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Correio Braziliense

Garoto agredido é operado

Estudantes discutem no Caseb. Mais tarde, dois deles são espancados no ponto de ônibus por oito acusados. Uma das vítimas está internada em estado grave


postado em 03/07/2010 11:30

(foto: Rafael Ohana/CB/D.A Press )
(foto: Rafael Ohana/CB/D.A Press )
Uma discussão entre estudantes do Centro de Ensino Fundamental Caseb(1), na 909 Sul, terminou em selvageria. Por volta do meio-dia de quinta-feira última, um jovem de 15 anos foi espancado por pelo menos oito adolescentes — sendo cinco identificados pela vítima como estudantes do colégio. A agressão ocorreu na parada de ônibus da 710 Sul, a cerca de 300 metros da escola. O menino foi atacado com paus e pedras e ficou desacordado. Levado pelo Corpo de Bombeiros ao Hospital de Base do Distrito Federal (HBDF), teve que ser submetido a uma cirurgia para a retirar um coágulo no cérebro. Até o fechamento desta edição, ele permanecia internado em estado grave.

A vítima estava acompanhada de um primo e uma prima, de 15 e 12 anos, respectivamente. O rapaz também apanhou, mas teve apenas escoriações leves. A garota foi pivô da discussão e assistiu a tudo. Ela contou ao Correio que a confusão começou porque dois dos agressores que estudam na sua turma começaram a chamá-la de um apelido que ela não gosta. A menina tirou satisfação e foi empurrada por um dos jovens. Os primos presenciaram o incidente e correram para defendê-la. Depois de muito bate-boca, os dois foram jurados de morte. Preocupados, eles contaram sobre a ameaça ao vice-diretor do estabelecimento de ensino, que chamou todos os cinco envolvidos na discussão e aplicou uma suspensão de um dia para cada um. De acordo com a jovem, o educador teria desqualificado a denúncia com ironia. “Ele falou que quem fala demais não faz nada e que a gente tinha que se preocupar é com quem fica quieto”, contou a garota.

Adolescente de 15 anos está com ferimento na cabeça: medo e terror(foto: Rafael Ohana/CB/D.A Press )
Adolescente de 15 anos está com ferimento na cabeça: medo e terror (foto: Rafael Ohana/CB/D.A Press )
Paulada
Ao tocar o sinal de término das aulas do turno matutino, os três primos se dirigiram ao ponto de ônibus para pegar uma condução com destino a Ceilândia, onde moram. Enquanto esperavam, foram surpreendidos pelo grupo. “Eu só vi quando meu primo levou uma paulada na cabeça. Quando olhei para trás, tinha um monte de meninos com paus vindo em nossa direção. Eu tentei reagir, mas eram muitos. Eles só pararam de bater porque pensaram que meu primo estava morto”, contou o adolescente.

Os dois jovens estão com medo de voltar a estudar devido às ameaças que sofreram. “Eles falaram que nós não passamos de segunda-feira. Eles são perigosos. Pertencem àquela turma que gosta de arrumar confusão”, disse a adolescente. A mãe do garoto internado afirma que não vai mais permitir que seu filho volte a frequentar o Caseb. “Vou transferir para outra escola. Não vou correr o risco de deixar meu filho estudando com bandidos”, revoltou-se.

Ela também ressaltou que a agressão poderia ter sido evitada se o vice-diretor tivesse tomado outra postura quando soube das ameaças. “Eles foram informar que estavam recebendo ameaças e foram punidos. Isso é atitude de alguém que trabalha com educação? A obrigação dele era me ligar. A escola não fez o seu papel”, reclamou. A avó da menina ofendida reclamou da ausência do Batalhão Escolar na hora da briga. “Eles (os policiais) deveriam estar por perto. Acho que apenas a presença policial teria intimidado esses rapazes a agir com essa violência”, disse.

1 - Tradição
O Caseb é uma das escolas mais antigas do Distrito Federal. No último dia 17, completou 50 anos. A data foi comemorada com um café da manhã que contou com a participação de professores, alunos e funcionários. Um grupo teatral encenou uma dramatização da entrada do presidente Juscelino Kubitschek no Caseb para proferir a aula inaugural. Atualmente, a instituição atende cerca de 800 estudantes do ensino fundamental.

Para a PM, caso isolado

O comandante do Batalhão Escolar, coronel Maurício Andrade da Silva, garantiu que o policiamento no perímetro escolar é eficiente e explicou que a agressão ocorreu fora do raio de ação dos militares. “O Batalhão Escolar atua de forma mais presente no perímetro escolar, com rondas a pé e em motocicletas, mas o que aconteceu fugiu dos olhos dos policiais. Isso foi um fato isolado. Não é todo dia que são registradas ocorrências dessa natureza”, ressaltou.

O oficial também cobrou uma participação maior da família na construção da cultura de paz no ambiente escolar. “A escola, a polícia e a família precisam estar em sintonia para que os jovens não se envolvam em brigas”, disse Maurício da Silva.

No entendimento da subsecretária de Educação Integral, Cidadania e Direitos Humanos, Ivanna Torres, a diretoria do Caseb fez o que era possível. “Não se pode responsabilizar a escola sobre um episódio que ocorreu fora dela. Enquanto o problema estava dentro do colégio, a diretoria agiu corretamente, aplicando as medidas disciplinares que julgou necessária, mas, no meu entendimento, o vice-diretor não poderia acompanhar esses alunos até em casa. Três suspeitos já foram identificados e suspensos. O papel da escola foi feito”, ressaltou.

O diretor do Caseb, Edmilson Rodrigues, informou que o Conselho de Segurança da escola será acionado. O intuito é chamar todos os envolvidos no episódio de violência com seus pais para discutir soluções visando a harmonia na escola e que as vítimas não se sintam intimidadas no retorno à sala de aula. O caso está sendo investigado pela Delegacia da Criança e do Adolescente. (SA)


Memória

1º de outubro de 2009
Um jovem de 15 anos foi espancado por um colega de turma no Centro de Ensino Fundamental 416 de Santa Maria. A violência ocorreu depois que os dois discutiram em sala de aula. O jovem chegou a ficar desacordado após levar vários chutes e socos na cabeça.

2 de outubro de 2009
Uma garota de 15 anos foi espancada por colegas até desmaiar quando saía do Centro de Ensino Fundamental 2 de Riacho Fundo I. Segundo a tia da vítima, a menina estava acompanhada da avó e do irmão, que também levaram chutes e socos.

25 de agosto de 2009
Uma adolescente de 15 anos foi agredida em uma briga de rua no Gama. A estudante foi abordada por duas colegas de classe, na Quadra 1 do Setor Sul, assim que saía da Escola Classe 11. Após ser espancada, a garota foi levada ao Hospital Regional do Gama em estado grave. O crime aconteceu a 500 metros do colégio onde as garotas estudavam. De acordo com parentes da vítima, a menina foi vítima de vingança, por ter, um mês antes, defendido uma amiga de outra briga.

30 de maio de 2008
O professor Valério Mariano dos Santos foi agredido com chutes e socos por um ex-aluno no Centro de Ensino Fundamental Nº 4 de Ceilândia Sul. A briga teria sido iniciada próximo à sala de aula do professor. Em seguida, o agressor teria ido até o estacionamento e quebrado o vidro do carro de outro funcionário da escola. O professor desmaiou com as pancadas e teve que ser levado ao Hospital de Base com ferimentos graves.

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