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Correio Braziliense

Sabor explosivo ganha preferência

Lançado por uma lanchonete no Guará, o sanduíche de tamanho grande e com muitas calorias chamado bomba conquista o gosto da clientela e, em pouco tempo, espalha-se por outros pontos do DF. A matriz da iguaria continua em alta, até porque o preço do petisco é reduzido


postado em 19/07/2010 08:48

Se o Guará tem uma comida típica, ela é, sem dúvida, a bomba — um sanduíche gigante que começou a ser vendido há 30 anos na QE 7 e nunca deixou de ser apreciado pelos moradores da cidade. Depois de fazer fama na região, o alimento calórico espalhou-se por Brasília inteira e chegou ao Entorno. Há lanchonetes batizadas com o nome do petisco em Taguatinga, Vicente Pires, Ceilândia, Riacho Fundo, Recanto das Emas, Gama, Valparaíso e Luziânia. A lista de lugares onde a bomba se instalou é enorme. Mas o espaço onde tudo começou, o antigo Marrom Glacê, hoje chamado de Bomba Grill, continua sendo um dos preferidos dos fãs da bomba.

A receita é pesada: pão de hambúrguer, carne bovina, queijo tipo muçarela, salsicha, ovo, presunto e salada. Tudo isso, acompanhado de 300ml de refrigerante, sai por, em média, menos de R$ 3. O tempo de preparo é de 4 minutos. Ao andar pelo Guará, o morador ou o visitante é chamado a consumir a bomba várias vezes. Há placas espalhadas pelas inúmeras esquinas com o convite tentador. Muitos não resistem. “Além de ser muito tradicional aqui no Guará, o lanche é bom e barato”, resume o servidor público Breno Aurélio de Paula, 46 anos, morador do setor de condomínios do Jockey Club.

A técnica em enfermagem Josete Pereira, 32 anos, degusta essa iguaria pelo menos uma vez por semana. Ainda pede o acompanhamento completo: refrigerante e batata frita. “Moro no Guará há sete anos e assim que cheguei me apresentaram a bomba. Desde então eu sempre como”, relatou. “Eu acho muito pesado e faz mal para a saúde, não tem vitamina nenhuma. Mesmo assim tenho que admitir que é superpopular. Bomba virou sinônimo de sanduíche em vários lugares”, completou o autônomo Wander Lacerda, 36 anos, ao lado de Josete.

O começo
A lanchonete onde essa ideia surgiu é um negócio de família que hoje está nas mãos do empresário Nelson Teles, 36 anos. “Meus parentes vieram para o Guará quando a cidade tinha pouco tempo de vida e montaram a lanchonete perto de onde era o único cinema daqui. Não tinha concorrência para vender lanche. Fica perto de uma pracinha e o pessoal saía da missa e vinha comer”, lembrou Nelson.

A bomba já fazia parte do cardápio da família Teles muito antes de ela sair de Luziânia e vir para o DF, em 1980. “O primeiro a chamar o sanduíche de bomba foi meu primo, Milton, por causa dos ingredientes pesados. Ele abriu a loja e muito tempo depois vendeu para mim e foi embora”, relatou o atual dono. Hoje, só na QE 7, existem cinco “bombas.” A maioria é da família de Nelson. A primeira loja cresceu, ficou mais sofisticada. Mas manteve, é claro, seu carro-chefe, a bomba, no menu. Acrescentou às opções do cliente o serviço de restaurante com pratos à la carte, sorvetes e açaí. O hambúrguer, porém, é o mais procurado. “A gente vende umas 200 bombas em um dia de semana. Por volta de 400 pessoas passam aqui diariamente”, afirma o dono do Bomba Grill. Em todo o Guará são vendidas mais de 700 bombas em um dia comum, segundo Nelson.

Concorrência
O sucesso levou vários comerciantes a montarem lanchonetes batizadas com o nome do sanduíche e vendê-lo com a mesma receita. Atualmente, nem é preciso sair de casa para conseguir a bomba. Basta pedir pelo telefone, no Alô Bomba ou no Disk Bomba. Mesmo com tantos concorrentes espalhados por aí, Nelson parece não se sentir ameaçado.

Alguns funcionários que saíram do bomba original montaram o próprio negócio e levaram com eles o segredo culinário. “Não registramos o direito de usar o nome bomba porque não era o nome da lanchonete no início, mas do sanduíche. Aí muita gente imitou. É complicado”, considera Nelson. Não é preciso ser nutricionista para saber: a bomba deve ser degustada somente às vezes, por uma questão de saúde.

Admiradores
O público é fiel. Se a representante comercial Rosangela Tocci, 40 anos, a mãe de Guilherme, 11, permitisse, o menino comeria a guloseima todo dia. Ela tenta controlar os hábitos alimentares do filho, mas também gosta do sanduíche. A família mudou-se do Guará para Vicente Pires (onde também há um ou mais Bombas), mas volta sempre à QE 7 para comer a delícia. “O daqui é mais barato e mais gostoso”, opinou Guilherme. “Parece que eles fritam a carne no óleo do bacon. Fica mais gostoso, o hambúrguer é melhor e a batata frita é mais sequinha”, conclui Rosângela.


Eu acho...

“Conheci a bomba há muito tempo e não enjoo. Não dá para comer direto, afinal não sou mais um menino. Mas gente mais nova e criança quer comer isso o tempo todo. Em cada esquina do Guará tem um Bomba. Às vezes vou a outros além do original; o importante é que é bom.”

José dos Santos, 48 anos, conheceu a bomba há 20 anos

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