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Correio Braziliense

Presa dupla que desviava remédios

Uma funcionária da Secretaria de Saúde e o marido dela foram detidos em Taguatinga com 126 caixas de medicamentos desviados do orgão


postado em 24/07/2010 07:24 / atualizado em 24/07/2010 08:17

Uma funcionária da Secretaria de Saúde do DF (SES-DF) foi presa na quinta-feira, após ser acusada de receptar medicamentos desviados do órgão. Agentes da Delegacia de Repressão a Furtos (DRF) flagraram Rossana Alves Lima da Silva, 45 anos, e o companheiro dela — supostamente envolvido no esquema —, o aposentado Clarisvaldo Pereira da Silva, 54, no mesmo dia em que eles teriam recebido em casa um caminhão do SES-DF. O veículo estava carregado com 126 caixas contendo remédios das seguintes marcas: Kabipac, Halexistar — os dois compostos de cloreto de sódio — e Segmento, à base de glicose.

Os dois foram flagrados após uma denúncia anônima feita na mesma tarde à Policia Civil. O informante teria dito aos agentes que um veículo da Secretaria de Saúde com inscrições “venda proibida pelo comércio” e “embalagem hospitalar” estaria parado em frente a uma casa na QND 3 de Taguatinga Norte. “Após as informações, anotamos a placa do caminhão e confirmamos que era mesmo da secretaria. Depois disso, determinamos que policiais fossem até o local e encontramos os medicamentos no imóvel onde estavam Rossana e Clarisvaldo. Um representante do órgão comprovou que os remédios eram mesmo de lá”, relata o delegado-chefe da DRF, Alberto Passos.

O casal foi levado para a DRF, onde acabou autuado por receptação dolosa — delito com pena que varia de um a quatro anos de reclusão —, considerado inafiançável. “Mas se ficar comprovado que Rossana teve uma participação efetiva no caso, ela será autuada também por peculato (pena de dois anos a 12 anos de reclusão). Não descartamos a possibilidade dela ter desviado os produtos”, adianta Passos. De acordo com o titular da delegacia especializada, o casal teria alegado que os produtos eram destinados ao cunhado de Rossana, Heber Calazans da Silva, 54 anos.

Os policiais se deslocaram até o endereço informado pelos acusados, em Formosa (GO), onde ficaria a distribuidora de remédios de Heber. No entanto, o homem não foi localizado. Os investigadores não chegaram a entrar no estabelecimento por não possuírem permissão judicial para fazer vistorias no local. “Esperamos a autorização para entrar na distribuidora.”

Mais envolvidos
Segundo o titular da DRF, as investigações apontam para o envolvimento de mais pessoas. “Vamos aprofundar as análises, com depoimentos como o do motorista do caminhão e de alguém do setor de estoques de remédios do órgão. Se mais de quatro pessoas estiverem envolvidas, o crime passa a ser também de formação de quadrilha”, analisa o policial. Caso seja comprovado que Heber e mais pessoas se envolveram no desvio, os acusados irão responder em liberdade. A Secretaria de Saúde preferiu não se pronunciar sobre o caso.

Em depoimento, de acordo com o delegado-chefe, Rossana — que trabalha há 25 anos na casa exercendo a função de analista patológica da Policlínica de Taguatinga — alega não ter conhecimento da receptação. No entanto, ela confirmou que essa não teria sido a primeira vez que medicamentos foram descarregados na casa dela. “Fica difícil de acreditar que ela não estava a par do crime. Ela afirma que o marido tem envolvimento no delito.” Clarisvaldo não confessou participação e deixou claro que irá falar apenas em juízo.

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