/2010 08:02

Augusto Carvalho (E) e Alírio Neto, representando o PPS, e Agnelo Queiroz e Tadeu Filippelli, que lideram a chapa PT-PMDB, se reuniram ontem para conversar sobre uma eventual coligação(foto: Cadu Gomes/CB/D.A Press - 21/8/08 )
Augusto Carvalho (E) e Alírio Neto, representando o PPS, e Agnelo Queiroz e Tadeu Filippelli, que lideram a chapa PT-PMDB, se reuniram ontem para conversar sobre uma eventual coligação (foto: Cadu Gomes/CB/D.A Press - 21/8/08 )
A opção pela chapa puro-sangue do DEM na última eleição pode se repetir em outubro próximo por falta de opções de aliados. A legenda pretende lançar o deputado federal Alberto Fraga (DEM) ao Governo do Distrito Federal, como herdeiro do espólio político do ex-governador José Roberto Arruda, mas tem encontrado dificuldades para montar uma coligação. O parceiro preferencial, PSDB, já fechou com o ex-governador Joaquim Roriz (PSC) e o PPS, potencial parceiro na disputa, flerta com a chapa PT-PMDB, no outro extremo da polarização.

No fim da tarde de ontem, Agnelo Queiroz (PT) e Tadeu Filippelli (PMDB) discutiram a formação de uma aliança com o PPS, representado na reunião pelos dois principais nomes da legenda no Distrito Federal, o deputado Augusto Carvalho e o distrital Alírio Neto. Aliado do tucano José Serra, o presidente nacional do PPS, Roberto Freire, não quer nem ouvir falar de seguir ao lado de petistas e peemedebistas, os anfitriões de Dilma Rousseff na capital do país. Em conversas reservadas, Freire já declarou que, se Agnelo for a opção da executiva regional, há grande
possibilidade de uma intervenção da direção nacional nas decisões locais do PPS.

Relação próxima
O problema é que Augusto Carvalho, candidato a novo mandato de deputado federal, sempre manteve uma relação política próxima com Agnelo e o PPS não admite pedir votos para Roriz. A via alternativa encabeçada por Fraga seria uma opção, mas há dificuldades para coligações proporcionais com capacidade para eleger deputados federais. Desfalcado desde a Operação Caixa de Pandora que abalou a sigla, o DEM não tem concorrentes competitivos para a Câmara dos Deputados. Augusto, então, deverá enfrentar problemas para preencher o coeficiente eleitoral necessário para conseguir se eleger.

Agnelo Queiroz saiu animado da reunião. Para o petista, uma aliança do PPS com o DEM não seria totalmente ruim porque ajudaria a viabilizar a candidatura de Fraga. A chapa democrata agrada a campanha petista porque é avaliada como capaz de roubar votos que seriam de Roriz. Apesar dessa vantagem, Agnelo e Filippelli preferem ter o partido na coligação, o que garante mais tempo de televisão e ainda mais estrutura no corpo a corpo com os eleitores, além de chance de emplacar mais deputados federais. “O lugar do PPS é no nosso campo. O partido é nosso aliado e tem o mesmo adversário. Acredito que estaremos juntos”, disse Agnelo.

José Serra
O lançamento da candidatura de Fraga ao Executivo está praticamente acertado com a executiva nacional do DEM. O ex-secretário de Transportes do governo Arruda tem o apoio do presidente da legenda, Rodrigo Maia (RJ), que vem costurando um acordo na direção regional, instância em que o provável concorrente ao Palácio do Buriti enfrenta certa resistência, especialmente do grupo liderado pelo ex-deputado Osório Adriano. Os dois tiveram um embate durante a discussão sobre candidaturas para o mandato tampão nas eleições indiretas da Câmara Legislativa, em abril. Houve até bate-boca. Na semana passada, Fraga chegou a brincar que tinha conflito interno com a dupla “Gagá e Sem-voto”, referindo-se a Osório Adriano e ao senador Adelmir Santana, presidente regional do DEM que chegou ao Senado como suplente do empresário Paulo Octávio(1).

Apesar das dificuldades, Fraga afirma acreditar no potencial de sua candidatura. Em conversas com integrantes da cúpula do seu partido, ele aposta que Joaquim Roriz não estará na disputa até o fim. O deputado que não tem papas na língua também desafia a direção do PSDB. Ele disse que não acredita que os tucanos estarão na chapa de Roriz. Na tarde de quarta-feira, a ex-governadora Maria de Lourdes Abadia esteve na casa de Roriz para anunciar que o PSDB decidira apoiá-lo na busca do quinto mandato de chefe do Executivo. “A dona Maria de Lourdes (Abadia) está refém de alguma coisa. Não faz sentido deixar um bloco competitivo com o DEM para apoiar Joaquim Roriz”, ataca Fraga.

De acordo com o deputado, o DEM, parceiro nacional do PSDB, precisa receber de volta o apoio para a chapa presidencial de Serra. “Eu não aceito apoiar o PT, mas não tenho nada contra a Marina (Silva, candidata do PV à Presidência”, sustentou. “Que história é essa de usar o DEM e não nos apoiar nos estados?”, reclamou.

1 - Na carona
Eleito suplente de Paulo Octávio em 2002, Adelmir Santana virou senador em dezembro de 2006 quando o titular do mandato renunciou para assumir o cargo de vice-governador do Distrito Federal. Ele disputou apenas uma eleição, para deputado distrital, mas não se elegeu. Na próxima eleição, Santana deve concorrer novamente a uma vaga para o Senado Federal.

"A dona Maria de Lourdes (Abadia) está refém de alguma coisa. Não faz sentido deixar um bloco competitivo com o DEM para apoiar Joaquim Roriz"
Alberto Fraga, Deputado federal e possível candidato do Democratas ao governo do DF

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