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Correio Braziliense

Zoológico de Brasília inaugura banco para guardar DNA de animais


postado em 29/07/2010 07:00 / atualizado em 29/07/2010 08:08

Já virou rotina clonar e promover o melhoramento genético de rebanhos de gado e de tropas de cavalos. Mas imagine se todos os animais selvagens da fauna brasileira também tivessem o DNA armazenado? Pois esse projeto inovador já está em andamento e será lançado hoje pelo Jardim Zoológico de Brasília. “Estamos criando uma reserva biológica estratégica e dando um grande salto para a preservação da biodiversidade”, explica o diretor do zoológico, Raul González Acosta. A proposta é guardar sêmen e células-tronco da bicharada para permitir fertilizações assistidas. E o projeto tende a ser ampliado nos próximos meses. “Pretendemos inserir no banco animais de outros países e regiões que também estejam ameaçados de extinção”, afirma a veterinária Gláucia Mansur.

A proposta inicial é guardar o material genético de 226 mamíferos que habitam o parque. “Os mamíferos são placentários e já havia uma tecnologia para desenvolver o projeto neles. Mas há um estudo em andamento sobre répteis e aves”, destaca Raul González. Até o momento, já foram congeladas células-tronco de um lobo-guará e um macaco-prego, mas não houve coleta de sêmen.

A zebra do zoológico, que perdeu seu companheiro recentemente, poderá sonhar com um filhote mesmo assim. O cachorro-do-mato-vinagre e a ariranha também estão sem seus pares, mas já têm a reprodução garantida. Por meio da fertilização in vitro, os veterinários vão garantir a reprodução com o uso dos espermatozoides de animais do Rio de Janeiro, de Curitiba (PR) e de Bauru (SP), respectivamente. “O sêmen poderá ser coletado em qualquer lugar e trazido para Brasília”, salienta a veterinária.

Laboratório
Os animais que não existem mais nos habitats naturais também poderão ser reproduzidos em laboratório, como é o caso do bisão. As espécies que sofrem de problemas de saúde também vão obter ganhos em qualidade de vida. “Temos uma leoa com problemas renais devido à idade avançada e ela deverá ser a primeira a testar o tratamento com células-tronco. Assim que fizermos a coleta do material, começaremos o procedimento”, reforça Mansur.

Para colocar a ideia em prática, os técnicos do zoo foram a campo colher informações na Hungria, na Polônia e em Portugal. Foi assim que montaram o Banco de Germoplasma de Animais Silvestres e Exóticos, o primeiro da América Latina, que reúne em um só local iniciativas que estão espalhadas em outros zoológicos. A tecnologia utilizada, no entanto, é completamente nacional. O banco é parte do projeto Casa do Futuro, um programa de cosncientização ecológica do zoo. “É consenso internacional que os zoológicos têm quatro objetivos: educação, lazer, conservação e pesquisa. Esste projeto atende a todos eles” , esclarece Raul González Acosta.

Conscientização ambiental

O passeio pela Casa do Futuro, com duração aproximada de 10 minutos, começa em uma antessala escura, em que é possível ouvir o barulho do fogo. Os monitores começam a explicar aos visitantes sobre primeiro ambiente: uma sala escura tomada pela imagem de uma gigantesca labareda, chamada Destruição. A imagem não emite calor, mas a luz que emana da figura incomoda. Diante da foto, um espelho fragmentado reflete o espectador como se ele estivesse sendo consumido pelas chamas. Na parede, informações sobre as queimadas que aniquilam as matas brasileiras todos os anos. “Essa sala simboliza o momento que vivemos”, explica Gláucia Mansur.

No espaço seguinte, batizado de Ainda Temos Tempo, a plateia assistirá a um vídeo, produzido especialmente para o projeto, que começa com a reprodução de sucessivas cenas de agressão à natureza. Na metade final da projeção, como se as imagens até então exibidas fossem rebobinadas, flores voltam a brotar, tragédias ecológicas se desfazem e o equilíbrio ambiental é reconquistado. A última cena mostra o planeta Terra se transformando em uma célula-tronco.

Em seguida, o visitante chega ao banco de sêmen e de células-tronco. Em uma câmara climatizada, ficam os três botijões de armazenamento e um de transporte, resfriados a 196° negativos. Em um deles, serão mantidas as amostras de sêmen e, nos outros dois botijões, ficarão guardadas as células-tronco para clonagem e para a realização de tratamentos. Antes de chegar ao banco, o material genético é coletado, levado ao laboratório, processado e analisado. Se gerar multiplicação suficiente para a continuidade do procedimento, é congelado e levado para o zoológico. O prazo para essa multiplicação ocorrer varia de 20 a 30 dias. Atualmente, o zoo aguarda para saber se o material genético de seis animais está se multiplicando conforme o esperado.

“Poderemos tratar animais que vivem em cativeiro, que têm vida mais longa e passam a apresentar doenças típicas da senilidade. Há pacientes com problemas renais e cardíacos, que poderão receber transplantes e até enxerto ósseo”, explica a veterinária. Segundo ela, o tratamento com células-tronco em cavalos de competição é uma constante. Processos de recuperação que poderiam durar até três meses podem ser feitos em apenas 30 dias. A proposta é estender o armazenamento genético para animais de companhia, os chamados pets, até o fim do ano.

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