Jornal Correio Braziliense

Cidades

Desafios para os escolhidos nas urnas

Cidades que concentram o maior número de eleitores são também as mais carentes e que necessitam de atenção redobrada

As cidades que reúnem maior contingente populacional e quantidade de eleitores também figuram na lista das regiões carentes do Distrito Federal. Segundo dados da Pesquisa Domiciliar Socioeconômica do DF, divulgada no ano passado pelo GDF, Ceilândia, Samambaia, Planaltina, Gama e Santa Maria concentram 65% do número de domicílios e de habitantes incluídos como de baixa renda. É justamente nos problemas estruturais de cada uma dessas localidades que os que sonham com um cargo político nas próximas eleições deverão concentrar suas estratégias.

Ceilândia é a maior cidade do DF, com mais de 360 mil habitantes. É também o maior colégio eleitoral do Distrito Federal, com 309.873 votantes, o que corresponde a 16,87% do total de eleitores do território. Criada em 1971 para eliminar a invasão ilegal de terras, a cidade ganhou o nome que deriva do termo Conjunto de Erradicação de Favelas (CEI). É também o maior centro comercial, com mais de 4.500 estabelecimentos, além de 1.600 indústrias.

Mas nem por isso a pobreza está distante do lugar. Em um blog criado para que os moradores discutam os problemas da cidade, é possível encontrar queixas sobre segurança, falta de policiamento, asfalto precário e problemas de infraestrutura em geral. A dona de casa Maria da Piedade Rosa, 61 anos, faz questão de exercer a cidadania nas urnas. Nas eleições anteriores, a moradora do Setor O votou em candidatos que prometeram melhorias para o transporte público e para a qualidade de vida no DF. ;O investimento no metrô e nas linhas de ônibus é uma das coisas mais importantes;, avalia. Maria da Piedade também sonha com o dia em que os três filhos terão um imóvel próprio. ;Consegui minha casa há 30 anos por meio de um programa governamental. Quero o mesmo para eles;, afirma.

As cidades do Gama e de Santa Maria, juntas, correspondem a 11% dos eleitores do DF, com mais de 202 mil votantes. Santa Maria ganhou seu lugar no mapa em 1992, como parte de um programa de assentamento a famílias de baixa renda. Antes, era um núcleo rural que pertencia ao Gama. A cidade, com cerca de 22 mil domicílios, possui território 100% servido pela rede de esgoto, asfaltamento em progresso, mas sofre com a falta de segurança. No ano passado, a Polícia Civil passou a registrar 15 ocorrências diárias, em vez de 20, mas o problema ainda permeia as queixas dos moradores.

Empregos
Outra cidade crucial no cenário eleitoral do DF é Samambaia (1). O administrador afirma que a cidade tem crescido e há uma grande quantidade de empregos na construção civil. ;Hoje, somos o segundo maior canteiro de obras do DF. Precisamos importar mão de obra de outras cidades;, comemora Francisco de Assis da Silva. Por outro lado, ele também reconhece que há dificuldades na gestão da cidade. Faltam empregos para os mais jovens, ainda é preciso levar asfalto e rede de esgoto às quadras mais novas e recapear as vias antigas. A saúde também requer atenção. ;A demanda é maior do que a capacidade de atendimento do nosso hospital. Quando ele foi inaugurado, a população de Samambaia não passava de 70 mil;, relata.

Samambaia e Recanto das Emas são responsáveis por 8,5% do eleitorado local. O Recanto também surgiu com o intuito de coibir as invasões, em 1993. De acordo com o administrador, Stênio Pinho, a cidade integra um importante eixo de desenvolvimento, ao lado de Taguatinga, Samambaia e Riacho Fundo. Ele acrescenta que a localização e a proximidade com a BR-060 são fatores positivos para o crescimento. No entanto, admite que o polo atacadista, que será criado na cidade, é fundamental para aumentar as oportunidades de emprego, escassas na cidade. ;O Recanto das Emas também clama por um hospital. Em breve, ganharemos uma Unidade de Pronto Atendimento (UPA), que ameniza, mas não resolve a situação;, opina.

1 - Criação
Criada em 1989, também para erradicar invasões, a região administrativa, hoje com cerca de 186 mil habitantes, é cortada ao meio pela rede elétrica que abastece a região.