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Correio Braziliense

Campanha pelo Buriti será milionária

Na disputa pelo Palácio do Buriti, Agnelo Queiroz e Joaquim Roriz informaram que pretendem gastar até R$ 35 milhões e R$ 10 milhões, respectivamente. A soma das previsões máximas dos candidatos a todos os cargos pode chegar à casa do bilhão


postado em 06/07/2010 07:00 / atualizado em 06/07/2010 07:50

Foi dada a largada para a campanha eleitoral de 2010 na capital do país, cujo primeiro prêmio é o Palácio do Buriti. Quem vencer em outubro ganha o direito de comandar um orçamento anual de R$ 21 bilhões. Não de graça. O volume de dinheiro investido para ter acesso ao poder também tem cifras para lá de consideráveis. Somando a estimativa informada pelos próprios concorrentes, em três meses as campanhas para governador, senador, deputados federais e distritais podem movimentar no Distrito Federal até R$ 1,7 bilhão.

No ato de registro das candidaturas, as chapas são obrigadas a informar ao Tribunal Regional Eleitoral (TRE) quanto pretendem gastar na campanha. Devem registrar a despesa máxima prevista. Esses dados são monitorados pela própria Justiça, que pune com multa as coligações que extrapolarem o limite informado. Na tarde de ontem, representantes das oito chapas com postulantes ao Governo do Distrito Federal calcularam os valores de suas campanhas.

O maior volume de dinheiro ficará concentrado nas candidaturas de Agnelo Queiroz (PT) e do ex-governador Joaquim Roriz (PSC) (1). Os dois, aliás, chegaram a se encontrar ontem em frente ao TRE, no momento do registro das candidaturas. O petista declarou ao TRE que gastará, no máximo, R$ 35 milhões. Roriz, por sua vez, informou que seu teto é R$ 10 milhões. A coligação liderada pelo PT, que reúne 11 partidos, entre eles o PMDB de Tadeu Filippelli, prevê injetar até R$ 5 milhões para promover cada candidato a deputado federal. E calcula o limite de R$ 2 milhões no caso das disputas à Câmara Legislativa.

Como a chapa PT/PMDB lançará, no total, 500 candidatos para os cargos de governador, vice, senador, deputados federais e distritais, o investimento total, caso os candidatos utilizem o máximo dos gastos informados, seria de R$ 1,1 bilhão. No grupo liderado por Roriz, que indicará 388 nomes para a disputa de outubro, a soma dos valores declarados ao TRE equivale a uma média de R$ 550 milhões. Na coligação do ex-governador, há partidos, como o PSC, cujos candidatos a deputado federal informaram à Justiça que não pretendem passar de R$ 1 milhão. Outros, o PMN por exemplo, onde está abrigada Jaqueline Roriz, trabalham com margem cinco vezes maior, de R$ 5 milhões.

Valores corrigidos
Há quatro anos, o balanço de gastos informado ao TRE também revelou campanhas milionárias. Em 2006, José Roberto Arruda, então candidato vitorioso, gastou R$ 9,6 milhões em valores corrigidos entre outubro daquele ano e maio de 2010 pelo IPCA (2). Na ocasião, o grupo da segunda colocada, Maria de Lourdes Abadia, havia investido na campanha R$ 8,6 milhões, também em cifras atualizadas pelo IPCA. A petista Arlete Sampaio foi, na época, a candidata mais econômica, tendo declarado despesa de R$ 1,7 milhão (quantia igualmente atualizada).

O volume de dinheiro informado no ato do registro de candidatura não é necessariamente o que os candidatos vão usar. Em alguns casos, o resultado final será menor. Mas há a chance também de revisão para cima. O concorrente que quiser aumentar a quantia declarada à Justiça terá de pedir uma autorização formal da correção de despesa.

De acordo com a assessoria de imprensa do candidato petista ao governo, Agnelo Queiroz, a campanha será transparente e o valor informado de R$ 35 milhões equivale ao máximo do que pode ser gasto e não, necessariamente, será usado. Joaquim Roriz, por meio de sua assessoria, também frisou que os R$ 10 milhões declarados ao TRE são uma estimativa e que os valores mais robustos apresentados pelos adversários têm o objetivo de “dar visibilidade a candidato desconhecido da maioria da população”.

E se é para falar de máximo, o PV, com pretensões de eleger Eduardo Brandão, não foi tão modesto quanto Roriz. Prevê gastar na campanha no máximo o dobro(R$ 20 milhões) do que o ex-governador. Mesmo montante informado pela coligação formada pelo PSL e o PTN, que quer emplacar Newton Lins. Bem menos dispendiosa será, em princípio, a campanha de Rodrigo Dantas do PSTU de, no máximo, R$ 30 mil ou a de Ricardo Machado PCO, com teto fixadoem R$ 20 mil. Toninho do PSol planeja chegar aos R$ 950 mil: “Será uma campanha franciscana”.

1 - Nomes das chapas
Onze legendas compõem a coligação que vai fazer campanha na tentativa de eleger o petista Agnelo Queiroz, tendo como vice Tadeu Filippelli (PMDB). A chapa foi batizada de Um novo caminho. Já Esperança renovada é o nome da coligação de partidos reunidos em torno da candidatura de Joaquim Roriz. Ao todo, nove legendas se aliaram em prol do ex-governador.

2 - Inflação
O Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), medido pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), é o indicador oficial usado pelo governo federal para aferir a inflação em determinado período.

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