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Correio Braziliense

Comunidade de Planaltina se une para recuperar bacia do Rio São Bartolomeu

A bacia apresenta contaminação por agrotóxicos e um alto índice de coliformes fecais


postado em 25/08/2010 07:00 / atualizado em 25/08/2010 08:06

Árvores para recuperar o Rio São Bartolomeu (1): esse foi o presente que a bacia hidrográfica que corta o Distrito Federal e Goiás ganhou em seu aniversário de 264 anos de descoberto. O rio foi batizado pelos bandeirantes em 24 de agosto de 1746, em homenagem ao Dia de São Bartolomeu. E quem também saiu ganhando foram cerca de 120 alunos e professores de escolas de ensino médio e fundamental de comunidades moradoras da área da bacia, que ganharam uma lição de meio ambiente e plantaram as mudas que vão proteger as águas em um futuro próximo. O plantio ocorreu no Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia de Brasília (IFB), em Planaltina, próximo ao Vale do Amanhecer.

Estudantes durante uma das palestras realizadas pelas Fundações Pró-Natureza consciência de o rio estar relacionado à qualidade de vida de todos(foto: Carlos Moura/CB/D.A Press)
Estudantes durante uma das palestras realizadas pelas Fundações Pró-Natureza consciência de o rio estar relacionado à qualidade de vida de todos (foto: Carlos Moura/CB/D.A Press)
A atividade fez parte do projeto Rio São Bartolomeu Vivo, que tem como objetivo recuperar as áreas degradadas da bacia. A iniciativa é das Fundações Pró-Natureza (Funatura) e do Banco do Brasil. Estudantes aprenderam a semear e cultivar espécies nativas do cerrado, como jacarandá, jatobá, aroeira, ipê e angico. Foram aproximadamente 600 mudas.

Para o engenheiro florestal Juliano Silva Minervino, coordenador do projeto, as aulas ensinam os estudantes a se relacionarem com o cerrado. Entre as atividades, os alunos aprenderam a coletar sementes de várias espécies nativas e a preparar, na dosar terra, areia e adubo para cada tipo de planta. “Eles mesmos fizeram a prática. Demonstraram um interesse muito grande, até porque vivem na região do rio e relacionam as espécies, muitas vezes, com a própria dieta. A meta é 1 milhão de mudas em 500 hectares da Bacia do Rio São Bartolomeu”, explicou o engenheiro.

Os alunos da 4ª série do ensino fundamental da Escola Classe Aprodarmas Sabrina Echeli Dias Michele Santos Lopes e Mateus Barros da Conceição, ambos com 11 anos, contaram sobre as lições. “Aprendi a cuidar da água. Ela é mais da metade do que tem no nosso corpo, e sem ela a gente não vive”, disse Sabrina. “Aprendi a cuidar do rio e da natureza”, completou Michele. “Dessas águas, nós comemos, bebemos e plantamos. Toda a vida do homem depende da água”, alinhavou Mateus.

Multiplicação
Vice-diretora da Escola Classe Pedra Fundamental, Rosângela da Silva Barros, 44 anos, ressaltou a importância do evento. Os alunos de Rosana moram próximo ao Córrego Mestre d’Armas, que deságua no São Bartolomeu, e já sofrem os efeitos da poluição. “É uma região de chacareiros. Muita gente depende da água para irrigação; no entanto, moradores já evitam beber da água do rio”, contou. A professora Maria Leves Pereira da Conceição, 50, endossa: “Eles sobrevivem do rio. Com a oficina, aprenderam a cuidar um pouco do próprio rio. Eles gostaram, se envolveram e participaram”.

Estudante do ensino médio da IFB, Ítalo Daniel Ribeiro, 16 anos, que cursa o 2º ano do ensino médio, já teve contato com o projeto e se disse satisfeito ao saber da participação de outras escolas. “É um aprendizado criativo. Eu já conhecia algumas práticas. A recuperação do rio é um investimento no futuro e incentiva as comunidades da bacia a terem mais cuidado com as árvores e com o próprio rio”, destacou.

1 - Bacia importante
O Rio São Bartolomeu tem 200km de extensão e é vital no futuro do abastecimento do Distrito Federal, além dos municípios goianos de Luziânia, Cidade Ocidental e Cristalina. O projeto Rio São Bartolomeu Vivo atenderá um total de 19 comunidades que vivem nas proximidades da bacia. As águas do Bartolomeu estão poluídas por agrotóxicos e coliformes fecais.

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