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Correio Braziliense

Clínicas estéticas do DF funcionam sem UTI

CRM aceita discutir a implantação de unidades de terapia intensiva nos estabelecimentos que realizam cirurgias estéticas no DF


postado em 13/07/2010 07:00 / atualizado em 13/07/2010 07:49

Nenhuma clínica de cirurgia plástica do Distrito Federal possui leito de Unidade de Terapia Intensiva (UTI) conforme pede o Ministério Público. Nos 17 centros cirúrgicos registrados na capital, os médicos contam apenas com os equipamentos similares aos dos hospitais para garantir a ressucitação dos pacientes durante os procedimentos, como o que vitimou a tesoureira Marinalda Araújo Neves Ribeiro, 46 anos, na última sexta-feira. No entanto, essa realidade pode mudar em breve. O Conselho Regional de Medicina (CRM) procurou, pela primeira vez, ontem, o promotor de Defesa dos Usuários dos Serviços de Saúde (Pró-Vida), Diaulas Costa Ribeiro, para discutir a obrigatoriedade da implantação de UTIs nas clínicas. “Estou otimista com a iniciativa do CRM. Era o parceiro que queríamos”, adianta Diaulas.

O Conselho Regional de Medicina teve acesso ao protocolo de segurança elaborado, ao longo dos últimos quatro meses, pelo Ministério Público do Distrito Federal e Territórios, em parceria com a Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica (SBCP), a Sociedade Brasileira de Anestesiologia (SBA), além de médicos e especialistas. O estudo apresenta propostas de melhoria para clínicas e hospitais, inclusive, a exigência de uma unidade de terapia intensiva nos centros onde são realizadas cirurgias plásticas. Desde 2000, nove mulheres já morreram no DF e em Goiás durante cirurgia em clínicas.

Na batalha para salvar a vida dos pacientes que se arriscam nesses estabelecimentos, Diaulas se reuniu mais uma vez ontem com a Divisão de Vigilância Sanitária (Divisa) para estudar meios de cassar o alvará das clínicas que insistirem na realização de procedimentos sem a implantação das UTIs. Uma resolução da Agência Nacional de Vigilância, publicada do Diário Oficial da União em 25 de fevereiro deste ano, exige que os centros contratem uma unidade de terapia intensiva em hospitais durante o momento da cirurgia. Assim, o leito estaria disponível caso fosse preciso fazer a remoção. No entanto, a resolução tem prazo de 180 dias para entrar em vigor e só vale a partir do próximo mês.

Marinalda tinha um leito à disposição, mas nem chegou a ser transportada ao hospital. Morreu na sala de cirurgia, na Asa Norte. A frequência dos batimentos cardíacos desacelerou no início do procedimento. Os responsáveis tentaram reanimá-la por mais de uma hora. O inquérito policial foi instaurado ontem.

Os depoimentos de parte dos envolvidos no procedimento deve ocorrer até o fim desta semana. Ontem, policiais intimaram parte da equipe médica formada por dois anestesiologistas, um cirurgião, um instrumentista e um circulante a depor. O dono da clínica e os familiares também serão ouvidos. O médico responsável pela plástica é de São Paulo e ainda não foi intimado. Ele possui um registro na capital paulista e outro secundário que permite a realização de operações em Brasília. A morte de Marinalda é apontada como a primeira no currículo dele. Pacientes próximos contam que ele está em estado de choque. “Pretendo ouvi-los até sexta-feira, mas o médico deve ficar para depois, quando vier a Brasília.”

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