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Correio Braziliense TRÂNSITO

Pedestre estão em perigo nas faixas de pedestres

No primeiro semestre do ano, 1.140 motoristas foram autuados por desrespeitar os pontos de travessia, que estão desgastados e mal sinalizados


postado em 12/08/2010 07:00 / atualizado em 12/08/2010 10:05

O atropelamento da menina Lucicleide da Silva Santos, 11 anos, no Pistão Sul, na terça-feira, chamou atenção para as condições das faixas de pedestres. Exemplo de cidadania para o resto do país, o respeito à sinalização está sendo deixado de lado. Por todo o Distrito Federal, é fácil deparar-se com uma faixa mal sinalizada ou desgastada. Desde janeiro deste ano, o Departamento de Trânsito do DF (Detran-DF) revitalizou 12,5% das 4 mil instaladas pela cidade, o que resultou num investimento de R$ 4 milhões. Além disso, é considerável a quantidade de motoristas que ainda insistem em ignorar os pontos de travessia. Apenas nos seis primeiros meses de 2010, 1.140 condutores foram autuados por descumprirem a lei.

O Correio percorreu cinco regiões do DF na tarde de ontem e constatou que o descaso com a sinalização ultrapassa as barreiras sociais e geográficas. “O motorista precisa ter em mente que os carros maiores (independentemente da presença da faixa) são responsáveis pelos menores. E todos são responsáveis pelos veículos não motorizados (bicicleta e carros de tração animal) e pedestres”, alerta Silvain Fonseca , diretor de Segurança de Trânsito do Detran.

Na QNM 4 de Ceilândia Sul, o Correio flagrou vários condutores ignorando os pedestres que tentavam cruzar a via localizada em frente ao Centro de Ensino Ebenézer, onde estudam cerca de 600 alunos, de 6 a 18 anos. “Conscientizamos nossos estudantes sobre o uso devido da faixa. Mas a imprudência da maioria dos condutores não permite uma travessia segura”, relata a diretora da instituição, Juscileide Holanda. Situação parecida enfrentam os alunos do Centro Educacional nº 2 de Sobradinho. “A sinalização está péssima, além disso, os motoristas não esperam a gente concluir a travessia. Ainda mais no meu caso, que estou com a perna quebrada e ando devagar”, reclama a estudante Karine Cristina Rodrigues, 16 anos. No Pistão Norte, em Taguatinga, as faixas praticamente não existem. Os motoristas trafegam em alta velocidade na via — que tem como limite 60km/h — e freiam bruscamente ao se aproximarem do ponto de travessia.

“Se a gente não colocar o braço, a perna e o resto do corpo, eles não param. Faço o certo para dar exemplo para o meu filho, mas está complicado”, justifica a bióloga Beatriz Gomes Pereira, 33 anos, moradora do Guará. O pequeno José Gomes, 4 anos, já tem noção do perigo que corre. “Tem que parar na faixa, mas os carros não param”, avisa.

O Detran informou que estão programadas a revitalização dos pontos de travessia existentes em Sobradinho, assim como implantação de mais faixas em Sobradinho, em Santa Maria e no Recanto das Emas. Atualmente, a sinalização horizontal está sendo instalada no Gama, em Ceilândia, no Paranoá, no Cruzeiro e no Plano Piloto, segundo o órgão. “Estamos trabalhando para manter a referência de Brasília de respeito à faixa. Em alguns pontos, pelo volume de pessoas, elas estão sendo trocadas por semáforos. Estamos buscando parcerias para a implantação de uma nova tecnologia”, afirma o diretor de Segurança de Trânsito do Detran. Ele destaca que o número de faixas revitalizadas este ano, 498, não é pequeno. “Na maioria, a pintura está na garantia.”

QUESTÃO CULTURAL
Em abril, o respeito à faixa de pedestres comemorou 13 anos. A cultura de respeitar o dispositivo surgiu da campanha Paz no Trânsito, que resultou em uma ampla mobilização da sociedade do Distrito Federal. Apoiada, desde o primeiro instante, pelo Correio Braziliense, a iniciativa ganhou as páginas do jornal. Em 16 de setembro de 1996, uma passeata, no Eixão Sul, reuniu 25 mil pessoas que pediam o fim da violência nas vias do DF. Uma das principais ações foi a conscientização da população sobre a necessidade de os motoristas respeitarem a faixa de pedestres.
Uma logomarca, criada pelo Correio, tornou-se o símbolo da campanha e, até hoje, é utilizada.

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