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Correio Braziliense

Médico acusa colega na delegacia


postado em 24/07/2010 07:12 / atualizado em 24/07/2010 08:19

A apuração da Polícia Civil sobre uma provável falha no atendimento a uma gestante no Hospital Regional de Ceilândia (HRC) no momento do parto, que deixou o recém-nascido em coma, tomou novos rumos no fim da tarde de ontem. O médico acusado por Izabel Cristina da Silva, 33 anos, de tê-la abandonado quando ela dava à luz apontou outro colega como responsável. O delegado chefe da 15ª Delegacia de Polícia (Ceilândia Centro), Onofre de Moraes, tomou ontem o depoimento de dois obstetras do HRC, em busca de explicações.

Segundo o médico, até então suspeito de negligência, outro colega assumiu o procedimento, na troca de plantão. “Izabel teria sido avaliada pelo menos quatro vezes, de acordo com as informações do depoimento, na madrugada. Na última delas, pouco antes das 7h da segunda-feira, ela apresentava quase 10 centímetros de dilatação. O parto demoraria de 20 a 40 minutos para ocorrer. O médico estava saindo do plantão. Mesmo assim, deixou a sala para atender outra gestante, cujo marido estava gritando na emergência”, detalha o delegado.

Depois de avaliar a saúde da outra paciente, ele encerrou o plantão. Outro obstetra teria então assumido o procedimento, segundo consta no depoimento. “O plantonista seguinte entrou no centro obstétrico, avaliou Izabel e supostamente viu que o bebê estava prestes a nascer, com parte da cabeça para fora. Mesmo assim, ele deixou a sala dizendo que iria buscar material para o parto. O que é muito estranho, pois não seria preciso realizar uma cesariana”, explica Moraes.

O médico não voltou. A criança nasceu com ajuda de duas estagiárias (1) de medicina e duas enfermeiras. Ao notar que o bebê apresentava dificuldades para respirar, as funcionárias do hospital chamaram uma pediatra e ela tentou reanimá-lo. Faltou oxigenação no cérebro do menino, chamado João Pedro. Ele está em coma, na UTI neonatal do HRC, e pode ter sequelas. Na próxima semana, o delegado deve ouvir o médico citado no depoimento de ontem para confirmar as informações e decidir se haverá indiciamento por negligência. Somente um laudo do Instituto Médico Legal (IML) vai dizer os motivos das complicações no nascimento e se houve demora no atendimento, como alega a mãe.

1 - Sem médicos
De acordo com informações dos obstetras do HRC, faltam médicos ginecologistas na unidade de saúde. Seriam necessários oito profissionais para atender adequadamente a população. Há apenas dois em cada plantão. Ainda consta no depoimento que é “normal” os partos serem feitos pelas enfermeiras e estagiárias, sem a presença de médicos.

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