Jornal Correio Braziliense

Cidades

Grevistas da UnB ganham ajuda de custo, o Jetom

Sindicato dos servidores paga R$ 25 por dia aos integrantes do comando da paralisação, que já dura cinco meses. Críticas da Reitoria acirram os ânimos

Os cinco meses de greve dos trabalhadores da Universidade de Brasília já custaram ao Sindicato dos Trabalhadores da Fundação UnB (Sintfub) cerca de R$ 80 mil. A estimativa se refere aos gastos que a organização teve para bancar uma ajuda de custo de R$ 25 paga aos membros do comando de greve em dias de reuniões ou outras atividades de paralisação, iniciada em 16 de março. O jetom da greve tornou-se motivo de faíscas entre sindicato e a reitoria.

Para o coordenador-geral do Sintfub, Cosmo Balbino, as críticas da Reitoria ao pagamento da ajuda de custo fazem parte de uma estratégia para minar a força do movimento. ;Fiquei surpreso com o nível de mediocridade. Assim como no início da greve, a reitoria vem promovendo ataques ao movimento sindical;, afirmou o sindicalista. Em nota, o comando de greve considerou ;lamentável a manobra realizada pela administração da UnB na tentativa de colocar a categoria e a sociedade contra o Sintfub e, assim, deslegitimar a greve dos técnico-administrativos;.

O auxílio financeiro é usado, argumenta a entidade, para transporte e alimentação. A verba usada para a ajuda de custo vem da arrecadação mensal de 1% do salário dos 2.442 funcionários sindicalizados, que rende cerca de R$ 84 mil. ;Nesta greve, devido ao corte salarial (leia no Entendo o caso), nem colocamos em pauta a criação do Fundo de Greve, que descontaria mais 1% do salário para bancar os custos;, diz Balbino.

De acordo com o dirigente, a prática sempre existiu em movimentos de paralisação e a categoria tem ciência da aplicação do fundo, uma vez que aprovou a medida em assembleia no início da paralisação, em março. Atualmente, o número de funcionários do comando de greve oscila entre 18 e 21 funcionários. Em um dia de reuniões, isso representa um gasto entre R$ 450 e R$ 525.

;O Sintfub é uma entidade autônoma e independente e não tem o dever de prestar contas de seus gastos a ninguém além de sua base, ainda mais para quem banca a retirada salarial de 26,05% dos salários dos técnico-administrativos da UnB, a categoria com o menor piso salarial do Poder Executivo;, afirma a nota do comando de greve. O sindicato dos servidores recebeu apoio da Associação dos Docentes da Unb (AdUnB), que lançou nota defendendo o pagamento da ajuda de custo. A reitoria não quis se manifestar sobre o pagamento de jetom aos grevistas.

Legalidade
Segundo Cláudio Santos, professor de direito do trabalho do Centro Universitário de Brasília (UniCeub), os sindicatos são autônomos e têm o direito de arrecadar fundos para custear a greve, como previsto em lei. ;Se o caminho percorrido para se chegar ao benefício respeitou o que diz o estatuto do sindicato, o pagamento é legítimo;, afirma.

Hoje, a categoria dos trabalhadores se reúne em mais uma assembleia, mas as chances de que o fim da greve entre na pauta de votação são pequenas. ;Ficou todo mundo mordido. Acho difícil alguém querer votar pela saída. Ninguém faz greve para enriquecer. Prestamos contas nas datas corretas e a categoria sabe como o sindicato gasta o dinheiro;, conclui Cosmo.

Auditórios e um hotel

Passaram-se 48 anos desde que Oscar Niemeyer flertou com um Centro de Convenções dentro da UnB. O projeto que completará a estrutura prevista pelo arquiteto no espaço já ocupado pela Biblioteca Central (BCE) e pela Reitoria foi escolhido na última sexta-feira. Além do centro, será construído o Hotel da UnB. A proposta dos professores de arquitetura Matheus Gorovitz e Cláudia Garcia e dos alunos Eder Alencar e Ana Carolina Vaz venceu os outros três projetos que disputavam o concurso.

A construção dará vazão ao que Niemeyer pensou como a Praça Maior. ;O projeto tentou resgatar a ideia de ter uma praça nas mãos. Uma escala monumental, ou seja, um local que reúna os equipamentos centrais num só local e que esse local tenha uma configuração representativa. Como a Praça dos Três Poderes, que expressa o caráter monumental de Brasília;, explica Gorovitz. A proposta foi unânime entre o júri, formado por arquitetos e especialistas. Os R$ 40 milhões que financiarão as obras foram garantidos por emendas parlamentares da bancada do Distrito Federal no Congresso.

Dentro do complexo, estará o espaço para grandes eventos Aula Magna, com capacidade para mil pessoas. O Centro de Convenções terá dois auditórios com capacidades para 300 e 500 pessoas, salas de reuniões e locais para serviços gerais. O Hotel da UnB deve ser levantado entre a Biblioteca e a L4 Norte e terá 50 apartamentos duplos para receber conferencistas e participantes de eventos. ;Queremos recuperar a ideia de um centro de vivências, de uma história gregária. Esse caráter estava nas primeiras propostas da época que a universidade foi instalada. Niemeyer tem um projeto que não foi concluído;, diz Gorovitz.


O que diz a lei

A greve no funcionalismo público não é regulamentada no Brasil. Mas uma decisão do Supremo Tribunal Federal (STF) em 2007 criou uma jurisprudência que aplica ao setor público a Lei Federal n; 7.783/89, que estipula as normas para a paralisação de trabalhadores da iniciativa privada. A legislação assegura o direito de greve e reconhece a entidade sindical ou comissão especialmente eleita como representante dos interesses dos trabalhadores nas negociações ou na Justiça do Trabalho. Os incisos do art. 6; garantem aos grevistas o direito de o empregar meios pacíficos para persuadir os trabalhadores a aderirem à greve e de arrecadar fundos para bancar o movimento.