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Correio Braziliense

Cuidados essenciais para alunos e familiares

Com o retorno da temporada letiva na abertura do segundo semestre do ano, a PM elabora uma operação especial e distribui cartilhas para pais e estudantes, orientando, em especial, sobre o trânsito


postado em 24/07/2010 07:18 / atualizado em 24/07/2010 14:35

Começam na segunda-feira as aulas do segundo semestre letivo da rede pública de ensino. Com isso, é necessário redobrar a atenção com a segurança pessoal e com o trânsito. O Departamento de Trânsito estima que o volume de carros em circulação aumentará em até 35%, trazendo para as ruas 400 mil veículos a mais durante a semana. A fim de orientar pais e alunos sobre os procedimentos adequados para evitar acidentes e situações perigosas, o Batalhão de Trânsito da Polícia Militar realiza a operação Volta às Aulas.

(foto: Lula Lopes/Esp. CB/DA Press)
(foto: Lula Lopes/Esp. CB/DA Press)
Todo o efetivo do BE — 530 policiais — participa da ação, devendo circular nas imediações das escolas fazendo blitzes de fiscalização e entregando cartilhas educativas com instruções aos estudantes, sobre a segurança do pedestre, e aos pais, para evitar congestionamentos no trânsito. Equipes formadas por oito policiais deverão fixar ponto em 50 escolas pelo Distrito Federal, situadas em locais mais perigosos. “Queremos garantir que o retorno dos alunos seja seguro. O trabalho é justamente para prevenir que acidentes aconteçam”, explica o subcomandante do batalhão, major Valtênio Antônio de Oliveira.

Com o inchaço da frota, a recomendação é que as famílias saiam mais cedo de casa para não pegar engarrafamentos. “Na hora de deixar os filhos na escola, os pais não devem estacionar nas faixas de pedestre nem formar filas duplas”, diz o major Valtênio. Os estudantes podem contribuir com a agilidade tendo todo o material escolar em mãos antes de chegar ao colégio. O Batalhão Escolar alerta os pais que contratam serviços de transporte para se certificaram de que os ônibus e vans têm permissão e registro no Detran para exercer a função e de que os veículos estão em dia com as vistorias.

Aos estudantes, as velhas e boas dicas de sempre: atravessar na faixa, andar em grupo e preferir locais movimentados. “Recomendamos também que os jovens evitem ostentar objetos de valor, como tênis, celulares e outros eletrônicos, para diminuir as chances de assalto”, completa o subcomandante. Em caso de ameaças ou situações perigosas, o aluno deve comunicar à direção da escola e à Polícia Militar, pelos telefones 9968-8950 e 190. O Grupamento de Operações Aéreas (GOA) também participará da operação. Nos horários de pico, o helicóptero da PM sobrevoará as escolas.

Avaliação
Para o secretário de Educação do DF, Marcelo Aguiar, o segundo semestre será uma oportunidade de rediscutir as estratégias e estruturas do ensino médio. Com os resultados do Exame Nacional de Ensino Médio (Enem) em mãos, Aguiar reconhece que o desempenho da rede pública está aquém do ideal e é prova de que mudanças são necessárias. “Precisamos fazer uma revisão do ensino público do DF. No ensino fundamental estamos bem nas estatísticas, mas o ensino médio está estagnado. Mesmo que tenhamos saltado da última posição para o 4º lugar no ranking nacional”, afirma.

Apesar de não concordar com a escala de escolas definida pelas notas da provas, o secretário de Educação acredita que o resultado aponta uma direção. “O que temos visto é que há um problema curricular, que precisa ser ajustado. Isso requer uma discussão grande, que envolva todos os segmentos da educação. Vamos, inclusive, conversar com o Ministério da Educação para definir o que pode ser feito”, informa.

Quatro perguntas para
Marcelo Aguiar, secretário de educação do GDF

Como contornar as dificuldades observadas na rede pública de ensino?
De forma geral, temos visto pelas avaliações do MEC que o ensino no DF tem melhorado. Mas ainda há lacunas. É preciso capacitar mais os professores, dar mais condições estruturais aos alunos. Temos, por exemplo, que começar a pensar no ensino médio profissionalizante. As classes mais baixas, em especial, têm uma expectativa de entrar no mercado de trabalho e a escola atual não acompanha isso, assim como não acompanhou as evoluções tecnológicas. Mas algumas medidas, como a desburocratização dos recursos, têm se mostrado eficazes.

Mas as escolas não têm recebido o dinheiro do Programa de Descentralização Administrativa e Financeira (Pdaf).
De fato, os recursos não foram distribuídos. O problema aconteceu porque muitas escolas tiveram problemas na prestação de contas. E é preciso analisar caso a caso. A rede tem 653 escolas. A maioria delas já está com o processo avançado e o dinheiro deve ser repassado nas próximas duas semanas.

Quais são os projetos previstos para o segundo semestre?
Vamos lançar o edital para a construção de quatro jardins de infância, que tem uma grande demanda. Após o período eleitoral, esperamos a liberação dos recursos do Ministério da Educação que viabilizarão o resgate do projeto das Escolas Parque, que serão distribuídas em outras cidades do DF. Também vamos transformar a Escola de Aperfeiçoamento dos Profissionais da Educação em uma instituição de ensino superior, como a Fundação de Ensino e Pesquisa em Ciências da Saúde (Fepecs), da Secretária de Saúde.

Uma restruturação no sistema de ensino leva tempo. O senhor deve permanecer no posto até janeiro, quando assume o novo governo. O que pode ser feito até lá?
Quando o assunto é educação, não se pode pensar em soluções imediatas. Tenho clareza de que não resolverei todos os problemas em seis meses, mas, se não dermos o primeiro passo, nada nunca vai mudar. Quero deixar como legado ao próximo governo essa discussão iniciada e uma secretaria em uma situação melhor do que a que encontrei quando a assumi. A classe política tem começado a entender que as ações na área de educação têm que ser perenes.

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