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Correio Braziliense

Elevadores estão parados no HRT


postado em 17/08/2010 07:49

Há mais de 10 anos, apenas um dos cinco elevadores do Hospital Regional de Taguatinga (HRT) funciona. Nos últimos 10 dias, o cenário que já era complicado, chegou ao limite com a interdição do último equipamento que atendia cerca de 400 pacientes do hospital. Entre as mais prejudicadas estão as 90 pessoas internadas no quarto andar do prédio, que abriga as áreas de ortopedia e de cirurgia geral. Diferentemente dos demais pisos, o último não possui rampas de acesso, restando apenas as escadas para uso comum de pacientes, visitantes, médicos e funcionários.

Jorge teve a cirurgia no fígado adiada: 10 quilos mais magro(foto: Taís Meireles/Esp. CB/D.A Press )
Jorge teve a cirurgia no fígado adiada: 10 quilos mais magro (foto: Taís Meireles/Esp. CB/D.A Press )
“Há vários anos, dependemos apenas de um dos elevadores, mas como ele estava funcionando mal, a Secretaria de Saúde decidiu interditá-lo por tempo indeterminado. Desde então, dependemos das escadas e das rampas em todas as áreas do hospital”, revela uma funcionária que prefere não ser identificada.

Uma paciente, que também optou pelo anonimato, afirma que o atendimento do hospital é bom, se comparado às demais unidades da rede pública do Distrito Federal. “O que falta é estrutura para os funcionários trabalharem. Com essa história dos elevadores, eu preferi passar a noite dormindo em um banco na sala de recuperação cirúrgica do que me arriscar pelas escadas pouco depois da minha cirurgia de apendicite”, conta a jovem de 27 anos.

Dificuldades
Um dos oito filhos da aposentada Maria Soares, 63 anos, fez uma cirurgia de vesícula há 15 dias. Ontem, apenas com a ajuda de um médico, ele desceu e subiu as escadas do hospital para fazer os exames pós-operatórios. Manuel Soares, 33 anos, estava abatido e cansado, mas teve que se esforçar para garantir os exames. “É totalmente absurda essa situação. Eu sofro de dores no joelho e já estou com as pernas inchadas de tanto subir e descer os degraus. Fico com pena das meninas que trazem a comida, porque elas não conseguem carregar tudo sozinhas, ainda mais de escada”, lamenta a mãe de Manuel.

Há pouco mais de um mês, Luís Jorge Martins da Cruz, 60 anos, está em uma situação parecida com a do filho de Maria Soares. O instrutor de autoescola veio de Paracatu (MG) para fazer um exame no HRT e acabou se tratando ainda de uma infecção no fígado. “Há mais de duas semanas ele estava esperando pela cirurgia, mas não conseguiu fazê-la porque não tem condições de voltar do centro cirúrgico pelas escadas. Assim, ele está voltando para a cidade dele para tentar resolver o problema lá”, diz a irmã de Luís, Domingas Martins.

Apesar disso, para o mineiro, a vinda ao DF foi proveitosa, já o tratamento da infecção aliviou as fortes crises pelas quais ele passava.“Não me arrependo de ter vindo porque fiz o exame, mas queria ter feito logo a cirurgia. Além disso, passei duas semanas, em jejum, com a promessa de que faria o procedimento. Foi um desgaste terrível e eu perdi mais de 10 quilos”, relembra.

Retorno
Como o Hospital Regional de Taguatinga não possui verba para fazer o conserto do elevador, o caso está sob a responsabilidade da Secretaria de Saúde, que conseguiu uma empresa para reparar ao menos um dos cinco elevadores do hospital. Apesar disso, não há previsão para que o serviço seja executado, mas a Secretaria afirma que o pedido foi feito em caráter emergencial.

O governo já prepara um edital de licitação para fazer a troca de todos os equipamentos. O documento deve ficar pronto em duas semanas. Enquanto isso, o HRT continua funcionando, mas apenas as cirurgias de emergência estão sendo realizadas. O posto de atendimento do Corpo de Bombeiros no hospital está liberando provisoriamente alguns funcionários para auxiliar o transporte de pacientes.


O número
400

Total de pacientes afetados no HRT com a falta de elevadores

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